Deuteronômio 28
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Se tu porém ouvires a voz do Senhor teu Deus, cumprindo, e guardando tôdas as suas ordenações, que eu hoje te prescrevo, o Senhor teu Deus te exaltará sobre tôdas as nações, que há na terra. 2Tôdas estas bênçãos virão sôbre ti, e te alcançarão contanto que obedeças aos seus preceitos. 3Tu serás bendito na cidade, e bendito no campo. 4Será bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, as manadas dos teus bois, e os rebanhos das tuas ovelhas. 5Benditos os teus celeiros, e benditas as tuas sobras. 6Serás bendito ao entrar e ao sair. 7O Senhor fará que caiam diante dos teus olhos os teus inimigos, que se levantam contra ti: êles virão contra ti por um caminho, e por sete fugirão da tua presença. 8O Senhor derramará a sua bênção sôbre os teus celeiros, e sôbre tôdas as obras das tuas mãos: e te abençoará na terra, que receberes. 9O Senhor te levantará como um povo santo para si, conforme êle to jurou: se guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos. 10E todos os povos da terra verão que trazes sôbre ti o nome do Senhor, e temer-te-ão. 11O Senhor te fará abundante de todos os bens, do fruto do teu ventre, e do fruto dos teus gados, do fruto da terra, que o Senhor prometeu com juramento á teus pais que te havia de dar. 12O Senhor abrirá o seu riquíssimo tesouro, que é o céu, para derramar sôbre a terra a chuva em seu tempo: e êle abençoará tôdas as obras das tuas mãos. E tu emprestarás a muitas gentes, e de nenhum receberás emprestado. 13O Senhor fará que sejas o primeiro, e não o derradeiro: e sempre estarás em cima, e não debaixo: contanto que obedeças aos mandamentos do Senhor teu Deus que eu hoje te prescrevo, e os guardes e cumpras, 14e não te desvies dêles nem para a direita, nem para a esquerda, nem sigas os deuses estranhos, nem lhes dês culto. 15Porém se tu não quiseres ouvir a voz do Senhor teu Deus, e não guardares e praticares tôdas as suas ordenações e as cerimônias, que eu hoje te prescrevo, virão sôbre ti, e te alcançarão tôdas estas maldições. 16Tu serás maldito na cidade, maldito no campo. 17Maldito o teu celeiro, e malditas as tuas sobras. 18Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, as manadas dos teus bois, e os rebanhos das tuas ovelhas. 19Tu serás maldito ao entrar, e maldito ao sair. 20O Senhor mandará sôbre ti a indigência e a fome, e a maldição sôbre tôdas as tuas obras que tu fizeres: Até te reduzir a pó, e te acabar dentro de pouco tempo, por causa dos teus péssimos desígnios em que tu me abandonaste.: 21O Senhor te mande peste, até que te faça perecer -da terra, que estás para entrar a possuir. 22O Senhor te castigue com pobreza, com febre e frio, com calor e secura, com infecção de ar e com ferrugem, e te persiga até que pereças. 23O céu, que está por cima de ti, se torne de bronze: E a terra, que pisas, sé torne de ferro. 24Em lugar de chuva mande o Senhor sôbre a tua terra nuvens de poeira, e do céu desça cinza sôbre ti, até que sejas consumido. 25O Senhor te faça cair diante de teus inimigos: Por um caminho saias tu contra êles, e por sete fujas, e sejas derramado por todos os reinos da terra: 26Que o teu cadáver sirva de pasto às aves do céu, e às feras da terra, e não haja quem as enxote. 27O Senhor te castigue com as úlceras do Egito, e fira de sarna, e de comichão aquela parte do teu corpo, por onde se lança o excremento: De sorte que não possas curar-te. 28O Senhor te fira de loucura e de cegueira e de frenesi, 29de sorte que andes às apalpadelas no pino do dia, como costuma fazer o cego às escuras, e não acertes nos teus caminhos. E em todo o tempo sejas denegrido de calúnias, e oprimido de violências, nem tenhas quem te livre. 30Recebas por tua uma mulher, e outro durma com ela. Edifiques uma casa, e não a habites. Plantes uma vinha, e não a vindimes. 31O teú boi seja imolado diante de ti, e não comas dêle. O teu-jumento te seja arrebatado diante dos teus olhos, e não te seja restituído. As tuas ovelhas dcem-sc aos teus inimigos, e não haja quem te ajude. 32Os teus filhos e as tuas filhas sejam entregues a outro povo, vendo-o os teus olhos. e secando-se de os ver todo o dia, e as tuas mãos te fiquem sem nenhuma fôrça. 33Os frutos da tua terra, e todos os teus trabalhos coma-os um povo que tu não conheces: e experimentes sempre as calúnias, e sejas oprimido todos os dias, 34e fiques atônito de terror pelas coisas, que os teus olhos hão de ver. 35O Senhor te fira com a chaga a mais maligna nos teus joelhos e nas barrigas das tuas pernas, e não possas ser sarado desde a planta do pé até o alto da cabeça. 36O Senhor te levará a ti, e a teu rei, que terás estabelecido: sôbre ti, a uma gente, que nem tu, nem teus: pais conhecem: e lá servirás a deuses estranhos, ao pau e à pedra. 37E ver-te-ás na última miséria como o ludíbrio e a fábula de todos os povos, onde o Senhor te houver levado. 38Lançarás muita semente à terra, e recolherás muito pouco: porque os gafanhotos comerão tudo. 39Plantarás a vinha, e a cavarás: mas não lhe beberás o vinho, nem dela colherás coisa. alguma, porque será destruída dos bichos. 40Terás oliveiras em tôdas as tuas terras, e não terás azeite com que te untes: porque tudo cairá, e se perderá. 41Gerarás filhos e filhas, e não te gozarás deles: porque tos levarão cativos. 42Tôdas as tuas árvores e os frutos da tua terra consumi-los-á a ferrugem. 43O estrangeiro, que vive contigo na tua terra, subirá sôbre ti, e estará mais alto: e tu descerás, e ficarás mais abatido. 44Êle te emprestará com usura, e tu não lhe emprestarás: Êle estará na cabeceira, e tu estarás aos pés. 45E tôdas estas maldições descarregarão sôbre ti, e, perseguindo-te te alcançarão, até que pereças: porque não ouviste a voz do Senhor teu Deus, nem guardaste os mandamentos, e as cerimônias que êle te prescreveu. 46E ver-se-ão em ti e na tua posteridade para sempre sinais e prodígios: 47Pòrque nãó serviste ao Senhor teu Deus com gôsto, e alegria de coração, por causa da abundância que tinhas de tôdas as coisas: 48Servirás ao inimigo, que o Senhor há de enviar contra ti, com fome, com sede, com desnudez, e com falta de tudo: e êle porá sôbre o teu pescoço um jugo de ferro, até que te destrua. 49O Senhor mandará de longe, e das extremidades da terra sôbre ti uma nação, à semelhança da águia que voa impetuosamente: cuja língua tu não possas entender: 50Nação atrevidíssima, que não terá respeito al-gumao velho, nem se compadecerá do menino, 51e devorará tudo o que nascer dos teus gados, e os frutos da tua terra: até que pereças, e não te deixará nem pão, nem vinho, nem azeite, nem manadas de bois, nem rebanhos de ovelhas: até que te haja destruído, 52e te haja aniquilado em tôdas as tuas cidades, e até que em tôda a tua terra sejam derribados os teus' fortes e altos muros em que punhas a tua segurança. Serás sitiado dentro das tuas portas em tôda a tua terra, que o Senhor teu Deus te dará: 53E comerás o fruto do teu ventre, e as carnes de teus filhos e de tuas filhas que o Senhor teu Deus te houver dado na. angústia e desolação, com que te oprimirá. o teu inimigo. 54O homem mais delicado dos teus, e o mais entregue a prazeres, será mesquinho com seu irmão, e com sua mulher, que dorme com êle, 55e não lhe dará das carnes de seus filhos, que êle comerá: por não ter outra alguma coisa no cerco e na penúria, a que te reduzirão os teus inimigos dentro de tôdas as tuas portas. 56A mulher tenrà e mimosa, que não podia andar sôbre a terra, nem firmar nela um pé por causa da sua demasiada brandura e delicadeza, será mesquinha com seu marido, que dorme ao seu lado, das carnes de seu filho e de sua filha, 57e da asquerosa hediondez das páreas, que sairão do sêu ventre, e dos filhos que no mesmo momento lhe nascerem: porque os comerão ocultamente pela falta de tôdas as coisas, no cêrco e desolação, com que te oprimirá o teu inimigo dentro das tuas portas. 58Se não guardares e não cumprires tôdas as palavras desta lei, que estão escritas neste volume; e se não temeres o seu nome glorioso, e terrível, isto é, ao Senhor teu Deus: 59O Senhor aumentará cada vez mais as tuas pragas, e as pragas de teus filhos, pragas grandes e perseverantes, doenças malignas e incuráveis: 60E voltará contra ti tôdas as aflições do Egito, que tanto temeste, e elas se não separarão de ti: 61E demais disto enviará o Senhor sôbre ti até te destruir tôdas as enfermidades e pragas, que não estão escritas no livro desta lei: 62E vós ficareis poucos em número: os que antes pela multidão éreis como as estrelas do céu, porque não ouvistes a voz do Senhor teu Deus. 63E assim como antes se comprazia o Senhor em vós fazendo-vos bem, e multiplicando-vos.: assim se comprazerá em acabar-vos, e destruir-vos, para serdes exterminados da terra, em cuja posse estais a entrar. 64O Senhor te espalhará por todos os povos desde uma extremidade da terra até os seus fins: e lá servirás a deuses estranhos, que tu e teus pais ignoram, a paus e a pedras. 65Tampouco terás repouso entre êstes povos, nem a planta do teu pé achará descanso. Porque o Senhor te dará ali um coração medroso, e uns olhos descaídos, e úma alma consumida de tristeza. 66E a tua vida estará como suspensa diante de ti. Temerás de dia e de noite, e não crerás na tua vida. 67Pela manhã dirás: Quem me dera chegar à tarde? e à tarde: Quem me dera ver a manhã? por causa do temor com que serás aterrado em teu coração, e por causa daquelas coisas, que verás com os teus olhos. 68O Senhor vos fará tornar por mar ao Egito, donde êle vos tinha dito que não tornásseis mais a tomar o caminho, Lá sereis vendidos aos teus inimigos para serdes escravos e escravas, e não haverá quem vos compre.