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Deuteronômio 31

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Foi Moisés pois e declarou tôdas estas coisas a todo o Israel, 2e lhes disse: Eu acho-me hoje com cento e vinte anos, não posso daqui em diante sair, nem entrar, principalmente tendo-me' dito o Senhor: Tu não passarás êste Jordão. 3O Senhor teu Deus pois passará diante de ti: Êle, mesmo extinguirá à vista de teus olhos tôdas estas nações, e tu as possuirás: E êste Josué passará adiante de ti, como o Senhor disse. 4E o Senhor tratará a estes povos, como tratou a Seon e a Og, reis dos amorreus, e ao seu país, e os exterminará. 5Quando êlè pois vos tiver também entregado estes,. vós vos havereis com êles da maneira que vos tenho mandado. 6Portai-vos varonilmente, e tende ânimo: não temais, nem vos atemorizeis à vista deles: Porque o mesmo Senhor teu Deus é o teu condutor, e não te deixará, nem te desamparará. 7Chamou pois Moisés a Josué, e lhe disse diante de todo o Israel: Tem ânimo, e sê robusto: Porque tu hás de introduzir êste povo na terra, que o Senhor jurou a teus pais que lhes havia de dar, e tu lha repartirás por sorte. 8E o Senhor que é o vosso condutor, êle mesmo será contigo: êle te não deixará, nem te desamparará: Não temas, nem te assustes. 9Escreveu pois Moisés esta lei, e a entregou aos sacerdotes filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. 10E lhes ordenou, dizendo: Passados sete anos, no ano da remissão, na solenidade dos tabernáculos, 11quando todos os filhos de Israel se ajuntarem para aparecer diante do Senhor teu Deus, no lugar que O Senhor tiver escolhido, lerás as palavras desta lei diante de todo 'o Israel, ouvindo-as êles, 12e estando congregado todo o povo num mesmo lugar, assim homens, como mulheres, meninos, e estrangeiros, que vivem das tuas portas para dentro: Para que ouvindo-a, a aprendam, e temam o Senhor vosso Deus, e guardem e cumpram tôdas as palavras desta lei: 13E também seus filhos, que agora as ignoram; para que as possam ouvir, e temam o Senhor seu Deus todo o tempo, que viverem na terra, que, passado o Jordão, ides a possuir. 14Então disse o Senhor a Moisés: Olha que estão perto os dias da tua morte: Chama a Josué, e apresentai-vos diante do tabernáculo do testemunho, para eu lhe dar as minhas ordens. Partiram pois Moisés e Josué, e se apresentaram diante do tabernáculo do testemunho: 15e apareceu ali o Senhor na coluna de nuvem, a qual parou à entrada do tabernáculo. 16E disse o Senhor a Moisés: Eis-aí vás tu a dormir com teus pais, e êste povo, levantando-se, se prostituirá a deuses estranhos na terra, em que está para entrar e para habitar nela: Ali me abandonará, e violará o concerto, que eu fiz com êle. 17E o meu furor se acenderá naquele dia contra êle: E eu o deixarei, e esconderei dêle o meu rosto, e êle será devorado: Sôbre êle virão todos os males e aflições, sobremaneira que dirá naquele dia: Em verdade, que por Deus não estar comigo, me vieram êstes males. 18Mas eu esconderei e ocultarei a minha face naquele dia, por causa de todos os males que êle fêz, por ter seguido a deuses estranhos. 19Agora pois escrevei para vós êste cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel: Para que êles o saibam de cor, e o cantem, e para que êste cântico me sirva de testemunho entre os filhos de Israel. 20Porque eu o introduzirei na terra, que prometi com juramento a seus pais, que mana leite e mel. E depois que tiverem comido, e se tiverem fartado, e engordado, êles se converterão para deuses alheios, e os servirão: E falarão contra mim, e violarão o meu pacto. 21Depois que tiverem caído sobre êles muitos males e aflições, falará em testemunho contra êle êste cântico, o qual, andando na bôca de seus filhos, nunca jamais se apagará por esquecimento. Porque eu conheço os seus pensamentos, e o que êle há de fazer hoje, antes que eu o introduza na terra, que lhes prometi. 22Escreveu Moisés pois o cântico, e o ensinou aos filhos de Israel. 23E ordenou o Senhor a Josué filho de Nun, e lhe disse: Tem ânimo, e sê robusto: Porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra, que eu lhes prometi, e eu serei contigo. 24Logo pois que Moisés acabou de escrever num livro as palavras desta lei: 25Mandou aos levitas, que levavam a arca do concêrto do Senhor, dizendo: 26Tomai êste livro, e ponde-o ao lado da arca do concêrto do Senhor vosso Deus, para aí servir de testemunho contra ti. 27Porque eu sei a tua porfia, a dureza grande da tua cerviz. Ainda vivendo eu, e andando convosco, vos portastes. vós sempre teimoso contra o Senhor: Quanto mais depois que eu morrer? 28Fazei que venham perante mim todos os anciãos das vossas tribos, e doutores e eu pronunciarei diante dêles estas palavras, e invocarei contra êles o céu e a terra. 29Porque sei que depois da minha morte vós procedereis iniquamente, e que depressa vos arredareis do caminho, que eu vos prescrevi: E sobrevir-vos-ão calamidades nos últimos tempos, quando fizerdes o mal diante do Senhor, irritando-o com as obras das vossas mãos. 30Pronunciou Moisés pois as palavras deste cântico, e o recitou até o fim, ouvindo-o todo o ajuntamento de Israel.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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