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Deuteronômio 32

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ouvi, céus, o que vou a dizer: ouça a terra as palavras da minha bôca.(l) 2Cresça como chuva a minha doutrina, distilem como orvalho as minhas palavras, como chuvisco sôbre a erva, e como gôtas de água sôbre as relvas. 3Porque eu invocarei o nome do Senhor: magnificai ao nosso Deus. 4As obras de Deus são perfeitas, e todos os seus caminhos são cheios de equidade. Deus é fiel, e sem nenhuma iniquidade, justo e reto. 5Pecaram contra êle, não já seus filhos em imundícies: geração depravada e perversa. 6Assim é que tu, povo louco e insensato, mostras o teu agradecimento ao Senhor? Não é Êle teu pai, que te possuiu, e te fêz, e te criou? 7Consulta os séculos antigos, considera o que se tem passado no decurso de tôdas as gerações: pergunta aos teus maiores, e eles te dirão. 8Quando o Altíssimo dividia as nações: quando separava os filhos de Adão, êle designou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel. 9A porção porém do Senhor é o seu povo: Jacó a corda da sua herança. 10Êle o achou numa terra deserta, num lugar horroroso, e numa vasta solidão: êle o conduziu por diversos caminhos: e o ensinou: e o guardou como a menina do seu ôlho. 11Como uma águia provoca seus filhos a voar, e dé contínuo voa sôbre êles, assim o Senhor estendeu as suas asas sôbre o seu povo, e o tomou, e o levou sôbre seus ombros. 12O Senhor só foi o seu condutor: e não era com Êle deus algum estranho. 13Êle o estabeleceu sôbre uma terra alta: para que comesse os frutos.dos campos, para que chupasse o mel que saía da pedra, e gostasse do azeite que se dava nos mais duros rochedos. 14Da manteiga das vacas, e do leite das ovelhas, com a gordura dos cordeiros, e dos carneiros dos filhos de Basan: e dos cabritos com a medula do trigo, e para que bebesse mui puro o sangâiíneo licor da uva. 15Mas o amado engrossado, recalcitrou: engrossado, engordado, alargado, abandonou a Deus seu Criador, e se apartou de Deus seu Salvador. 16Êles o irritaram, adorando deuses estranhos, e com as suas abominações o provocaram à ira. 17Ofereceram sacrifícios não a Deus, mas aos demônios, aos deuses, que eles desconheciam: vieram deuses novos e recentes, que seus pais não tinham adorado. 18Deixaste ao Deus que te gerou, e esqueceste-te do Senhor teu Criador. 19Viu isto o Senhor, e se acendeu em ira: porque o provocaram seus filhos e filhas. 20Então disse: eu esconderei dêles a minha face. e considerarei o fim que os espera: porque esta é uma geração perversa, e uns filhos infiéis. 21Êles me provocaram a zelos com aquele que não era Deus, e me irritaram com as suas vaidades: e eu os provocarei a zelos com aquêle que não é povo, e os irritarei com uma nação insensata. 22O fogo se acendeu no meu furor, e arderá até o mais profundo do inferno: e devorará a terra com as suas mais pequenas ervas, e queimará os montes até às raízes. 23Eu amontoarei sôbre êles os males, e empregarei neles tôdas as minhas setas. 24A fome os consumirá e as aves os despedaçarão com as suas cruéis mordeduras: eu armarei contra êles os dentes das feras, ê o furor das que se revolvem e arrastam sôbre a terra. 25Por fora os devastará a espada, e por dentro o pavor, ao mancebo juntamente com a virgem, à criança que ainda mama, e ao homem velho. 26Eu disse: Onde estão êles? Eu farei apagar dentre os homens a sua memória. 27Mas eu deferi executá-lo por causa da arrogância dos inimigos: para que os seus inimigos se não ensoberbecessem, e dissessem: Não foi o Senhor, mas sim a nossa mão poderosa, a que fêz tôdas estas coisas. 28E” uma gente sem conselho e sem prudência. 29Oxalá que êles tivessem sabedoria, e inteligência, e previssem os fins. 30Como pode ser que um persiga a mil, e dois façam fugir a dez mil? Não é isto, por que o seu Deus os vendeu, e o Senhor os fechou? 31Porque o nosso Deus não é como os deuses dêles: e os nossos mesmos inimigos são os juízes. 32A sua vinha é da vinha de Sodoma, e dos, subúrbios de Gomorra: as suas uvas são uvas de fel, e os seus cachos amaríssimos. 33O seu vinho é fel de dragões, e veneno de áspides incurável. 34Porventura não tenho eu guardadas estas coisas comigo, e seladas nos meus tesouros? 35Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago a seu tempo, quando resvalar o seu pé: perto está o dia da sua perdição, e os momentos dela se apressam por chegar. 36O Senhor julgará o seu povo, e se compadecerá dos seus servos. Êle verá que as mãos estão sem fôrça, e que também os que estavam fechados desfaleceram, e que os que tinham ficado foram consumidos. 37E dirá: Onde estão òs seus deuses, nos quais tinham pôsto a sua confiança? 38De cujas vítimas comiam as banhas, e bebiam o vinho das suas libações: levantem-se e venham em vosso socorro, e protejam-vos na vossa necessidade, 39Vêde que só eu sou Deus, e que não há outro fora de mim: eu matarei, e eu farei viver: ferirei, e curarei: e não há quem possa tirar da minha mão coisa alguma. 40Eu levantarei a minha mão ao céu, e direi: Eu sou o que vivo eternamente. 41Se eu afiar como raio a minha espada, e a minha mão se armar para fazer justiça: eu me vingarei de meus inimigos, e darei o pago aos que me aborrecem. 42Eu embriagarei as minhas setas em sangue dos mortos, e a minha espada devorará as carnes dos inimigos, que estão no cativeiro com a cabeça rapada. 43Louvai. ó gentes, o seu povo, porque ela vingará o sangue dos seus servos: e tomará vingança dos seus inimigos. e se mostrará propícia à terra do seu povo. 44Veio pois Moisés, e com Josué, filho de Nun, proferiu tôdas as palavras dêste cântico diante do seu povo. 45E acabou tôdas estas palavras. falando a todo o Israel: 46E lhes disse: Aplicai vossos corações a tôdas as palavras que eu hoje vos testifico, recomendai a vossos filhos que guardem, e pratiquem, e cumpram tudo o que está escrito nesta lei: 47Porque não debalde vos foram postos êstes preceitos, mas sim para que cada um de vós ache nêles a vida, e guardando-os moreis por muito tempo no país, que ides a possuir, depois que passardes o Jordão. 48No mesmo dia falou o Senhor a Moisés. dizendo: 49Sobe a este monte de Abarim, isto é, das passagens, ao monte Nebo, que é o país de Moab defronte de Jericó: e contempla a terra de Canaã, cuja posse darei aos filhos de Israel, e tu morrerás no monte. 50Ao qual tendo subido, irás unir-te a teus povos, assim como Aarão teu irmão morreu no monte Hor, e se foi unir aos seus povos: 51Porque vós prevaricastes contra mim no meio dos filhos de Israel nas águas da contradição em Cades, do deserto de Sin: e não me santificastes entre os filhos de Israel. 52Tu verás defronte de ti a terra, que eu hei de dar aos filhos de Israel, e não entrarás nela.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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