Deuteronômio 9
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ouve, ó Israel: Tu passarás hoje o Jordão, para te senhoreares de nações mui populosas e mais possantes do que tu, de grandes cidades, e muradas até o céu, ( I ) 2dum povo grande e mui alto, dos filhos dos Enacins, que tu mesmo viste e ouviste, e a quem nenhum pode fazer cara. 3Tu pois saberás hoje que o Senhor teu Deus passará êle mesmo diante de ti, como um fogo devorador e consumidor, que os fará em pó e Os arruinará, e os exterminará dentro de pouco tempo como êle to prometeu. 4Depois que o Senhor teu Deus os tiver destruído diante de ti, não digas lá no teu coração: Por causa da minha justiça é que o Senhor me introduziu nesta terra para a possuir, tendo sido estas nações destruídas por causa das suas impiedades. 5Porque não é pela justiça, nem pela retidão do teu coração, que tu entrarás nas suas terras para as possuíres: Mas porque elas obraram impiamente, por isso foram destruídas à tua entrada: e porque o Senhor queria cumprir o que tinha prometido com juramento a teus pais Abraão, Isaac, e Jacó. 6Sabe pois que não é pela tua justiça que o Senhor teu Deus te fará possuir esta terra tão excelente, pois que tu és um povo de cerviz duríssima. 7Lembra-te, e não te esqueças, de que modo tens provocado a ira ao Senhor teu Deus no deserto. Desde o dia que saíste do Egito até este lugar, sempre contendeste contra o Senhor. 8Porque já em Horeb o provocaste, e êle irado te quis destruir, 9quando eu subi ao monte, para receber as tábuas de pedra, as tábuas do pacto que o Senhor fêz convosco: e perseverei no monte quarenta dias e quarenta noites, sem comei pão. nem beber água. 10E o Senhor me deu duas tábuas de pedra escritas com o dedo de Deus, e que continham todas as palavras que êle vos falou no monte do meio do fogo, estando junto todo o povo. 11E passados que foram quarenta dias, e outras tantas noites, me deu o Senhor duas tábuas de pedra, as tábuas do concerto, 12e me disse: Levanta-te, e desce logo daqui: Porque o teu povo, que tu tiraste do Egito, prontamente desamparou o caminho, que tu lhe mostraras, e fêz para si um bezerro fundido. 13Outrossim me disse o Senhor: Vejo que êste povo é de dura cerviz. 14Deixa que eu o faça em pó, e que apague o seu nome debaixo do Céu, e eu te farei príncipe duma gente, que seja maior e mais forte do que esta. 15E como eu descesse do monte que ardia, e levasse nas minhas mãos as duas tábuas do concerto, 16e visse que vós tínheis pecado contra o Senhor vosso Deus, e que tínheis feito um bezerro fundido, e que depressa tínheis deixado o caminho, que êle vos havia mostrado: 17Arrojei das minhas mãos as tábuas, e as quebrei à vossa vista. 18E prostrei-me diante do Senhor, como antes o tinha feito, e estive quarenta dias e quarenta noites sem comer pão, nem beber água por causa de todos os vossos pecados. que tínheis cometido contra o Senhor, e com que o provocastes à ira: 19Porque temi a sua indignação e irá, pela qual, estimulado contra vós, quis acabar-vos. E o Senhor me ouviu ainda por esta vez. 20Irritado também sobremaneira contra Aarão quis o Senhor matá-lo, e eu orei por êle do mesmo modo. 21E pegando no vosso pecado, que tínheis feito, isto é, no bezerro, o queimei no fogo, e fazendo-o em pedaços, e reduzindo-o inteiramente a pó, o deitei na torrente, que desce do monte. 22Irritastes também o Senhor no incêndio e na tentação, e nos sepulcros da concupiscência: 23e quando vos mandou de Cadesbarne, dizendo: Subi, e tomai posse da terra, que eu vos dei, e vós des- “prezastes o mandado do Senhor vosso Deus, e não lhe “destes crédito, nem quisestes ouvir a sua voz: 24Mas sempre lhe fóstes rebeldes desde o dia que eu comecei a conhecer-vos. 25E estive prostrado diante do Senhor quarenta dias e quarenta noites, em que humildemente lhe rogava, que vos não perdesse como êle o tinha ameaçado: 26e orando disse: Senhor Deus, não percas o teu povo, e a tua herança. que tu resgataste com o teu grande poder, e que tiraste do Egito com mão poderosa. 27Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac, e Jacó: Não olhes para a dureza dêste povo, nem para a sua impiedade e pecado: 28Para que não digam os habitantes do país, donde nos tiraste: Ò Senhor não podia introduzi-los na terra, que lhes havia prometido, e como os aborrecia, por isso os tirou, para os matar no deserto: 29Os quais são teu povo e tua herança, que tu tiraste com a tua grande fortaleza, e com o teu braço estendido.