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Eclesiastes 6

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Há ainda outro mal, que eu tenho visto debaixo do sol, e ordinário por certo entre os homens: 2Um homem, a quem Deus deu riquezas, e fazenda, e honra, e nada falta à sua alma de quantas coisas deseja: E Deus não lhe concedeu faculdade para comer daí, mas virá um homem estranho a devorar tudo: Isto é uma vaidade, e grande miséria. 3Se alguém tiver gerado já um cento de filhos, e viver muitos anos e contar mais dias de idade, e a sua alma se não utilizar dós bens qué possui, é carecer de sepulturã: Dêste homem não duvido eu afirmar que um abôrto é melhor do que êle. 4Porque um tal veio ao mundo debalde, e caminha para as trevas, e o seu nome ficará sepultado no esquecimento. 5Êle não viu o sol, nem conheceu a distância que vai do bem ao mal: 6Ainda que êle tivesse vivido dois mil anos, se êle não gozou dos seus bens: Porventura não se apressa tudo a um mesmo lugar? 7Todo o trabalho do homem é para a sua bôca: Mas a sia alma não se encherá com isso. 8Que tem o sábio demais do que o insensato? E que tem demais o pobre, senão que êle caminha para o lugar onde está a vida? 9Melhor é ver o que se deseja, do que desejar o que se ignora. Mas também isto é vaidade, e presunção do espirito. 10Aquêle que há-de ser, é já chamado pelo seu nome: E sabe-se que êle é homem, e que não pode disputar em juízo contra quem é mais forte do que êle. 11São em mui grande número as palavras e têm na disputa muita vaidade.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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