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Eclesiastes 7

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Que necessidade tem o homem de buscar o que é acima dêle, quando êle ignora o que lhe é conducente na sua vida, enquanto dura o prazo dos dias da sua peregrinação, e o tempo que passa como sombra? Ou quem lhe poderá mostrar que é o que está para suceder depois dêle debaixo do sol? 2Melhor é o bom nome, do que os bálsamos preciosos: E o dia da morte, do que o dia do nascimento. 3Melhor é ir à casa que está de nojo, do que à casa onde se dá banquete: Porque naquela é um advertido do fim de todos os homens, e o que está vivo considera no que um dia lhe há-de acontecer. 4Melhor é a ira do que o riso: Porque pela tristeza que aparece no rosto, se corrige o ânimo do delinquente.: 5O coração dos sábios está onde se acha a tristeza, e o coração dos insensatos oide se acha a alegria. 6Melhor é ser repreendido pelo sábio, do que ser enganado pela adulação dos insensatos: 7Porque assim como se ouve ao longe a estalada que fazem os espinhos ardendo debaixo duma panela, do mesmo modo o riso do insensato: Mas também isto é vaidade. 8A calúnia turba o sábio, e ela abaterâ a firmeza do seu coração. 9Melhor é o fim do discurso, do que o princípio. Melhor é o homem paciente, do que o arrogante. 10Não sejas veloz em te irares: Porque a ira descansa no seio do insensato. 11Não digas: De onde vem que os primeiros tempos foram melhores do que são agora? Porque semelhante pergunta é indiscreta. 12A sabedoria é mais útil com as riquezas, e aproveita mais aos que vêem o sol. 13Porque assim como a sabedoria protege, assim protege o dinheiro: Mas a erudição e a sabedoria têm isto demais, que elas dão vida ao seu possuidor. 14Considera as obras de Deus, porque ninguém pode corrigir a quem êle desprezou. 15Goza dos bens no dia bom, e precavé o mau dia, porque Deus assim como fêz êste, assim também fêz aquêle, sem que o homem ache contra êle justificadas queixas. 16Eu também vi isto nos dias da minha vaidade: O justo perece na sua justiça, e o ímpio vive muito tempo na sua malícia. 17Não sejas muito justo: Nem sejas mais sábio do que é necessário, para que não venhas a ser estúpido. 18Não te obstines nas ações criminosas: E não sejas insensato para que não venhas a morrer no tempo que não é teu. 19Bom é que tu sustentes o justo, mas também não retires a tua mão daquele que o não é: Porque o que temea Deus, nada despreza. 20A sabedoria fêz o sábio mais forte do que dez príncipes duma cidade. 21Porque não há homem justo sôbre a terra, que - faça o bem, e que não peque. 22Mas também não inclines o teu coração a ouvir tôdas as palavras que se dizem: Para que não ouças talvez a teu servo dizer mal de ti: 23Porque sabes na tua consciência, que também tu muitas vêzes tens dito mal de outros. 24Tudo tentei por adquirir a sabedoria. Eu disse: Far-me-ei sábio: E ela se retirou para longe de mim, 25muito mais do que dantes estava: E por certo que a sua profundidade é grande, quem a poderá sondar 26Eu discorri dentro no meu espirito por tôdas as coisas para saber, e considerar, e buscar a sabedoria, e a razão de tudo: E para conhecer a impiedade do insensato, e o êrro dos imprudentes: 27E achei que é mais amargosa do que a morte a mulher, a qual é laço de caçadores, e o seu coração rêde, as suas mãos são cadeias. Aquêle que agrada a Deus, fugirá dela: O que porém é pecador, será dela apanhado. 28Eis-aqui o que eu achei, disse o Eclesiastes, depois de ter conferido uma coisa com outra para achar uma razão, 29que ainda a minha alma busca, e não pude achar. Entre mil homens achei eu um, de tôdas as mulheres nem uma só achei. 30O que eu únicamente achei foi que Deus criou o homem reto, e que êle mesmo se meteu em infinitas questões. Quem é tal como o sábio? E quem conheceu a solução desta palavra?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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