Eclesiástico 10
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O juiz sábio fará justiça ao seu povo, e o govêrno do homem sensato será estável. 2Qual é o juiz do povo, tais são também os seus ministros: E qual é o governador da cidade, tais são do mesmo modo os seus habitantes. 3O rei de pouco juízo perderá o seu povo: E as cidades povoar-se-ão pelo bom senso dos que a governam. 4O poder soberano sôbre uma terra está na mão de Deus: E êle é o que a seu tempo suscitará um príncipe para governar uútilmente. 5À prosperidade do homem está na mão de Deus, e êle é o que porá sôbre a pessoa do doutor da lei os sinais da honra que lhe são próprios. 6Esquece-te de tôdas as injúrias que recebeste do teu próximo, e não faças nada por via de violência. 7A soberba é aborrecível a Deus e aos homens: E tôda a iniqüidade das nações é execrável. 8Um reino é transferido duma nação à outra por causa das injustiças, e das violências, e dos ultrajes, e de diferentes enganos. 9Não há coisa mais detestável do que o avarento: Por que se ensoberbece a. terra e a cinza? 10Não há coisa mais injusta do que amar o dinheiro: Porque um tal homem vende até a sua mesma alma: Pois que êle se despojou em sua vida das próprias entranhas. 11A vida de todo o potentado é breve. A doença prolongada fatiga o médico. 12O médico atalha a doença de pouca dura: Assim também um é hoje rei e amanhã morrerá. 13Porque o homem quando morrer, terá por herança as serpentes, e as sevandijas, e os bichos. 14O princípio da soberba do homem. é apostatar de Deus: 15Porque o seu coração se apartou daquele que o criou, porquanto o princípio de todo o pecado é a soberba: Aquêle que se der a ela, será cheio de maldições, e lá para o fim o meterá em ruína. 16Por isso é que o Senhor cobriu de opróbrios os congressos dos maus, e os destruiu para sempre. 17Deus destruiu os tronos dos príncipes soberbos, e em seu lugar fêz que se assentassem nêles os que eram mansos. 18Deus fêz secar as raízes das nações soberbas, e plantou dentre as mesmas nações os que eram humildes. 19O Senhor destruiu as terras das nações, e as arruinou até aos alicerces: 20Êle secou dentre as mesmas nações os seus habitadores, e os destruiu, e fêz apagar de cima da terra a sua memória. 21Deus aboliu a memória dos soberbos, e conservou a dos humildes de coração. 22A soberba não foi criada com os homens: Nem a ira com a raça das mulheres. 23Aquela descendência de homens, que teme a Deus, será tratada com honra: Porém aquela outra linhagem, que não faz caso dos mandamentos do Senhor, será desonrada. 24Entre os irmãos o que os governa é distinguido na honra: E os que temem ao Senhor, andarão nas meninas dos seus olhos. 25A glória dos ricos, dos nobres, e dos pobres, é o temor de Deus: 26Não queiras desprezar o homem justo, ainda que pobre, e não engrandecer ao homem pecador pôsto que rico. 27O grande, e o juiz, e o poderoso está em honra: Mas nenhum é tão grande como aquêle que teme a Deus. 28Os homens livres sujeitar-se-ão a um servo que tem juízo: E o varão prudente e bem ensinado não murmurará quando fôr repreendido, mas o ignorante não será honrado. 29Não queiras elevar-te, quando houveres de fazer a tua obra, e não te deixes possuir da preguiça no tempo do apêrto. 30O que trabalha, e que tudo tem em abundância, vale mais do que o jactancioso, e necessitado de pão. 31Filho, conserva a tua alma na mansidão, e dá-lhe honra, segundo o seu merecimento. 32Quem justificará ao que peca contra a sua alma? E quem honrará ao que desonra a sua alma? 33O pobre acha a sua glória por meio dos seus costumes, e do seu, temor: E há homem que é honrado por causa de suas riquezas. 34Ora o que é glorificado na pobreza, quanto mais o seria nas riquezas? Mas o que acha a sua glória nas riquezas, tema a pobreza.