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Eclesiástico 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Não sejas cioso da mulher do teu seio, para que não descubra contra ti a malícia da tua má doutrina. 2Não dês à mulher poder sôbre a tua alma, para que se não levante contra a tua autoridade, e fiques envergonhado: 3Não olhes para a mulher de muitos quereres: Para que não suceda caíres nos seus laços. 4Não sejas frequente em te achar com a mulher bailadeira: Nem a ouças, para que não suceda pereceres à fôrça dos seus encantos. 5Não detenhas os teus olhos em ver a donzela, para que não suceda que a sua beleza te seja ocasião de queda. 6Não entregues de modo algum a tua alma às mu-' lheres prostitutas: Para que te não deites a perder a ti, e a tua herança. 7Não lances os olhos por tôda a parte, pelas ruas da cidade, nem andes vagueando pelas suas praças. 8Aparta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com curiosidade para a formosura alheia. 9Por causa da formosura da mulher pereceram muitos: Porque dai é que se acende a concupiscência, como fogo. 10Tôda a mulher que é prostituta, será pisada como estêrco em o caminho. 11Muitos tendo admirado a formosura da mulher alheia se fizeram réprobos: Porque a sua conversação se ateia como fogo. 12Não te assentes jamais com a mulher alheia, nem te recostes com ela sôbre o cotovêlo:. 13E não disputes com ela bebendo vinho, para que não suceda que o teu coração se converta para ela, e com o teu sangue caias em perdição. 14Não deixes o amigo antigo: Porque o novo não será semelhante a êle. 15O amigo novo é um vinho novo: Êle se fará, velho, e tu regalar-te-ás de o beber. 16Não invejes a glória, nem as riquezas do pecador: Porque não sabes qual haja de ser a sua ruína. 17Não aproves a violência dos injustos, sabendo que até à sepultura não agradará o ímpio. 18Põe-te longe daquele homem que tem poder de mandar matar, e assim ficarás em estado de não temer a morte: 19E se te chegares a êle, vê não cometas algum mal, de onde possa resultar tirar-te êle a vida. 20Sabe que comunicas com a morte: Porque tu caminharás no meio dos laços, e andarás sôbre as armas de homens ressentidos. 21Segundo as tuas fôrças acautela-te do teu próximo, e trata com os sábios e prudentes. 22Os teus convidados sejam os homens justos, e no temor de Deus esteja pôsto o motivo da tua glória, 23e no teu sentido se forje o pensamento de Deus, e tôda a tua conversação consista nos preceitos do Altis-simo. 24As obras serão louvadas pela industriosa mão dos seus artífices, e o príncipe do povo pela sabedoria dos seus discursos, e as palavras dos velhos pelo sise com que são proferidas. 25É terrível na sua cidade o homem linguaraz: E o temerário nas suas palavras será aborrecido.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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