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Eclesiástico 17

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Deus criou o homem de terra, e o formou segundo a sua imagem. 2E êle o fêz de novo converter depois na mesma terra, e o revestiu de fôrça segundo a sua natureza. 3Êle lhe constituiu o tempo, e o número dos seus dias, e lhe deu poder sôbre tudo o que há na terra. 4Êle o fêz ser temido de tôda a carne, e lhe deu o império sôbre os animais e sôbre as aves. 5Êle criou da sua mesma substância uma ajuda semelhante a êle: Deu-lhes discernimento, e língua, e olhos, e ouvidos, e espirito para cogitar: E encheu-os da luz da inteligência. 6Criou nêles a ciência do espírito, encheu de senso os seus corações, e mostrou-lhes os males e os bens. 7Pôs o seu ôlho sôbre os seus corações: Para lhes fazer ver as maravilhas das suas obras. 8E isto a fim de que êles com os seus louvores engrandecessem a santidade do seu nome: E de que o glorificassem por causa das suas maravilhas, de que publi-cassem a magnificência das suas obras. 9Acrescentou-lhes a disciplina, e deu-lhes em herança a lei da vida. 10Fêz com êles um pacto eterno, e lhes mostrou a sua justiça e os seus juízos. 11E com os seus próprios olhos viram eles as grandezas da sua glória, e seus ouvidos ouviram a majestade da sua voz, e êle lhes disse: Guardai-vos de tôda a iniquidade. 12E lhes ordenou que cada um deles tivesse cuidado -no seu próximo. 13Os caminhos dêles perante êle estão sempre, não foram nunca escondidos a seus olhos. 14Êle estabeleceu a cada nação seu príncipe, que a governasse: 15Mas Israel foi visivelmente a porção que Deus tomou para si. 16E tôdas as suas obras apareceram tão claramente diante de Deus como o sol: E os seus olhos se aplicam sem intermissão a considerar os seus caminhos. 17A sua aliança não ficou escurecida pela maldade dêles, e à vista de Deus foram patentes as suas iniquidades. 18A esmola do homem é diante do mesmo Deus como um sêlo, e êle conservará o bem-fazer do homem como a menina do ôlho: 19E levantar-se-á depois, e lhes dará a sua retribuição, conforme o próprio: merecimento de cada um, e precipitá-los-à até às partes interiores da terra. 20Aos penitentes porém concedeu êle o caminho da justiça, e confortou os pusilânimes para vencerem a tentação, e lhes destinou a sorte da verdade. 21Converte-te ao Senhor, e deixa os teus pecados: 22Faze as tuas deprecações ante a face do Senhor, e diminui os tropeços. 23Torna para o Senhor, e aparta-te da tua injustiça, e aborrece no extremo a execração: 24E conhece as justiças e os juízos de Deus e persevera na sorte que te foi proposta, na invocação do Deus Altíssimo. 25Vai incorporar-te na porção do século santo, com os vivos, e com os que dão louvor a Deus. 26Não te demores no êrro dos ímpios, e louva a Deus antes da morte. O louvor, depois do homem estar morto, fenece, tornando-se cómo num puro nada. 27Confessá-lo-ás vivendo, vivo e são confessarás. e louvarás a Deus, e te gloriarás nas suas misericórdias. 28Quão grande é a misericórdia do Senhor, e a sua piedade para com todos os que a êle se convertem! 29Porque nos homens não se pode achar tudo, visto que os filhos dos homens não são imortais, e que êles põem a sua complacência na vaidade da malícia. 30Que coisa há mais luminosa do que o sol? e contudo êle padecerá seus delíquios. Ou que coisa pior do que tudo quanto excogitou a carne e o sangue? e ainda assim esta malignidade será punida. 31O mesmo sol contempla o poder da elevação do Céu: Mas os homens todos não são mais do que terra e cinza.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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