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Eclesiástico 18

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Aquêle que vive eternamente, criou tôdas as coisas juntas. Só o Senhor será reconhecido justo, e êle é o rei invencível que subsiste para sempre. 2Quem é capaz de contar miudamente as suas obras? 3Porquanto quem investigará as suas maravilhas? 4E quem declarará o poder da sua grandeza? ou quem empreenderá explicar a sua misericórdia? 5Não há que diminuir, nem que acrescentar, nem é possível alcançar as maravilhas de Deus. 6Quando o homem tiver acabado, então começará êle: E depois de se ter aplicado por muito tempo, o que daí lhe ficará, será um profundo espanto. 7Que é o homem, e para que presta êle? E que bem, ou que mal pode êle fazer? 8O número dos dias do homem: quando muito são cem anos: Êstes são reputados como uma gôta de água do mar: E assim como é um grão de areia, do mesmo modo são poucos os anos no dia da eternidade. 9Por isso é que o Senhor se mostra paciente com êles, e derrama sôbre êles a sua misericórdia. 10Êle viu a presunção do seu coração que é má, e conheceu a ruína dêles que é perversa. 11Por isso é que sôbre êles derramou as fontes da sua propiciação, e lhes mostrou o caminho da equidade. 12A misericórdia do homem tem por objeto o seu próximo: Mas a misericórdia de Deus estende-se a tôda a carne. 13Êle como cheio que é de comiseração, ensina, e castiga os homens como um pastor faz ao seu rebanho. 14Êle se compadece daquele que recebe a doutrina da sua misericórdia, e do que se dá pressa a se submeter aos seus mandamentos. 15Filho, no bem que fazes a outrem não dês motivo de queixa, e em tôda a tua dádiva não ocasiones tristeza com palavra má. 16Porventura o orvalho não refrigerarã o ardor da calma? Assim também vale mais a palavra doce do que a dádiva. 17Acaso não vês que a palavra se remonta sôbre' um bom dom? Mas uma e outra coisa anda com o homem justificado. 18O insensato improperará acremente, e o dom do indisciplinado faz mirrar os olhos. 19Trabalha por adquirir para ti a justiça antes que Julgues, e aprende antes que fales. 20Antes da enfermidade aplica a medicina, e pergunta-te a ti mesmo antes do juízo, e diante de Deus acharás propiciação. 21Humilha-te antes de caíres na doença, e mostra o teu bom modo de proceder no tempo da enfermidade. 22Nenhuma coisa te embarace orar sempre, e não te envergonhes de te justificar até à morte: Porque a recompensa de Deus dura para sempre. 23Prepara a tua alma antes da oração: E não sejas como um homem que tenta a Deus. 24Lembra-te da ira no dia da consumação, e do tempo da recompensa quando Deus voltar o rosto. 25Lembra-te da pobreza no tempo da abundância, e das necessidades da pobreza no dia das riquezas. 26Da manhã até à tarde se mudará' o tempo, e tudo isto se faz num momento aos olhos de Deus. 27O homem sábio andará com temor em tudo, e nos dias dos delitos se guardará da preguiça. 28Todo o homem astuto conhece a sabedoria, e dará louvor ao que a acha. 29Os homens sisudos nas palavras também obrarão efetivamente com sabedoria: E entenderão a verdade e a justiça, e derramarão como chuva provérbios e sentenças. 30Não te deixes ir atrás das tuas concupiscências, e aparta-te da tua própria vontade. 31Se tu condescenderes com a tua alma no que ela deseja, ela te fará ser o gosto dos teus inimigos. 32Não te comprazas de ir às assembléias de grande tumulto, nem ainda às pequenas: Porque ali são fre-arentes os pecados que se cometem. 33Não te reduzas a pobreza, pedindo' dinheiros a juro para contribuíres como os outros para banquetes, quando tu não tens nada na bôlsa: Porque assim tirarás com inveja a ti mesmo o meio de viver.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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