Eclesiástico 19
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O operário dado ao vinho não enriquecerá: E aquêle que despreza as coisas pequenas, pouco a pouco cairá. 2O vinho e as mulheres fazem apostatar os mesmos sábios, e precipitarão em opróbrio os homens sisudos: 3E aquêle que se mistura com as mulheres mal procedidas, será malvado: Chegará a ser o pasto da podridão e dos bichos, e ficará sendo proposto por um grande escarmento, e será tirada do número a sua alma. 4Aquêle que crê de leve, é leviano de coração, e ficará menoscabado: E o que peca contra a sua alma, não será tido em conta. 5Aquele que folga com a iniquidade, será vituperado: E ao que aborrece a correção, se abreviará a vida: E o que aborrece a loquacidade extingue a malícia. 6Aquêle que peca contra a sua alma, arrepender-se-á de o ter feito: E aquêle que põe a sua alegria na malícia, será desonrado. 7Não repitas palavra má e ofensiva, e não perderás nada. 8Os teus pensamentos não os digas nem ao amigo nem ao inimigo: E se tens algum delito, não lho descubras: 9Porque te ouvirá, e se guardará de ti, e mostrando na aparência que desculpa o teu pecado, te aborrecerá, e com esta disposição de ânimo estará sempre a teu lado. 10Ouviste alguma palavra contra o teu próximo? Morra dentro de ti, ficando seguro de que ela te não fará arrebentar. 11O insensato está como com dores de parto para lançar de si a palavra que ouviu, à semelhança da mulher que geme quando se vê próxima a dar à luz um menino. 12Como seta cravada no músculo carnoso, assim é a palavra no coração do insensato. 13Repreende ao teu amigo, para que não suceda que êle não tenha ainda entendido o que se diz dêle, e te diga: Eu não fiz tal: Ou se o fêz, para que o não torne a fazer. 14Repreende ao teu próximo, porque talvez que êle o não tenha dito: E se o disse para que o não torne a dizer: 15Repreende ao teu amigo: Porque muitas vêzes se diz o que não é assim. 16E. não creias tudo o que se diz: Homem há que peca pela língua, mas que não peca de coração. 17Pois quem há que não tenha pecado com a sua língua? Repreende ao próximo antes que o ameaces. 18E dá lugar ao temor do Altíssimo: Porque tôda a sabedoria consiste no temor de Deus, e nela se ensina a temer a Deus, e em tôda a sabedoria se acha a disposição da lei. 19E a sabedoria não é doutrina de maldade: E não é pensamento de pecadores a prudência. 20Há uma malícia, e é ela em si mesma execração: E é insipiente o que está falto de sabedoria. 21Um homem, que tem pouca sabedoria, e que é falto de senso, mas que tem o temor de Deus, vale mais do que o que tem um grande senso, mas que quebra a lei do Altíssimo. 22Há uma sagacidade que não erra o golpe, mas ela é injusta. 23E tal há que fala francamente, e não diz senão a verdade. Tal há que se humilha maliciosamente, e o seu interior está cheio de dolo:. 24E tal há que se submete excessivamente com uma profunda humilhação: E há quem abaixa o seu rosto, e finge que não vê o que é segrêdo: 25E no caso que pela debilidade das fôrças se ache impedido para pecar, se achar ocasião de fazer mal, fá-lo-á. 26Pela vista 'se conhece uma pessoa, e pelo ar do rosto se discerne o homem sensato. 27O vestido do corpo e o riso dos dentes, e o andar do homem, dão a conhecer qual êle é. 28Há uma falsa repreensão que nasce da ira dum homem insolente: E há um juízo, que se prova não ser justo: E há quem se cala, e êste é prudente.