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Eclesiástico 25

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1De três coisas se dá por bem pago o meu espírito, as quais têm a aprovação diante de Deus, e dos homens. 2A concórdia dos irmãos, e o amor dos próximos, e o marido e a mulher que se dão entre si. 3Três sortes há de pessoas que a minha alma aborrece, e cuja vida me é incomportável: 4Um pobre soberbo: Um rico mentiroso: Um velho fátuo e insensato. 5Como acharás tu na tua velhice, que o não ajuntaste na tua mocidade?. 6Quão belo é às cãs o juízo, e aos anciãos o ter conhecimento do conselho! 7Quão bem parece a sabedoria nos velhos, e a inteligência, e o conselho nas pessoas de alta jerarquia! 8A experiência consumada é a coroa dos velhos, e o temor de Deus é a sua glória. 9Nove coisas tive por grandes que o coração humano está bem longe de suspeitar de serem tais e quanto à décima esforçarei a minha língua para a dizer aos homens. 10Um homem, que acha a sua alegria em seus filhos, o que vive e chega a ver a ruína de seus inimigos. 11Ditoso aquêle que habita com uma mulher de bom senso, e que não caiu pela sua língua, e que não serviu a pessoas, indignas dêle. 12Ditoso o que acha um amigo verdadeiro, e o que fala da justiça a um ouvido que lhe dá atenção. 13Que grande é aquêle que acha a sabedoria, e a ciência! Porém com tudo isso não tem vantagem sôbre aquêle que teme ao Senhor. 14O temor de Deus se elevou sôbre tudo: 15Bem-aventurado o homem, a quem foi conferido o dom de ter o temor de Deus: Com quem se comparará aquêle que o possui? 16O temor de Deus é o princípio do seu amor: Mas inseparâvelmente se lhe deve ajuntar um princípio de fé. 17A tristeza do coração é uma praga universal: E a maldade da mulher é uma consumada malícia. 18E sofrerá qualquer tôda a chaga, porém não a chaga do coração: 19E tôda a malícia, porém não a malícia da mulher. 20E tôda a calamidade, porém não a calamidade dos que nos têm ódio: 21E tôda a vingança, porém não a vingança que vem dos inimigos. 22Não há cabeça pior do que a cabeça da cobra: 23E não há ira sôbre a ira da mulher. Será melhor expediente viver com um leão e com um dragão, do que habitar com uma mulher má. 24A malignidade da mulher a faz de todo mudar de rosto: E a reveste dum ar ferozmente sombrio como um urso: E a mostra tal como um cilício. No meio de seus: vizinhos, 25gemeu o seu marido, e ouvindo suspirou um pouco. 26Tôda a malícia é leve em comparação da malícia da mulher: Sôbre ela caia a sorte dos pecadores. 27Assim como é para os pés dum velho a subida por areia, do mesmo modo é para o homem quieto a mulher desbocada. 28Não olhes para a formosura da mulher, e não desejes uma mulher pela sua formosura. 29A ira da mulher, e a sua audácia, e a confusão que a segue é grande. 30Se a mulher tem o primeiro lugar no mando, ela se levanta contra seu marido. 31A mulher má é o abatimento do coração, e a tristeza do rosto, e a chaga do interior. 32Mulher que não faz ditoso a seu marido, é o enfraquecimento das suas mãos, e a debilitação dos seus joelhos. 33Da mulher nasceu o princípio do pecado, e por ela é que todos morremos. 34Não dês saída à tua água, nem por uma impercep-tível abertura: Nem à mulher má liberdade de sair a público. 35Se não andar sempre debaixo da tua mão, ela te cobrirá de confusão à vista de teus inimigos. 36Separa-te dela quanto ao corpo, a fim de que não abuse sempre de ti.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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