Eclesiástico 26
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Bem-aventurado o homem que tem uma virtuosa mulher Porque dobrado será o número dos seus anos. 2A mulher forte é a alegria de seu marido, e ela lhe fará encher em paz a carreira dos anos da sua vida. 3A mulher virtuosa é uma sorte excelente, ela, como em prêmio dos que temem a Deus, será dada ao homem pelas suas boas obras: 4E estará satisfeito o coração dum e de outro, seja rico ou pobre; o seu rosto ver-se-á alegre em todo.o tempo. 5De três coisas se receou o meu coração, e com a quarta esmoreceu o meu semblante: 6Da delação duma cidade: E do levantamento dum povo mancomunado: 7Da calúnia mentirosa, coisas tôdas mais incom-portáveis do que a morte: 8Mas a mulher ciosa é a dor, e o triste. pranto do coração. 9Na mulher ciosa se acha o flagelo da língua, o qual a todos se comunica. 10Assim como é o jugo dos bois, que está largo, assim também é a mulher má: O que a toma, é como quem toma um escorpião. 11A mulher dada ao vinho é uma grande irrita-ção: E a sua ignomínia, e infâmia não será oculta. 12A prostituição da mulher reconhecer-se-á na altiveza dos olhos, e nas suas pálpebras. 13Dobra a tua vigilância a respeito da filha, que não tem recolhimento: Para que não abuse de si, achada que seja a ocasião. 14Vigia sôbre todo o desavergonhamento dos seus olhos, e não estranhes se ela te desprezar. 15Ela bem como o viandante sequioso abrirá a bôca para se saciar na fonte, e beberá de tôda a água que tiver à mão, e sôbre tôda a estaca se assentará, e a tôda a seta abrirá a aljava até mais não poder. 16A graça duma mulher cuidadosa deleitará a seu marido, e lhe infundirá vigor até aos ossos. 17A boa criação dela é um dom de Deus. 18Sendo uma mulher sensata e amiga do silêncio, não admite comutação a sua alma instruída. 19A mulher santa, e cheia de pudor, é uma graça sôbre outra graça. 20Pois todo o preço é nada em comparação duma alma continente. 21Tal qual é o sol para o mundo quando nasce nas alturas de Deus, assim é a gentileza duma mulher boa para ornamento da sua casa. 22Também a graciosidade do rosto numa idade madura é como um resplandecente lume sôbre o candeeiro santo. 23Do mesmo modo os pés que se firmam sôbre as plantas da mulher constante são como umas colunas de ouro sôbre bases de prata. 24Os mandamentos de Deus são no coração da mulher santa, como uns fundamentos eternos sôbre a pedra sólida. 25Com duas coisas se entristeceu o meu coração, e pela terceira veio a atear-se em mim a ira: 26Um homem de guerra que perece à míngua: E um homem sábio que é desprezado: 27E aquêle passa da justiça ao pecado, a êste último tem Deus reservado para os fios da espada. 28Duas sortes de coisas me pareceram difíceis, e perigosas: Dificultosamente se despe da negligência o que negocia: E o estalajadeiro não se isentará dos pecados de seus lábios.