Eclesiástico 27
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Por causa da pobreza muitos delinguiram: E aquêle que procura enriquecer-se, aparta a sua mira. 2Bem como se finca um pau no meio da juntura de duas pedras, assim também entre a venda e a compra mediará o pecado com uma união mui estreita. 3O delito será esmigalhado com o delinquente. 4Se te não mantiveres firmemente no temor do Senhor, depressa a tua casa será arruinada. 5Bem como na sacudidura do crivo ficará o pó, assim a perplexidade do homem se acha no seu pensamento. 6O forno prova os vasos do oleiro, e aos homens justos a tentativa da tribulação. 7Bem como o cuidado que se tem da árvore se dá a conhecer pelo seu fruto, assim descobre ao homem a palavra nascida do modo de pensar do seu coração. 8Não louves ao homem antes clêle falar: Porque esta é a prova dos homens. 9Se seguires a justiça, apanhá-Ia-ás: E dela te re-vestirás como duma vestidura talar de honra, e com ela habitarás, e ela te protegerá para sempre, e no dia do reconhecimento acharás firmeza. 10As aves chegam-se para os seus semelhantes: E a verdade tornará para aquêles que prezam o trato dela. 11O leão está sempre à espreita da preia: Assim os pecados aos que obram iniqüidades. 12O homem santo permanece na sabedoria como o sol: O insensato porém muda-se como a lua. 13No meio dos insensatos guarda a palavra para seu tempo: Mas acha-te de continuo entre os que pensam. 14A conversação dos pecadores se faz odiosa, e o seu riso é sôbre as delícias do pecado. 15A língua que muito jura fará arripiar os cabelos da cabeça: E a sua irreverência fará tapar os ouvidos. 16Na bulha dos soberbos há efusão de sangue: E é coisa pesada ouvir as suas maldições. 17Aquêle que descobre os segredos do amigo, perde o crédito, e não achará amigo à sua satisfação. 18Ama a teu próximo, e une-te a êle com lealdade. 19Mas se descobrires os seus segredos, não vás após dêle. 20Porque assim como se porta o homem que arruí-na ao seu amigo, assim também o que destrói a amizade do seu próximo. 21E assim como aquêle, que deixa ir da sua mão o pássaro, assim tu abandonaste ao teu próximo, e não o conciliarás mais: 22Não o sigas, porque já está muito distante: Fugiu pois do laço como uma cabra montesa: Porquanto ficou ferida a sua alma: 23Não poderás atar-lhe já daí por diante a ferida. E da má palavra há reconciliação: 24Mas o revelar os segredos do amigo, é desesperação duma alma infeliz. 25O que acena com o ôlho forja maus desígnios, e ninguém o lançará de si: 26À vista de teus olhos adoçará a sua bôca, e fará admirações sôbre os teus discursos: Ultimamente porém mudará de linguagem, e nas tuas palavras porá tropêço. 27Muitas coisas aborreço, mas nenhuma igualei na aversão a êste tal, e o Senhor o aborrecerá também. 28Quando qualquer lança uma pedra ao alto, ela cairá sôbre a sua cabeça: E a ferida à traição abrirá as feridas do traidor. 29E o que abre a cova, cairá nela: E o que põe uma pedra no caminho para tropêço do próximo, tropeçará nela: E o que arma um laço a outrem, nêle perecerá. 30O conselho malvadíssimo recairá sôbre o mesmo que o forja, e não reconhecerá de onde lhe vem. 31A irrisão, e o impropério é de soberbos, e a vingança lhes sairá de emboscada, como um leão. 32Aquêles que se deleitam com a queda dos justos perecerão no laço, e a dor os consumirá antes que morram. 33A ira e o furor são duas coisas execráveis, e o homem pecador as terá em si mesmo.