Eclesiástico 30
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Aquêle que ama a seu filho, castiga-o com fre-quência, para que êle se alegre com isso nos últimos tempos da sua vida, e não vá mendigar às portas dos outros. 2Aquêle que ensina a seu filho, nêle será kmvado, e nêle mesmo se gloriará no meio dos seus domésticos. 3Aquêle que ensina a seu filho, excita à emulação a seu inimigo, e entre os seus amigos sc gloriará nêle. 4Morreu o pai dêle, e foi como se não morrera: Porque deixou depois de si um seu semelhante. 5Em sua vida o viu, e nêle se alegrou: Em sua morte não se entristeceu, nem se envergonhou diante dos seus inimigos. 6Porque deixou um defensor da sua casa contra os inimigos dela, e quem fôsse agradecido aos amigos. 7Pelas almas dos filhos atará as suas feridas, e sôbre tôda a voz se turbarão as suas entranhas. 8Um cavalo indômito faz-se intratável, e um filho deixado à sua vontade sairá precipitado. 9Anima a teu filho, e te fará andar assustado: Brin-ca tu com êle, e êle te entristecerá. 10Não te ponhas a rir com êle, para que lhe não sintas as dores, e não te desbotem no fim os dentes. 11Não lhe dês largas na sua mocidade, e não desprezes as suas intenções. 12Encurva-lhe a cerviz na mocidade, e zurze-lhe as suas ilhargas enquanto é menino, para que não suceda talvez endurecer-se e não te obedeça, e venha a ser pelo tempo adiante a dor da tua alma. 13Ensina a teu filho, e trabalha pelo formar, para que não tropeces na sua afronta. 14Um pobre são, e alentado de fôrças, vale mais do que um rico fraco, e atormentado de doenças. 15A saúde da alma em santidade de justiça é melhor do que todo o ouro e prata: E o corpo robusto vale mais do que imensos bens. 16Não há riquezas maiores do que as da saúde do corpo: Nem contentamento que seja igual à alegria do coração. 17Melhor é a morte do que a vida amargurada: E o descanso eterno do que um achaque perseverante. 18Os bens escondidos na bôca cerrada são como as cobertas de um banquete postas em tôrno de um sepulcro. 19De que servirá ao ídolo a oblação? Pois que êle nem a comerá, nem lhe tomará o cheiro: 20Assim acontece ao que é perseguido pelo Senhor, levando o pago da sua iniqüidade: 21Vendo com seus olhos, e gemendo como um eunuco que abraça a donzela e suspira. 22Não dês tristeza à tua alma, e não te aflijas a ti mesmo no teu conselho. 23O júbilo do coração êsse é a vida do homem, e um tesouro inexaurivel de santidade: E o regozijo do homem é a longura da sua vida. 24Tem piedade com a tua alma fazendo-te agradável a Deus, e contém-te: Reúne o teu coração na santidade do mesmo Deus, e afugenta para longe de ti a tristeza. 25Porque a tristeza tem morto a muitos, e não há-utilidade nela. 26A inveja e a ira abreviam os dias, e o cuidado fará chegar a velhice antes do tempo. 27Um coração desassombrado, e bom, está em banquetes: Porque as suas iguarias se lhe preparam com diligência.