Eclesiástico 31
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1A vigília que se tem para ajuntar bens definhará as carnes e a aplicação a isto tirará o sono. 2O pensamento inquieto sôbre o que há de suceder traz alienado o sentido, e a enfermidade grave faz a alma sóbria. 3Trabalhou o rico por ajuntar fazenda, e no descanso do próprio tráfego será cheio dos seus bens. 4Trabalhou o pobre defraudando-se do sustento, e no fim acha-se necessitado. 5Aquêle que ama o ouro, não será justificado: E aquélc que vai no alcance da corrupção, será cheio dela. 6Muitos deram quedas por causa do ouro, e na vista refulgente dêste consistiu a perdição daqueles. 7Lenho de tropêço é o ouro dos que lhe fazem sacrifícios: Ai daqueles que vão após dêle, e todo o imprudente perecerá por êle. 8Bem-aventurado o rico, que foi achado sem mancha e que se não deixou ir após o ouro, nem esperou no dinheiro, nem nos tesouros. 9Quem é êste, e nós o louvaremos? Porque fêz coisas maravilhosas em sua vida. 10Ao que foi provado no ouro, e se achou ser perfeito, isto lhe servirá de glória eterna: O que pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu: O que pôde fazer mal e não o fêz: 11Por isso os seus bens foram assegurados no Senhor, e tôda a igreja dos Santos celebrará as suas esmolas. 12Sentaste-te a uma grande mesa? Não sejas o primeiro que sôbre ela abras a tua garganta. 13Não digas assim: Muitas são as iguarias que há sôbre ela: 14Lembra-te que é má coisa um ôlho maligno: 15Que coisa há entre as criaturas pior do que o ôlho? Por isso êle banhará de lágrimas todo o seu rosto: Quando olhar, 16não sejas o primeiro que estendas a tua mão, e notado pela inveja te venhas a cobrir de rubor. 17Não te portes com desatenta sofreguidão no banquete. 18Por ti mesmo entende o que convém a teu próximo: 19Usa como um homem temperado, do que se te puser diante: Não suceda que por comeres muito te faças odioso. 20Cessa de comer primeiro que todos em sinal da tua boa criação: E não te desmandes, para que não suceda vires a cair em falta. 21E se te assentaste entre muitas pessoas não estendas a tua mão antes delas, nem sejas o primeiro que peças de beber. 22Assaz bastante é para qualquer homem regrado uma pequena porção de vinho, e quando dormires não terás o sono inquieto, por seu respeito, nem sentirás dor. 23Vigília, cólera, e ânsias terá o homem intempe-rante: 24No homem parco se achará um sono de saúde, dormirá até pela manhã e a sua alma se deleitará com êle. 25E se fôres obrigado a comer muito levanta-te do meio, vai despejar o teu estômago: E esta descarga te aliviará, e não meterás no teu corpo uma doença. 26Ouve-me, filho, e não me desprezes: E no fim reconhecerás a verdade das minhas palavras. 27Se pronto em tôdas as tuas ações e não te virá nenhuma enfermidade. 28Os lábios de muitos bendirão àquele que dá de comer liberalmente, e o testemtmho da sua verdade é fiel. 29Contra o malvadissimo em dar pão murmurará à cidade, e o testemunho ela sua malignidade é verdadeiro. 30Não provoques a beber aqueles que são amigos do vinho: Porque o vinho perdeu a muitos. 31O fogo prova o duro ferro: Assim o vinho bebido até embriagar dará a conhecer os corações dos soberbos. 32O vinho bebido com sobriedade é uma segunda vida para os homens: Se tu o beberes moderadamente, serás sóbrio. 33Que vida é a daquele que se deixa vencer do vinho? 34Que coisa é a que nos priva da vida? A morte. 35O vinho desde o princípio foi criado para regozijo, e não para embriaguez. 36O vinho bebido moderadamente é o júbilo da alma. e do coração. 37A bebida sóbria é a saúde da alma e do corpo. 38O vinho bebido com excesso traz consigo irrita-ção e ira, e muitas ruínas. 39O vinho bebido em demasia é a amargura da alma. 40A animosidade da embriaguez é o tropeço do imprudente, diminui a fôrça, e ocasiona feridas. 41Em um convite de vinho não argúas ao próximo: E não o desprezes na fôrça da sua alegria: 42Não lhe digas palavras de impropério: E não o apertes desafiando-o com os teus brindes.