Eclesiástico 34
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O homem insensato sustenta-se de vãs esperanças e da mentira: E os imprudentes edificam sôbre sonhos. 2Bem como faz o que se abraça com a sombra, e vai atrás do vento: Assim também se porta o que atende a enganosas visões. 3Uma coisa parecida a outra é a visão dos sonhos: Como também a imagem de um homem diante do homem. 4Que coisa será limpada por um imundo? E pelo mentiroso que verdade será dita? 5A adivinhação do êrro, e os agouros mentirosos, e os sonhos dos malfeitores, tudo é vaidade. 6E o teu coração, como o da mulher que está de parto, padece imaginações: Se pelo Altíssimo te não fôr enviada alguma destas visitas, não ponhas nelas o teu coração: 7Porque os sonhos têm feito extraviar a muitos, que caíram, por terem pôsto nêles a sua confiança. 8A palavra da lei será cumprida sem mentira, e a sabedoria será clara na bôca do fiel. 9Que sabe aquêle que não foi tentado? O homem experimentado em muitas coisas, outras muitas revol-verá em seu pensamento: E o que muito aprendeu, saberá dar às coisas uma verdadeira inteligência. 10Aquêle que não tem experiência, pouco sabe: Mas o que se fêz em muitas coisas versado, adquire multiplicada sagacidade. 11Que ciência é a daquele que não foi tentado? O que foi seduzido, far-se-á mui precatado. 12Muitas coisas tenho visto peregrinando, e muitos usos de palavras. 13Algumas vêzes tenho chegado a perigo de morrer por causa destas coisas, mas delas fui livre pela graça de Deus. 14O espirito dos que temem a Deus é buscado por êle, e com um seu olhar será abençoado. 15Porque a sua esperança está posta naquele que os salva, e os olhos de Deus estão sôbre os que o amam. 16Aquele que teme ao Senhor de nada tremerá, e não terá pavor algum: Porque êle mesmo é a sua esperança. 17Bem-aventurada é a alma daquele que teme ao Senhor. 18Para quem olha êle, e quem é a sua fortaleza? 19Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e êle é o seu protetor poderoso, o seu esteio forte, a sua coberta contra o ardor, e o seu abrigo de sombra no meio-dia, 20êle é defensa contra o tropeço, e socorro contra a queda, êle o que levanta a alma, e alumia os olhos, o que dá saúde, e vida, e bênção. 21A oblação daquele que sacrifica dos bens havidos com injustiça é imunda, e não são agradáveis os escárnios dos injustos. 22O Senhor é só para aquêles que o esperam com firmeza no caminho da verdade e da justiça. 23O Altíssimo não aprova os dons dos iníquos, nem olha para as oblações dos maus: Nem pela multidão dos seus sacrifícios lhes 'perdoará os seus pecados. 24Aquêle que oferece sacrifício da substância dos pobres, «é como o que degola a um filho na presença de seu pai. 25A vida dos pobres é o pão de que necessitam: Aquêle que lho defrauda, é um homem de sangue. 26Quem tira a um homem o pão que êle ganhou com o seu suor, é como o que mata a seu próximo. 27Aquêle que derrama sangue, e o que defrauda o jornaleiro, são irmãos. 28Se um edifica, e outro destrói: Que proveito lhes resulta daqui senão trabalho? 29Se um ora, e outro amaldiçoa, de qual ouvirá Deus a voz? 30Se alguém se lava depois de ter tocado um morto, e o toca outra vez, de que lhe serve o ter-se lavado? 31Assim se porta o homem que jejua pelos seus pecados: O qual se ainda de novo torna a cometer os mesmos, que ganha êle htmilhando-se? Quem atenderá à sua oração?