Eclesiástico 33
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Aquele que teme ao Senhor não sobrevirão males, porém Deus o guardará na tentação, e o livrará dos males. 2O sábio não aborrece os mandamentos, nem as leis, e não se fará em pedaços como o navio na tempestade. 3O homem sensato crê na lei de Deus, e a lei lhe será fiel. 4Aquêle que tem de satisfazer com clareza a uma, pergunta, premeditará a sua resposta, e assim depois de ter orado, será atendido, e conservará a disciplina, e então responderá. 5As entranhas do insensato são como as rodas, de um carro: E o?eu pensamento é como um eixo que anda à roda. 6O amigo zombador é como um cavalo de lançamento, que rincha debaixo de todo aquêle que o monta. 7De onde vem que um dia se prefere a outro dia, e também um tempo a outro tempo, e um ano a outro ano, quando o sol que os forma sempre é o mesmo? 8Pela ciência do Senhor foram: distinguidos, depois que o sol foi criado, e desde que guarda o seu preceito. 9E variou as estações, e os dias de festa das mesmas e nelas se celebraram as solenidades à hora deter-minada. 10Dos mesmos dias fêz Deus a uns grandes e sagrados, e a outros pôs no número de dias comuns. E assim é que também todos os homens são feitos do pó e da terra, de que Adão foi formado. 11O Senhor pela grande compreensão da sua sabedoria os distinguiu, e diversificou os seus caminhos. 12A muitos dêles abençoou e exaltou: E a uns dentre os mesmos santificou, e tomou para si: E a outros amaldiçoou, e abateu, e os transtornou depois da sua separação. 13Bem como o barro que toma o oleiro, está na mão do mesmo oficial para lhe dar a forma e disposição que intenta, 14saindo todos os lavores da obra segundo o arbi-trio dêle: Assim o homem se acha na mão daquele que o fêz, e lhe dará a retribuição segundo o seu juízo. 15Contra o mal está o bem, e contra a morte a vida: Assim também contra o homem justo o pecador. E desta maneira medita em tôdas as obras do Altíssimo. Achá-las-ás a duas e duas, e uma oposta à outra. 16E eu fui o último que despertei, como o que ajunta os bagos da uva depois dos vindimadores. 17Eu também esperei na bênção de Deus: E enchi o.lagar, como ci que vindima. 18Olhai que eu não trabalhei só para mim, mas. para todos os que buscam a disciplina. 19Ouvi-me, ó magnates, e todos os povos, e vós, regentes da Igreja, aplicai os ouvidos. 20Não dês em tua vida poder sôbre ti, nem a teu filho, nem a tua mulher, nem a teu irmão, nem a teu amigo: E não dês a outro os bens que possuis: Para que não suceda arrependeres-te disso, e ficares reduzido a pedir-lhos com deprecações. 21Enquanto viveres e respirares, nenhuma pessoa te faça mudar sobre êste ponto. 22Porque melhor é que teus filhos te roguem, do que estares tu olhando para as mãos de teus filhos. 23Em tôdas as tuas obras conserva a tua preemi-nência. 24Não ponhas mácula na tua glória. No dia da consumação do prazo da tua vida, e no tempo do teu trânsito reparte a tua herança. 25Ao asno penso, e vara, e carga: Ào escravo pão, e ensino, e trabalho. 26Êle trabalha quando o castigam, de outra sorte não cuida senão em descansar: Afrouxa-lhe tu as mãos, e verás como êle busca a liberdade: 27O jugo e as correias fazem curvar o pescoço duro, e ao escravo dobram as tarefas contínuas. 28Ao escravo malévolo tortura e ferros, manda-o à tarefa, para que não esteja ocioso: 29Porque a ociosidade tem ensinado muita malícia. 30Põe-no aos trabalhos: Porque assim lhe convém. Mas se êle te não obedecer, aperreia-o com grilhões, porém não excedas nisto, seja a respeito de quem fôr: Em conformidade do que não faças coisa alguma grave sem juízo. 31Se tens um escravo que te é fiel, estima-o como a tua alma: Trata-o como a teu irmão: Porque o adquiriste com o sangue da tua alma. 32Se o tratares mal sem razão, fugir-te-á: 33E se êle tomando o fatinho se retirar: Não sabes a quem te chegues a perguntar, nem por que caminho o hás de buscar.