Eclesiástico 42
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Não repitas a conversação que ouvires para descobrir palavras de segrêdo, e serás verdadeiramente isento de confusão, e acharás graça diante de todos os homens: Não te envergonhes de coisa alguma das que eu te vou a dizer, e não tenhas de tal sorte respeito à qualidade das pessoas, que venhas por isso a delinguir. 2Da lei do Altíssimo, e do seu testamento nem de combater em juízo os votos declarados para justificar um ímpio, 3do negócio de companheiros e peregrinos, nem da partilha da herança dos amigos, 4da igualdade da balança e dos pesos. nem da aquisição do muito e do pouco, 5de impedir a fraude da compra e dos negociantes, nem da severa criação dos filhos nem de fazer correr ao escravo péssimo o sangue pelas costas abaixo. 6Sôbre a mulher má, bom é estar pôsto o selo. 7Onde há muitas mãos, guarda tudo fechado, e tudo quanto entregares, dá-o por conta, e por pêso: E escreve tudo o que deres, e receberes. 8Não te envergonhes de corrigir o insensato e. o fátuo, nem de defender os velhos, que são julgados pelos mancebos: e serás então instruído em tôdas as coisas, e merecedor de aprovação diante de todos os vivos. 9A filha é um interior desvêlo de seu pai, e o cuidado dela lhe tira o sono, receando não suceda talvez que do próprio verdor da adolescência passe depois a ser já adulta, e. que tendo enfim coabitado com seu marido, se faça aborrecível: 10Não aconteça que na sua virgindade seja alguma vez corrompida, e sc ache pejada na casa de seu pai: Não resulte acaso que depois de coabitar com seu marido falte à fé conjugal, ou pelo menos saia estéril. 11Sôbre a filha desenvolta vigia com dobrado resguardo: para que te não faça vir a ficar em alguma ocasião exposto ao opróbrio de teus inimigos, e a ser o objeto de detração numa cidade, e da exprobração da plebe, e te faça envergonhar diante da multidão do povo. 12Não ponhas os olhos fitos em pessoa alguma enlevado na sua formosura: E não queiras fazer assento no meio de mulheres: 13Porque dos vestidos sai a polilha, e da mulher a maldade do homem. 14De sorte que um homem que te faz mal é melhor do que uma mulher que te faz bem, e mulher que te deixa envergonhado para teu opróbrio. 15Lembrar-me-ei pois das obras do Senhor, e anunciarei. o que tenho visto. Pelas palavras do Senhor existem as suas obras. 16O sol alumiando tem lançado a vista por tudo, e da glória do Senhor estão cheias as suas obras. 17Porventura não fêz o Senhor que os santos pu-blicassem tôdas as suas maravilhas, as quais o mesmo Senhor Onipotente confirmou para que fôssem perpetua-das na sua glória? 18Êle tem penetrado o abismo e o coração dos homens: E discernido por entre a astúcia dêles. 19Porque o Senhor conheceu sempre tôda a ciência e viu perfeitamente o sinal dos tempos, anunciando as coisas que passaram, as que estão para vir, descobrindo os rastos das ocultas. 20Não lhe passa por alto nenhum pensamento, e não se esconde dele palavra alguma. 21Formosas traçou as grandezas da sua sabedoria: O que é antes do século, e até o século, nem se lhe tem acrescentado, 22nem diminuído, nem necessita do conselho de ninguém. 23Quão desejáveis são tôdas as suas obras, e o que delas se pode considerar, é como uma faisca!. 24Tôdas estas coisas vivem, e permanecem para sempre, e em tôda a necessidade todos lhe obedecem a êle. 25Tôdas as coisas se acham a duas e duas, e uma oposta à outra, e nada fêz a que faltasse coisa alguma. 26De cada uma confirmou os bens. E quem se fartará vendo a sua glória?