Eclesiástico 43
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O alto firmamento é a formosura dele, a beleza do Céu descobre-se na visão da glória. 2O sol ao sair anuncia com o seu aspecto, que é um vaso admirável, uma obra do excelso. 3Ao meio-dia queima a terra, à vista do seu ardor quem poderá suportá-lo? Como se porta o que conserva o calor da fornalha para as obras que requerem um fogo intenso: 4Do mesmo modo faz o seu efeito o sol abrasando com tresdobrada atividade os montes, despedindo raios de fogo, e resplandecendo com os seus mesmos raios cega os olhos. 5Grande é o Senhor que o criou, e êle na execução dos preceitos apressou a própria carreira. 6E a lua em tôdas as suas revoluções com o seu período é a marca dos tempos e o sinal das mudanças do ano. 7A lua é a que determina os dias de festa, sendo um planêta de luz que logo começa a minguar em chegando ao mais pleno auge do seu crescimento. 8O mês vem a tomar dela o nome, a qual por um modo admirável cresce, até ficar de todo cheia. 9Uma disposição de arraiais se divisa nas alturas, a qual brilha gloriosamente no Firmamento do Céu. 10A refulgência das estrêlas é a formosura do Céu, o Senhor é quem esclarece o mundo desde as alturas. 11As palavras do santo se apresentarão a juízo, e não desfalecerão nas suas sentinelas. 12Olha para o arco, e bendize aquêle que o fêz: Mui formoso é no seu resplendor. 13Girou o Céu com o círculo da sua glória, as mãos do Excelso lhe deram tôda a sua extensão. 14Em virtude do seu império fêz acelerar a neve, e dá-se pressa em despedir os relâmpagos do seu juízo. 15Por esta causa se abriram os seus tesouros, e voaram as névoas como aves. 16Pela grandeza do seu poder condensou as nuvens, e se quebraram as pedras da saraiva. 17Só com o seu olhar se abalarão os montes, e pelo beneplácito da sua vontade assoprará o vento do meio-dia. 18O estampido do seu trovão ferirá a terra, a tempestade do norte, e o redemoinho dos ventos: 19E como a ave que desce lá do alto para pousar no chão espalha a neve, e a descida desta é como o gafanhoto que baixa sôbre a terra. 20Os olhos admirarão a beleza da sua brancura, e: -o coração espantar-se-á do seu chuveiro. 21Derramará sobre a terra como sal e geada: E quando esta se congelar, tornar-se-á como em pontas de abrolhos. 22Assoprou o vento frio do norte, e congelou a água ficando como um cristal, que repousará sôbre todo o depósito de águas, e revestir-se-á das mesmas águas como de uma couraça. 23E devorará os montes, e queimará os desertos, e secará o que houver de verdura, como se tudo abrasasse com fogo. 24O remédio de todos êstes males consiste na pressa que se dê em aparecer uma névoa: E um orvalho tempe-rando o ardente calor que vem o fará abater. 25A uma palavra sua acalmou o vento, e com o aceno da sua vontade aplacou o abismo, e nêle é que o Senhor plantou as ilhas. 26Os que navegam o mar, contém os perigos dêle: E nós escutando-os com os nossos ouvidos nos admi-raremos. 27Ali se encontram obras preclaras e maravilhosas: Vários gêneros de alimárias, e de tôda a sorte de gados, e criaturas monstruosas. 28Por êle mesmo se acha estabelecido o fim do seu caminho, e pela sua palavra tudo está pôsto na melhor ordem. 29Muitas coisas diremos nós, e ainda nos veremos alcançados em palavras, mas o resumo de tudo o que se pode dizer é que êle mesmo está em tôdas as coisas. 30Que poderemos nós dizer que exalte a sua glória? Porque o mesmo Todo-Poderoso é sôbre tôdas as suas obras. 31O Senhor é terrível, e.soberanamente grande, e maravilhoso o seu poder. 32Por mais que glorifiqueis ao Senhor quanto pu-derdes, nunca lhe dareis a competente glória, porque ainda ficará superior a tôda ela e será admirável a sua magnificência. 33Bendizendo vós ao Senhor, exaltai-o quanto podeis: Porque êle é maior que todo o louvor. 34Exaltando-o vós, revesti-vos de tôda a vossa fortaleza: Não vos metais nesse trabalho: Porque não chegareis a lograr o vosso intento. 35Quem o poderá ver, e celebrar? E quem engrandecerá assim como êle é desde o princípio? 36Muitas coisas maiores do que estas nos são escondidas: Porque das suas obras vem a ser umas poucas só as que temos visto. 37Mas o Senhor fêz tôdas as coisas e deu sabedoria aos que piamente vivem.