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Eclesiástico 44

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Louvemos aos varões gloriosos, e aos nossos pais na sua geração. 2Ações de muita glória obrou o Senhor com a magnificência do seu poder desde o princípio do mundo. 3Êles dominavam nos seus Estados, como homens grandes que eram em virtude, e adornados da sua prudência, anunciando como profetas a dignidade dos profetas, 4e governavam o povo do seu tempo, e com a virtude da prudência davam avisos mui santos aos povos. 5Com a sua habilidade acharam a arte das consonâncias da música, e expuseram os cânticos das escrituras. 6Eram homens ricos em virtude, solícitos do decôro: Pacíficos em suas casas. 7Todos êstes alcançaram glória das gerações da sua nação, e ainda hoje são louvados pelo que fizeram em sua vida. 8Os que dêles nasceram, deixaram depois da sua morte um grande nome, que renova os louvores de seus pais: 9E outros há, cuja memória já não existe: Êles pereceram, como se não tiveram sido, e nasceram, como se não tiveram nascido, e os filhos dos mesmos com eles. 10Mas aquêles são varões de misericórdia, cujas obras de piedade não faltaram: 11Com a posteridade deles permanecem os seus bens. 12Os seus netos são uma santa herança, e a sua posteridade se manteve constante nas alianças: 13E os seus filhos em consideração dêles é que permanecem para sempre: A sua prosápia e a sua glória não será abandonada. 14Os seus corpos foram sepultados em paz, e o seu nome vive na sucessão de todos os. séculos. 15Os povos publiquem a sua sabedoria, e anuncie a Igreja o seu louvor. 16Henoc agradou a Deus, e foi trasladado ao Paraíso, para exortar as nações à penitência. 17Noé foi achado perfeito, justo, e no tempo da ira veio a ser a reconciliação dos homens. 18Por isso foram deixadas umas relíquias deles sôbre a terra, quando veio o dilúvio. 19Com êle foi feito o pacto eterno, que não pudesse ser destruída por outro dilúvio tôda a carne. 20O grande Abraão foi o pai da multidão das nações e não se achou outro semelhante a êle em glória, o qual guardou a lei do Excelso, e com êle se pôs em aliança. 21Em sua carne ratificou esta aliança, e êle na tentação foi achado fiel. 22Por isso jurou o Senhor que lhe havia de dar glória em sua família, que êle cresceria como o pó da terra, 23e que exaltaria a sua descendência como as estrêlas, e que êles teriam uma herança de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra. 24E com Isaac obrou do mesmo modo por amor de Abraão seu pai. 25O Senhor lhe deu a bênção de tôdas as nações e' confirmou o testamento sôbre a cabeça de Jacó. 26Reconheceu-o em suas bênçãos, e deu-lhe a herança, e lha repartiu, dividindo-a entre as doze tribos. 27E conservou-lhe homens de misericórdia, que achassem graça diante dos olhos de tôda a carne.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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