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Ester 16

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1O grande Artaxerxes rei desde a Índia até à Etiópia aos governadores e príncipes das cento e vinte. e sete províncias que estão sujeitas ao nosso império, saúde. 2Muitos têm abusado da bondade dos príncipes e das honras, que deles têm recebido, para ensoberbecer-se: 3E não só procuram oprimir os vassalos dos reis senão que não moderando êles a autoridade que receberam, armam traições contra os mesmos que lha deram. 4E não se contentam com serem ingratos aos benefícios, e com violar em si mesmo os direitos da humanidade, senão que presumem também poder escapar do juízo de Deus que tudo vê. 5E chegam a tal grau de loucura, que aos que cumprem exatamente com os cargos que lhes têm sido confiados, e procedem em tudo de sorte que se fazem dignos do comum aplauso, intentam arruinar com máquinas de mentira, 6surpreendendo com cautelosa sagacidade os sinceros ouvidos dos príncipes, que julgam dos outros como de si mesmos. 7O que se comprova já com as histórias antigas, já também com o que acontece cada dia, de modo que as. boas inclinações dos reis se pervertem pelas más sugestões de alguns. 8De onde se deve dar providência à paz de tôdas as províncias. 9Nem entendais, que se variamos as ordens, nasce isto da ligeireza ou inconstância do nosso ânimo, senão que acomodamos os juízos à condição e necessidade dos tempos, como o pede o bem da república. 10E para que melhor entendais o que dizemos. Aman, filho de Amadati, macedônio de coração e de origem, e alheio do sangue dos persas, e que tem desacreditado a nossa piedade com a sua crueldade, sendo estrangeiro lhe demos acolhimento: 11E depois de haver experimentado para consigo tão grande humanidade, que era chamado nosso pai, e adorado de todos depois do rei: 12Êste chegou a tal extremo de arrogância, que intentou privar-nos do reino e da vida. 13Porque com inauditas e novas traças maquinou a morte a Mardoqueu, a cuja lealdade e benefício devemos a vida, e também à minha consorte no reino, Ester com tôda a sua nação. 14Tendo em vista depois de os matar, de armar ciladas à nossa soidade, e trasladar o reino dos persas para os macedônios. 15Porém nós não havemos achado a menor culpa nos judeus destinados a morrer pelo pior dos homens, antes pelo contrário seguem leis justas. 16E que são filhos do Deus Altíssimo, onipotente, e que vive para sempre por cujo benefício foi dado o reino a nossos pais, e a nós mesmos, e até ao dia de hoje nos é guardado. 17Pelo que deveis saber, que são de nenhum valor as cartas que êle expediu em nosso nome. 18Por cuja maldade o mesmo que as maquinou, e tôda a sua parentela foram postos em patíbulos às portas desta cidade, isto é, de Susa, dando-lhe Deus, e não nós outros o castigo que merecia. 19E este edito que agora enviamos se afixará em tôdas as cidades, para que seja permitido aos judeus guardar as suas leis. 20Aos quais deveis dar auxílio, para que no dia treze do mês duodécimo, que se chama Adar, possam dar morte: àqueles que estavam prevenidos para lha dar a eles: 21Pois o Deus onipotente lhes trocou em dia de alegria este, que o devia ser de tristeza e pranto. 22Pelo que vós outros contai também este dia entre os outros dias solenes, e celebrai-o com tôda a alegria, para que se saiba também para o futuro, 23como todos os que obedecem fielmente aos persas, recebem a recompensa digna pela sua fidelidade: E os que conspiram contra o seu reino, perecem pela sua culpa. 24E tôda a província ou cidade que não quiser ter parte nesta solenidade, perecerá a cutelo e a fogo, e será de tal maneira exterminada, que fique para sempre despovoada não só de homens, senão também de feras, para escarmento dos contumazes, e dos desobedientes.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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