Ester 15
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E enviou a dizer-lhe (sem duvida que foi Mardoqueu a Ester) para que entrasse à presença do rei, e lhe rogasse pelo seu povo e pela sua pátria. 2Lembra-te (lhe disse) dos teus dias humildes, e de como fôste criada pela minha mão, pôsto que Aman, que é o segundo depois do rei, tem falado contra nós para nos fazer morrer: 3Tu pois invoca ao Senhor, e fala por nós ao rei, e livra-nos da morte. t E assim mesmo também o que se segue. 4E no dia terceiro deixou ela os vestidos em que ia, e adornou-se com os da sua glória. 5E brilhando neste traje real, e invocando a Deus, que é governador e Salvador de todos, tomou duas das suas criadas, 6e se ia firmando sôbre uma, como se por delicadeza e demasiada debilidade não pudesse suster seu corpo: 7E a outra criada ia detrás de sua.senhora, levando-lhe a cauda que ia arrastando pela terra. 8E ela banhado seu rosto em uma viva cor de. rosa, e com os olhos engraçados e brilhantes, ocultava a tristeza do seu coração, penetrado de um Vivo temor. 9E tendo. passado uma por uma tôdas as portas, sé pôs defronte do rei, onde êle estava sentado sobre o sólio do seu reino, vestido de manto real, e resplandecendo com o ouro, e pedras preciosas, e o seu aspecto era terrível, 10E havendo levantado o rosto, e manifestado em seus olhos cintilantes o furor de seu peito, desmaiou a rainha, e trocando-se a sua côr em palidez, deixou cair a sua cabeça vacilante sôbre a criada. 11Mas Deus trocou em clemência o coração do rei, e apressurado e temeroso saltou do trono, e sustendo-a com seus braços, até que tornou em si, a animava com estas palavras: 12Que tens, Ester? Eu sou o teu irmão, não temas. 13Não morrerás: Porque esta lei não foi estabelecida para ti, senão para todos. 14Chega-te pois, e toca o cetro. 15E como ela não falasse, tomou a vara de ouro, e pôs-lha sôbre o seu colo, e beijou-a, e disse: Por que não me falas a mim? 16Ela lhe respondeu: Eu te vi, Senhor, como um anjo de Deus, e o meu coração se turbou com o temor da tua majestade. 17Porque tu, Senhor, és em extremo admirável, e o teu rosto está cheio de graças. 18E estando ainda falando desmaiou de novo, e ficou quase sem sentidos. 19E o rei se perturbava, e todos os seus ministros a consolavam.