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Ester 2

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Passadas assim as coisas, quando a ira do rei era já aplacada, lembrou-se êle de Vasti, e do que ela tinha feito e do que tinha padecido: 2E disseram-lhe os criados do rei, e seus ministros: Busquem-se para o rei donzelas, que sejam vir: gens e formosas, 3e enviem-se por tôdas as províncias pessoas que escolham donzelas de bom parecer e virgens: E tragam-nas à cidade de Susa, e ponham-se na casa das mulheres em poder do eunuco Egeu, que está encarregado de guardar as mulheres do rei: E aprontem-se-lhes todos os seus atavios, e o mais que houverem mister. 4E aquela que entre tôdas mais agradar aos olhos do rei, essa será rainha em lugar de Vasti. Agradou este parecer ao rei: E mandou-lhes que fizessem conforme tinham aconselhado. 5Havia na cidade de Susa um homem judeu, por nome Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da linhagem de Jemini, 6que tinha sido trasladado de Jerusalém naquele tempo, que Nabucodonosor, rei de Babilônia, tinha feito levar para esta cidade a Jeconias, rei de Judá. 7Tinha êle criado uma filha do seu irmão, chamada Edissa, e por outro nome Ester: E tinha ela perdido pai e mãe: Era em extremo formosa, e engraçada. E havendo falecido seu pai, e sua mãe, Mardoqueu a tinha adotado por filha. 8Como pois por tôda a parte se tivesse publicado o mandado do rei, e se trouxessem a Susa muitas donzelas formosíssimas, e se entregassem ao eunuco Egeu: Trouxeram-lhe também entre as outras a Ester, para ser guardada com as mulheres. 9Ela lhe agradou, e achou graça em seus olhos. E mandou a um eunuco, que se desse pressa aos enfeites, e lhe desse o que lhe pertencia, e sete donzelas das de melhor parecer da casa do rei, e que atendesse ao adorno e bom tratamento assim dela como das suas criadas. 10Ester não lhe quis dizer de que terra nem de que nação era: Porque Mardoqueu lhe tinha ordenado que guardasse nisso um grande segredo: 11Êle todos os dias passeava diante do vestíbulo da casa, onde estavam guardadas as virgens escolhidas, cuidadoso do estado em que se acharia Ester, e desejoso de saber o que lhe aconteceria. 12E quando chegou o tempo em que cada uma das donzelas, pela sua ordem, devia ser apresentada ao rei, e concluídas tôdas as coisas que correspondiam ao seu adorno, ia já correndo o mês duodécimo: Porquanto, por seis meses se ungiam com óleo de mirra, e por outros seis usavam de certos unguentos e aromas. 13E quando se haviam de apresentar ao rei lhes davam tudo quanto pediam concernente ao seu adorno, e ataviando-se a seu gosto, desde a habitação das mulheres passavam à câmara do rei. 14E a que havia entrado à noite, saía pela manhã, e dali era levada a outra segunda habitação, que estava ao cuidado do eunuco Susagazi, que tinha o governo das concubinas do rei: E não podia já voltar de novo ao rei, se o rei, o não quisesse, e por seu nome a mandasse vir. 15Passado pois um certo tempo, estava já pro-ximo o dia em que devia ser apresentada ao rei Ester, filha de Abiail, irmão de Mardoqueu, à qual este havia adotado por filha. Não pediu ela nada para se ataviar, mas o eunuco Egeu que tinha inspeção sôbre as donzelas, lhe deu o que quis para que se enfeitasse. Porque era de um ar mui formoso, e de incrível beleza, e parecia aos olhos de todos engraçada e amável. 16Foi pois levada à câmara do rei Assuero no décimo mês, chamado Tebet, no sétimo ano do seu reino. 17O rei a amou mais do que a tôdas as outras mulheres, e ela achou graça e favor diante dêle mais que todas as mulheres, e-pôs sôbre a sua cabeça a coroa real, e a fêz rainha em lugar de Vasti. 18E mandou que se preparasse um banquete mag-nificentíssimo para todos os grandes, e para os seus criados pelo casamento e vodas de Ester. E concedeu alívio a tôdas as províncias, e fêz donativos dignos da magnificência dum tão grande príncipe. 19E enquanto a segunda vez se buscavam virgens, e se ajuntavam num mesmo lugar, estêve Mardoqueu sempre assistindo à porta do rei. 20Ester conforme a sua ordem, contudo não havia ainda manifestado a sua pátria, e nação. Porque Ester cumpria pontualmente quanto êle mandava: E tudo fazia do mesmo modo que costumava fazê-lo, quando sendo menina a criava. 21Naquele tempo pois em que Mardoqueu estava à porta do rei, mostraram-se mal contentes Bagatan, e Tares, dois eunucos do rei, que eram porteiros, e cuida» vam da primeira entrada do palácio: E intentaram levantar-se contra o rei, e matá-lo. 22O que descobriu' Mardoqueu, e imediatamente deu disso parte á rainha Ester: E ela ao rei em nome de Mardoqueu, que lhe havia dado aviso. 23Fizeram-se as averiguações, e se achou ser verdade: E ambos morreram em uma fôrça. E tudo foi registrado nas histórias e pôsto nos anais na presença do rei.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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