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Ester 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Depois disto exaltou o rei Assuero a Aman, filho de Amadat, que era da linhagem de Agag: E pôs o seu assento sôbre todos os príncipes que tinha. 2E todos os servos do rei, que estavam à porta do palácio, dobravam os joelhos diante de Aman, e o adoravam: Porque assim o tinha mandado o imperador: Só Mardoqueu não dobrava os joelhos diante dêle, nem o adorava. 3E os servos do rei que presidiam às portas do palácio, lhe disseram: Porque não cumpres as ordens do rei como os outros. 4E depois de lhe dizerem isto muitas vezes, vendo que êle os não queria ouvir, disseram-no a Aman, querendo saber se êle: persistiria nesta resolução: Porque lhes tinha dito que êle era judeu. 5O que ouvido por Aman. e tendo conhecido por experiência que Mardoqueu não dobrava os joelhos diante dêle, e não o adorava, concebeu grande ira, 6mas êle reputava por nada empregar as suas mãos só em Mardoqueu: Porque tinha ouvido que era judeu de nação: E quis antes acabar com tôda a nação dos judeus, que assistiam ao reino de Assuero. 7No ano duodécimo do reino de Assuero, no primeiro mês (chamado Nisan) foi diante de Aman lan-cada na urna a sorte, que em hebreu se chamava Fur, para se saber em que dia e em que mês se devia matar tôda a nação judaica: E caiu a sorte no duodécimo mês chamado Adar. 8Então disse Aman ao rei Assuero: Há um povo disperso por todas as províncias do teu reino, e separado entre si mutuamente, que pratica novas leis e cerimônias, e que de mais a mais despreza as ordenações do rei, E tu sabes muito bem que é do interesse do teu reino não sofrer que a licença o torne ainda mais insolente. 9Ordena logo, se te apraz, que êle pereça, e eu pagarei aos tesoureiros do teu erário dez mil talentos. 10Então o rei tirou do seu dedo o anel, que costumava trazer, e o deu a Aman, filho de Amadati, da linhagem de Agag, inimigo dos judeus, 11e disse-lhe: Guarda para ti a prata, que me ofereces, e no tocante aó povo faze o que quiseres. 12E foram chamados os secretários do rei no mês primeiro de Nisan, no dia treze do mesmo mês: E foi escrito, como tinha ordenado Aman, a todos os sátrapas do rei, e aos juízes das províncias, e das diversas nações, como cada uma delas o podia ler e ouvir conforme a variedade de línguas em nome do rei Assuero: E as cartas seladas com o seu anel, 13foram enviadas pelos correios do rei a tôdas as províncias para que matassem e acabassem com todos os judeus, desde o menino até o velho, meninos, e mulheres, em um mesmo dia, isto é, a treze do mês duodécimo, que se chama Adar, e saqueassem os seu bens. 14E esta era a substância das cartas, para que tôdas as províncias o soubessem, e se prevenissem para o dito dia. 15Os correios, que se enviaram, se apressavam a cumprir a ordem do rei. E logo se afixou em Susa o edito, a tempo que o rei e Aman faziam banquete, e que todos os judeus, que havia na cidade, se debulhavam em lágrimas.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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