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Ester 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1No mesmo dia doou o rei Assucro à rainha Ester a casa de Aman inimigo dos judeus, e Mardoqueu foi apresentado ao rei. Porque Ester lhe tinha confessado que êle era seu tio paterno. 2E o rei tomou o anel, que tinha mandado tirar a Aman, e o deu a Mardoqueu. Ester fêz também a Mardoqueu intendente da sua casa. 3E não contente com isto, ela se lançou aos pés do rei, e com lágrimas lhe falou e lhe pediu, que desse ordem, para que não tivesse efeito o mau desígnio de Aman, filho de Agag, nem as suas iníquas maquinações, que havia excogitado contra os judeus. 4E o rei, segundo o costume, estendeu com a sua mão para ela o cetro de ouro, para lhe dar mostras de clemência: E levantando-se ela se pôs em pé diante do rei, 5e disse: Se assim apraz ao rei, e se tenho achado graça nos seus olhos, e não lhe parece ser injusto o meu rogo, suplico, que com novas cartas, sejam revogadas as primeiras de Aman, perseguidor e inimigo dos judeus, com as quais mandava que fôssem estes exterminados em tôdas as províncias do rei. 6Porque como poderei eu sofrer a matança e estrago do meu povo? 7E o rei Assuero respondeu à rainha Ester, e ao judeu Mardoqueu: Eu doei a Ester a casa de Aman, e a êle mandei-o pregar numa cruz, porque se atreveu a estender a sua mão contra os judeus. 8Escrevei pois aos judeus em nome do rei, como bem vos parecer, e selai as cartas com o meu anel. Porque êste era o costume, que ninguém se atrevia a opor-se às cartas, que se enviavam em nome do rei, e eram seladas com o seu anel, 9E chamados os secretários e escrivães do rei, (e como então era o terceiro mês, que se chama Siban) e o dia vinte e três do mesmo mês foram escritas as cartas, da maneira que quis Mardoqueu, e dirigidas aos judeus, e aos príncipes, e aos governadores e aos juízes, que presidiam a cento e vinte sete províncias do reino, desde a Índia até à Etiópia, província por província, e povo por povo, conforme as suas línguas e caracteres, e aos judeus, para que pudessem lê-las e entendê-las. 10E estas cartas, que se enviavam em nome do rei, foram seladas com o seu anel, e levadas pelos seus postilhões: Os quais, discorrendo com diligência por tôdas as províncias, prevenissem as primeiras cartas com estas segundas ordens. 11O rei lhes mandou ao mesmo tempo que em cada cidade buscassem os judeus, e lhes ordenassem que se ajuntassem e se aprontassem todos, para defender as suas vidas, e para matarem e exterminarem os seus inimigos, com as suas mulheres e filhos e tôdas as suas casas, e que saqueassem os seus despojos. 12E assinou-se a tôdas as províncias um mesmo dia para a vingança, a saber, o dia treze do duodécimo mês chamado Adar. 13E a substância da carta foi esta, que se notificasse em tôdas as terras e povos sujeitos ao domínio do rei Assuero, que os judeus estavam prontos para tomarem vingança de seus inimigos. 14E partiram incontinenti os postilhões levando os avisos, e o edito do rei foi afixado em Susa, 15Mardoqueu, pois, saindo do palácio, e da presença do rei, resplandecia com a real opa côr de jacinto e de azul celeste, levando uma coroa de ouro na cabeça, e vestido de um manto de seda e de púrpura. E tôda a cidade se encheu de regozijo e de alegria. 16E aos judeus parecia-lhes ter-lhes nascido uma nova luz, gôsto, honra e alvoroço. 17Em todos os povos, cidades e províncias, onde chegaram as ordens do rei, havia uma alegria extraordinária, banquetes e convites, e dias de festas: De tal sorte que muitos das outras nações e seitas abraçaram a sua religião e cerimônias: Porque o nome do povo judaico tinha enchido dum grande terror a todos os espíritos.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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