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Ester 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Assim no dia treze do duodécimo mês, que nós já dissemos antes chamar-se Adar, quando se destinava a matança de todos os judeus, e quando os seus inimigos estavam ansiosos do seu sangue, os judeus pelo contrário começaram a ser mais fortes, e a vingar-se dos seus adversários. 2E se ajuntaram em cada uma das cidades, povos e lugares, para atacarem os seus inimigos e perseguidores. E nenhum ousava resistir-lhes, porque o mêdo do seu poder se tinha apoderado de todos os povos. 3Porque tanto os juízes das províncias como os governadores e os intendentes, e todos os de qualquer dignidade, que em cada lugar presidiam às obras, punham os judeus nas nuvens, pelo temor que tinham de Mardoqueu: 4O qual êles sabiam ser o principal do palácio, e que tinha grande poder: E a fama do seu nome crescia de dia em dia, e andava voando pelas bôcas de todos. 5Fizeram pois os judeus grande carniçaria nos seus inimigos, e os mataram, retribuindo-lhes o mal que eles lhes tinham intentado fazer: 6A ponto tal que até em Susa mataram quinhentos homens, sem contar os dez filhos de Aman Agagita inimigo dos judeus: Cujos nomes são estes: 7Farsandata, e Delfon, e Esfata, 8e Forata, e Adalia, e Aridata, 9e Fermesta, e Arisai, e Aridai, e Jezata. 10Tendo-os morto, não quiseram os judeus tocar no despôjo de seus bens. 11E logo se referiu ao rei o número dos que tinham sido mortos em Susa. 12E êle disse à rainha: Na cidade de Susa mataram os judeus quinhentos homens, fora os dez filhos de Aman: Que grande cuidas tu que será a mortandade que eles fazem em tôdas as províncias? Que mais me pedes, e que queres tu que eu mande se faça? 13E ela lhe respondeu: Se ao rei assim lhe apraz, dê-se poder aos judeus de fazerem ainda amanhã em Susa o que fizeram hoje, e os dez filhos de Aman sejam pendurados em patíbulos. 14E o rei mandou que assim se fizesse. E logo foi afixado em Susa o edito, e os dez filhos de Aman foram pendurados. 15E juntos os judeus no dia catorze do mês de A dar, foram mortos trezentos homens em Susa: Porém êlcs não lhes saquearam os seus bens. 16E da mesma sorte por tôdas as províncias, que estavam sujeitas ao império do rei, se puseram os judeus em defesa das suas vidas, matando os seus inimigos e perseguidores: Em tanto número, que chegaram os mortos a setenta e cinco mil homens, e nenhum pôs a mão em coisa alguma de seus bens. 17E no dia treze do mês de Adar começou a: matança em tôda a parte, e cessou no dia catorze. O qual êles ordenaram que fôsse solene, que se celebrasse por todos os séculos seguintes com banquetes, júbilos e festins. 18E os que haviam executado a mortandade na cidade de Susa, empregaram nela o dia treze e catorze do mesmo mês: E cessaram de matar no dia quinze. E por esta razão estabeleceram que se solenizasse o mesmo dia com banquetes e regozijos. 19Os judeus porém, que assistiam nas vilas não muradas e nas aldeias, decretaram o dia catorze do mês de Adar, para os banquetes e regozijo, de modo que neste dia fazem grandes divertimentos, e mandam uns aos outros alguma coisa dos seus banquetes, e iguarias. 20Mardoqueu pois escreveu tôdas estas coisas, e resumindo-as numa carta a mandou aos judeus, que habitavam em tôdas as províncias do rei, tanto nas mais próximas como nas mais remotas, 21a fim de que o dia catorze e o dia quinze do mês de Adar fôssem para êles dias de festa, e que os celebrassem todos os anos para sempre com solenes honras: 22Porque nestes dias se vingaram os judeus dos seus inimigos, e o seu luto e tristeza se mudou em alegria e gôsto, e que estes dias fôssem de banquete e de regozijo, e neles mandassem uns aos outros porções das suas iguarias, e fizessem seus prcscntinhos aos pobres. 23E os judeus admitiram entre os seus ritos solenes tudo o que começaram a fazer naquele tempo, e que Mardoqueu na sua carta lhes mandou que fizessem. 24Porque Aman, filho de Amadati, da raça de Agag, inimigo e adversário dos judeus, formou contra êles o mau projeto de os matar, e de os extinguir: E lançou sôbre isto fur, que na nossa língua significa o mesmo que sorte. 25Mas Ester depois foi ter com o rei, suplicando-lhe que previna os desígnios de Aman com uma carta do rei e que faça cair sôbre a sua cabeça o mal que êle tinha projetado contra os judeus. Com efeito os pregaram numa cruz a êle e a seus filhos, 26e desde aquêle tempo estes dias se chamaram furim, isto é, das sortes: Porque o fur, ou a sorte foi lançada na urna. E tôdas as coisas, que passaram se contêm no volume de uma carta, isto é, deste livro. 27E em memória do que padeceram, e da mudança que depois houve, os judeus tomaram a seu cargo, e dos seus descendentes, e de todos os que quiseram agregar-se à sua religião, que a nenhum fôsse lícito passar estes dois dias sem solenidade: Os quais se notam nesta escritura, e se observam em certos tempos, pelos anos que se hão de seguir perpètuamente. 28Êstes são uns dias, que nunca se apagarão da memória dos homens: E aos quais tôdas as províncias de geração em geração celebrarão por tôda a terra: E não há cidade alguma, onde os dias de furim, isto é, das sortes, não sejam guardados pelos judeus, e por seus filhos que estão obrigados a estas cerimônias. 29Porque a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu judeu, escreveram ainda segunda carta, para que com o maior cuidado ficasse estabelecido esse dia solene para o futuro: 30E mandaram dizer a todos os judeus, que moravam nas cento e vinte e sete províncias do rei Assuero, para que tivessem paz, e recebessem a verdade, 31observando os dias das Sortes, e celebrando-os a seu tempo com grande alegria: Assim como o haviam ordenado Mardoqueu e Ester, e eles se obrigaram por si, e pela sua descendência, a guardar os: jejuns, e clamores, e dias das Sortes. 32e tudo o que se contém na história deste livro, que se chama Ester.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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