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Êxodo 32

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Mas o povo, vendo que Moisés não acabava de descer do monte, se ajuntou contra Aarão, e lhe disse: Vem fazer-nos deuses, que vão adiante de nós: porque pelo que toca a Moisés, a êste homem, que nos tirou do Egito, nós não sabemos o que lhe aconteceu. 2Aarão lhes disse: Tirai as arrecadas de ouro, que vossas mulheres, filhos, e filhas trazem nas orelhas, e trazei-mas. 3Fêz o povo o que Aarão lhe mandara, e trouxe-lhe as arrecedas. 4Aarão depois que as recebeu, fundiu-as, e formou delas um bezerro. Então disseram os israelitas: Eis-aqui, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram do Egito. 5O que tendo visto Aarão, erigiu um altar diante do bezerro, e à voz do pregoeiro clamou: Amanhã é a solenidade do Senhor. 6E êles, tendo-se levantado pela manhã, ofereceram holocaustos, e hóstias pacíficas. Todo o povo se assentou a comer e beber, e depois se levantaram a brincar. 7Então falou o Senhor a Moisés, e lhe disse: Vai, desce: porque o teu povo, que tu tiraste do Egito, pecou. 8Êles se apartaram bem depressa do caminho que tu lhes havias mostrado. Fizeram para si um bezerro fundido, adoraram-no, e imolando-lhe vítimas, disseram: Êstes são, ó Israel, os teus Deuses, que te tiraram do Egito. 9Ainda disse mais o Senhor a Moisés: Eu vejo que êste povo é de cerviz dura. 10Deixa, que o furor da minha indignação se acenda contra êles, e que eu os consuma, e eu te farei a ti chefe de um grande povo. 11Porém Moisés conjurava o Senhor seu Deus, dizendo-lhe: Por que se acende o teu furor contra um povo teu, que tu tiraste do Egito com uma grande fôrça, e com uma poderosa mão? 12Não permitas, te rogo, que digam os egípcios: Êle os tirou do Egito astutamente para os matar nos montes, e para os extinguir da terra. Aplaque-se a tua ira, e deixa-te dobrar para perdoares ao teu povo a sua iniquidade. 13Lembra-te de Abraão, de Isaac, e de Israel teus servos, aos quais tu juraste por ti mesmo, dizendo: Eu multiplicarei a vossa descendência, como as estrelas do céu; e eu darei à vossa posteridade tôda esta terra, de que eu falei, e vós a possuireis para sempre. 14Então se apaziguou o Senhor, para não fazer contra o seu povo o mal, que tinha dito. 15Voltou Moisés pois de cima do monte, trazendo na sua mão as duas tábuas do testemunho, escritas de ambas as partes. 16Elas eram obra de Deus, corno o era a escritura, que estava gravada nelas. 17Ora Josué ouvindo o tumulto, e a vozeria do povo, disse para Moisés: No campo ouve-se alarido de quem peleja. 18Ao que respondeu Moisés: Isto não é gritar de pessoas, que se exortam para combater; nem vozeria de gente, que obriga o seu inimigo a fugir: mas o que eu ouço são vozes de pessoas, que cantam. 19E tendo-se aproximado ao campo, viu o bezerro, e as danças. Então irado na última diferença, atirou as tábuas que trazia na mão em terra, e as quebrou na falda do monte. 20E pegando no bezerro, que êles tinham feito, lançou-o no fogo, e o reduziu em cinza, que lançou na água, e fêz que dela bebessem os filhos de Israel. 21Depois disse Moisés a Aarão: Que te fêz êste povo para tu o carregares com um tão grande pecado? 22Êle lhe respondeu: Não se ire meu Senhor: Porque tu sabes muito bem, quanto êste povo é propenso para o mal. 23Êles me disseram: Faz-nos deuses, que vão adiante de nós: Porque nós não sabemos que é o que aconteceu a êste Moisés que nos tirou do Egito. 24Eu lhes disse: Qual dentre vós tem ouro? Trouxeram-no, e deram-mo: e eu o lancei no fogo, e saiu êste bezerro. 25Moisés pois vendo que o povo tinha ficado nu, (pois Aarão o tinha despojado com esta vergonhosa abominação, e o tinha posto nu no meio de seus inimigos), 26pôs-se à porta do campo, e disse: Se algum é do Senhor, ajunte-se comigo. E tendo-se ajuntado à roda dêle todos os filhos de Levi, lhes disse: 27Eis-aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Cada homem meta a sua espada à cinta: passai, e tornai a passar, atravessando o campo duma porta à outra; e cada um mate seu irmão, seu amigo, e o que lhe fôr mais chegado. 28Fizeram os filhos de Levi o que Moisés tinha ordenado, e foram quase vinte e três mil homens, os que caíram mortos aquêle dia. 29Então lhes disse Moisés: Cada um de vós consagrou hoje as suas mãos ao Senhor, matando seu filho, e seu irmão, para vos ser dada a bênção. 30Ao outro dia disse Moisés ao povo: Vós come testes um grandíssimo pecado. Eu subirei onde está o Senhor, a ver se de algum modo o posso dobrar, e alcançar dêle perdão do vosso crime. 31E tendo voltado para o Senhor, lhe disse: Êste povo cometeu um grandíssimo pecado, e êles fizeram para si deuses de ouro. Mas eu te conjuro, que ou tu lhe perdoes êste delito, 32ou se o não fazes, me apagues do teu livro, que escreveste. 33O Senhor lhe respondeu: Eu apagarei do meu livro aquêle, que pecar contra mim. 34Tu porém, vai, e conduze o povo ao lugar, que eu te disse. O meu anjo irá adiante de ti: Mas no dia da vingança visitarei eu êste pecado, que êle cometeu. 35Feriu pois o Senhor o povo pelo crime do bezerro, que Aarão lhe tinha feito.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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