Ezequiel 21
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, põe o teu rosto em Jerusalém, e fala para o Santuário, e profetiza contra a terra de Israel: 3Dirás pois à terra de Israel: Isto diz o Senhor Deus: Eis-me aqui contra ti, e tirarei a minha espada da sua bainha, e matarei do meio de ti o justo, e o ímpio. 4E porque eu devo exterminar do meio de ti o justo, e o ímpio, por isso a minha espada sairá da sua bainha para atacar tôda a carne, desde o Meio-Dia até o Aquilão:, 5A fim de que tôda a carne saiba que eu o Senhor tirei a minha espada da sua bainha, para a não tornar a meter nela. 6Tu pois, filho do homem, dá gemidos até te arre-bentarem os rins, e geme na presença dêles com amargura do teu coração. 7E quando eles te disserem: Por que gemes tu? tu lhes dirás: Pelo que ouço: Porque o inimigo vem, e todos os corações se mirrarão de mêdo, e tôdas as mãos ficarão sem fôrças, e todos os espíritos -se abaterão, e as águas correrão por todos os joelhos: Ei-lo aí vem, e assim sucederá, diz o Senhor Deus. 8E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 9Filho do homem, profetiza, e dirás: Isto diz o Senhor Deus: Fala: A espada, sim, a espada está aguçada e polida. 10Ela está aguçada para matar as vítimas: Está polida para reluzir: Tu, espada, que abates o ceptro de meu filho, cortaste pelo pé tôdas as árvores. 11E eu a dei a polir, para a ter na mão: Esta espada está aguçada, e ela está polida, para estar na mão do que deve fazer a matança. 12Grita, e uiva, filho do homem, porque esta espada está desembainhada contra o meu povo, ela o está contra todos os príncipes de Israel, que tinham fugido dela: Êles foram entregues a esta espada com o meu povo, tu pois dá pancadas na tua coxa.: 13Porque esta espada foi aprovada por mim: E isto ainda quando ela destruir o ceptro, para mais não subsistir, diz o Senhor Deus. 14Tu pois, filho do homem, profetiza, e bate com as mãos uma na outra, e dobrem-se os golpes desta espada, e tresdobrem-se os golpes desta mesma espada matadora; esta é a espada da grande matança, que os faz pasmar, 15e que lhes faz mirrar os corações, e multiplica as ruínas. Eu pus a turbação em tôdas as suas portas, à vista desta espada penetrante, e polida para reluzir, afiada para matar. 16Aguça, ó espada, a tua ponta, vai para a direita ou para a esquerda, para onde quer que o apetite de mortes te chamar. 17E ainda eu mesmo te aplaudirei, batendo com as mãos uma na outra, e satisfarei a minha indignação, eu o Senhor é que falei. 18E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 19E tu, filho do homem, representa-te dois caminhos, por onde a espada do rei de Babilônia pode vir: De uma mesma terra sairão ambos: E com a mão deitará sortes, no tópo do caminho da cidade as deitará. 20Figurarás um caminho, por onde esta espada vá atacar a Rabat dos filhos de Amon, e outro por onde vá para Judá, a atacar a fortíssima cidade de Jerusalém. 21Porque o rei de Babilônia parou na encruzilhada, no tôpo dos dois caminhos, procurando adivinhação, misturando as setas: Perguntou aos seus ídolos, consultou as entranhas. 22Caiu a sorte sôbre Jerusalém, fazendo-o tomar à direita, para dispor os aríetes, para intimar por sua bôca mortandade, para levantar a voz com alarido, para pôr os arietes contra as portas, para levantar marachões, e edificar fortins. 23E será isto aos olhos dêles como quem consulta em vão um Oráculo, e como quem imita o descanso dos seus sábados: Mas êle se lembrará da iniqüidade para os cativar. 24Portanto isto diz o Senhor Deus: Pelo motivo de que vos tendes jactado da vossa iniqüidade, e haveis descoberto as vossas prevaricações, e se patentearam os vossos pecados em todos os vossos pensamentos: Pelo motivo, digo, de vos terdes jactado disso, vós ficareis à fôrça de armas prisioneiros. 25Tu porém, ó profano, tu, ó ímpio príncipe de Israel, a quem chegou o dia assinado no tempo da tua iniquidade: 26Isto diz o Senhor Deus: Tira a tiara, depõe a coroa: Não é esta a que levantou ao humilde, e humilhou ao soberbo? 27Eu farei ver a injustiça, a injustiça, a injustiça dela: Mas isto não se fêz, menos que não viesse aquêle a quem pertence o juízo e eu lhe entregarei uma e outra. 28E tu, filho do homem, profetiza, e dize: Isto diz o Senhor Deus aos filhos de Amon, e ao opróbrio dêles, e lhes dirás: Espada, espada, desembainha-te, para matares, pule-te, para matares, e para luzires. 29Ao tempo que para ti se viam coisas vãs, e se adivinhavam mentiras: Para que fôsses descarregada sôbre os pescoços dos ímpios feridos, cujo dia predefinido chegou no tempo da sua iniquidade. 30Torna a recolher-te à tua bainha no lugar em que fôste criada, eu te julgarei na terra da tua nascença. 31E derramarei sôbre ti a minha indignação: Asso-prarei contra ti no fogo do meu furor, e te entregarei às mãos de uns homens insensatos, e que fabricam a morte. 32Servirás de pasto ao fogo, derramado será o teu sangue no meio da terra, ficarás entregue ao esquecimento: Porque eu, o Senhor, é que falei.