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Ezequiel 22

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2E tu, filho do homem, não julgas, não julgas a cidade dos sangues? 3Mostrar-lhe-ás pois tôdas as suas abominações, e dirás: Isto diz o Senhor Deus: Esta é a cidade que derrama o sangue no meio dela, para que depressa chegue o dia da sua destruição: E a que formou ídolos contra si mesma, para se manchar. 4Tu te fizeste culpável pelo sangue, que por ti foi derramado: E te manchaste pelos teus ídolos, que fabricaste: E fizeste avizinhar os teus dias, e abreviaste o espaço dos teus anos: Por isso eu te fiz o opróbrio das nações, e o ludíbrio de tôda a terra. 5Os povos vizinhos, e os povos distantes triunfa-rão de ti: Imunda, famosa, grande pela tua ruína. 6Eis-aí está que os príncipes de Israel se firmaram cada um na fôrça do seu braço, para derramarem o sangue no meio de ti. 7Êles trataram com afrontas no meio de ti a seu pai, e a sua mãe, caluniaram o estrangeiro no meio de ti, e entristeceram em tua casa o pupilo e a viúva: 8Desprezaste o meu santuário, e profanaste os meus sábados. 9No meio de ti houve homens caluniadores para derramarem o sangue, e entre ti comeram sôbre os montes, cometeram a maldade no meio de ti. 10Descobriram as mais recatadas partes de seu pai no meio de ti, humilharam no meio de ti a mulher na ocasião do seu mênstruo: 11E cada um desonrou a mulher do seu próximo com abomináveis atos, e o sogro corrompeu com um horrível incesto a sua nora, O irmão fêz violência à própria irmã, à filha de seu pai, no meio de ti. 12Êles receberam presentes no meio de ti para derramarem o sangue: Tu recebeste ganhos e interêsses ile-gitimos, e levado da avareza caluniavas a teus próximos: E tu te esqueceste de mim, diz o Senhor Deus. 13Por isso eu bati com as mãos uma na outra, declarando-me contra a tua avareza, que exercitaste, e contra O sangue que se derramou no meio de ti. 14Porventura estará firme o teu coração, ou prevalecerão as tuas mãos contra mim nos calamitosos dias que eu farei vir sôbre ti? eu o Senhor o disse, e o farei. 15E te espalharei por entre as nações, e te deitarei ao vento para diversas terras, e farei cessar em ti a tua impureza. 16E te possuirei à vista das gentes: E tu saberás que eu sou o Senhor. 17E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 18Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escória: Todos êles são como o cobre, e o estanho, e o ferro, e o chumbo no meio da fornalha: êles se fizeram como a escória da prata. 19Por cuja causa isto diz o Senhor Deus: Pelo motivo de que vos tornastes todos em escória, por isso eis-ai vou eu a congregar-vos no meio de Jerusalém, 20como quando se lançam de mistura a prata, e o cobre, e o estanho, e o ferro, e o chumbo no meio da fornalha: De sorte que acenderei nela o fogo para vos fundir: Assim é que eu vos ajuntarei no meu furor, e na minha ira, e eu me satisfarei: E vos fundirei. 21E eu vos ajuntarei, e vos abrasarei nas chamas do meu furor, e vós sereis fundidos no meio de Jerusalém. 22Assim como a prata se funde no meio da fornalha, assim o sereis vós no meio desta cidade: E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu tiver derramado a minha indignação sôbre vós. 23E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 24Filho do homem, dize a Jerusalém: Tu és uma terra imunda, que não foi regada das chuvas no dia do furor. 25Os profetas se conjuraram no meio dela, êles devoraram as almas, como um leão que ruge, e que arrebata a sua prêsa, receberam grandes bens e grandes recompensas, multiplicaram as suas viúvas no meio dela. 26Os seus sacerdotes desprezaram a minha lei, e mancharam o meu Santuário: Não distinguiram entre o santo e o profano: E não fizeram diferença entre o limpo e o sujo: E apartaram os seus olhos dos meus sábados, e eu era profanado no meio dêles. 27Os seus príncipes eram no meio dela como uns lôbos, que arrebatam a sua prêsa, para derramar o sangue, e para perder as almas, e para correr atrás do ganho por satisfazer a sua avareza. 28E os seus profetas lhes punham o rebôco nas paredes, sem lhe misturar nada que o segurasse, quando tinham visões falsas, e lhes profetizavam a mentira, dizendo: Isto diz o Senhor Deus, sendo que o Senhor lhes não tinha falado. 29Os povos da terra intentavam calúnias, e roubavam por violência, afligiam o pobre e o necessitado, e oprimiam com calúnias o estrangeiro, sem alguma forma de juízo. 30E busquei -entre êles um homem que se entrepu-sesse como uma sebe, e que pôsto em campo contra mim acudisse por esta terra, para eu a não destruir: E não o achei. 31Por isso eu derramei a minha indignação sôbre êles, eu os consumi no fogo da minha ira: Fiz que o seu caminho recaísse sôbre as cabeças deles, diz o Senhor Deus.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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