Ezequiel 23
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. 3As quais se deram à impureza no Egito, prostituíram-se na sua mocidade: Lá é que seus peitos foram sovados, e que as mamas da sua puberdade ficaram desfloradas. 4Ora os nomes delas eram êstes: a mais velha se chamava Oola; e a sua irmã mais moça Odóliba: E eu as tive, elas me pariram filhos e filhas. No tocante a seus nomes, Samaria é Oola, e Jerusalém é Oóliba. 5Oola pois se levantou contra mim pela sua fornicação, e loucamente se apaixonou pelos seus amantes, pelos assírios seus vizinhos. 6Vestidos de jacinto. Príncipes e magistrados, mancebos de apetite, todos cavaleiros, montados a cavalo. 7Ela se entregou na sua fornicação a êstes homens escolhidos, filhos todos dos assírios: E se manchou pelas suas infâmias com todos aquêles, de quem loucamente estava namorada. 8Além disto não deixou ainda as suas prostituições, que exercitara no Egito: Pois eles dormiram também com ela na sua adolescência, êles igualmente desfloraram os peitos da sua puberdade, e sôbre ela derramaram a sua impureza. 9Por isso eu a entreguei nas mãos dos seus amantes, nas mãos dos filhos de Assur, de cuja paixão ela ficou loucamente possuída. 10Êles descobriram a sua ignomínia, levaram seus filhos, e suas filhas, e mataram-na a ela mesma com a espada: E se fizeram mulheres famosas, e nela exerceram os juízos. 11O que tendo visto sua irmã Oóliba, enlouqueceu de paixão mais do que ela: E aumentando a sua fornicação sôbre a fornicação de sua irmã, 12descaradamente se prostituiu aos filhos dos assi-rios, aos capitães e magistrados, que concorriam a ela trajados com vestidos de várias côres, aos cavaleiros que vinham montados nos seus cavalos, e a todos os mancebos de lindo parecer. 13E vi que, sendo o mesmo, o caminho de ambas, estava manchado. 14Mas Oóliba aumentou a sua fornicação: Porque tendo visto uns homens pintados na parede, umas imagens dos caldeus delineadas com côres, 15e os seus rins cingidos de talabartes, e tiaras de várias côres em suas cabeças, parecendo todos oficiais de guerra, dando ares de filhos de Babilônia, e do país dos caldeus, onde eles tinham nascido. 16Pela concupiscência dos seus olhos concebeu por eles uma paixão louca, e lhes mandou embaixadores à Caldéia. 17E tendo vindo a ela os filhos de Babilônia, para entrarem no camarim das suas prostituições, a mancharam com os seus estupros, e ela foi por êles corrompida, e a sua alma ficou farta dêles. 18Ela lhes patenteou as suas fornicações, e lhes descobriu a sua ignomínia: E a minha alma se retirou dela, assim como se tinha retirado a minha alma de sua irmã. 19Porque ela multiplicou as suas fornicações, lembrando-se dos dias da sua mocidade, durante os quais se tinha prostituído na terra do Egito. 20E loucamente se apaixonou com o libidinoso apetite de dormir com aquêles, cujas carnes são como as carnes dos jumentos: E a sua distilação como a distilação dos cavalos. 21E tu renovaste as maldades da tua mocidade, quando no Egito foram os teus peitos sovados, e ficaram desfloradas as mamas da tua puberdade. 22Por isso, ó Oóliba, isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu a suscitar contra ti todos os teus amantes, de que a tua alma se fartou: E eu os congregarei contra ti de tôdas as partes ao redor. 23Os filhos de Babilônia, e todos os caldeus, nobres, e soberanos, e príncipes, todos os filhos dos assírios, os mancebos de lindo parecer, todos os capitães, e magistrados, os príncipes dos príncipes, e os ginetes de grande nomeada: 24E virão sôbre ti petrechados de carros, e de rodas, encerrando todos uma multidão de povos: Êles se armarão de tôdas as partes contra ti, de couraças, e de escudos. e de capacetes: E lhes darei o poder de te julgar, e êles te julgarão segundo as suas leis. 25E desafogarei contra ti o meu zêlo, que êles exer-cerão em ti com furor: Cortar-te-ão cérceo o teu nariz, e as tuas orelhas: E o que restar, o retalharão à espada: Êles mesmos cativarão os teus filhos, e as tuas filhas, e o que por último de ti ficar, será devorado pelo fogo. 26E êles te despojarão dos teus vestidos, e te levarão os adornos da tua vaidade. 27E farei cessar as tuas maldades em ti, e as fornicações, que tu tinhas aprendido na terra do Egito: Tu não levantarás os olhos para êles, nem te lembrarás mais do Egito. 28Porque isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu a entregar-te. nas mãos daqueles que tu aborreces, nas mãos daqueles de que a tua alma ficou farta. 29E êles te tratarão com Ódio, e te levarão todos os teus trabalhos, e te deixarão nua, e cheia de ignomi-nia, e descobrir-se-á a ignomínia das tuas fornicações, os teus desaforos, e as tuas infâmias. 30Êles te trataram assim, porque tu te prostituíste às nações, entre as quais te manchaste pelo culto dos seus ídolos. 31Tu andaste pelo mesmo caminho de tua irmã, e eu te meterei na mão o cálice que ela bebeu. 32Isto diz o Senhor Deus: Tu beberás o fundo e largo cálice de tua irmã: Serás o objeto dos insultos, e das irrisões, bebendo por êsse cálice de uma vastíssima capacidade. 33Tu serás cheia de embriaguez, e de dor: Com êste cálice de aflição e de tristeza, com êste cálice de tua irmã Samaria. 34E tu o beberás, e o esgotarás até às fezes, e lhe devorarás os mesmos pedaços, e te rasgarás os próprios peitos: Porque cu sou o que falei, diz o Senhor Deus. 35Por cuja causa isto diz o Senhor Deus: Pois que tu te esqueceste de mim, e me lançaste para trás do teu corpo, carrega tu também com a tua maldade, e com as tuas fornicações. 36E o Senhor me falou, dizendo: Filho do homem, não julgarás tu a Oola, e a Oóliba: E não lhes declararás tu as suas maldades? 37Porque adulteraram, e se acha sangue nas suas mãos, e se prostituíram aos ídolos: Além disto elas lhes ofereceram, para serem devorados, até os seus filhos, que para mim geraram. 38E ainda isto me fizeram: Mancharam o meu santuário naquele dia, e profanaram os meus sábados. 39E quando sacrificavam seus filhos aos seus ídolos, e entravam no meu santuário nesse dia para O profanarem: Elas ainda me fizeram esta injúria no meio da minha casa. 40Fizeram buscar homens, que vinham de longe, a quem tinham mandado embaixadores: Eis-que enfim chegaram: Para receber os quais te lavaste, e untaste à roda os teus olhos com antimônio, e te adornaste com as tuas galas. 41Tu te assentaste num leito especiosissimo, e diante de ti se preparou uma mesa magnificamente ornada: Tu puseste em cima dela o meu incenso, e o meu perfume. 42E à roda dela se ouvia a voz de muita gente que folgava e quanto àqueles varões, que dentre a multidão «dos homens eram conduzidos, e vinham do deserto, puseram elas nas mãos dêles as suas manilhas, e formosas coroas nas suas cabeças. 43Então disse eu àquela que estava cansada e gas-tada de adulterar: Agora mesmo continuará esta prostituta em se dar às suas impurezas. 44E êles entraram em sua casa, como em casa de uma mulher pública: Assim é que êles entravam em casa destas perdidas mulheres, Oola, e Oóliba. 45Êstes homens pois são uns justos: Êles as julgarão como se julgam as adúlteras, e como se julgam as que derramam o sangue: Porque elas com efeito são umas adúlteras, e nas suas mãos se acha sangue: 46Porque isto diz o Senhor Deus: Faze vir contra estas duas prostitutas uma multidão de homens, e entrega-as ao tumulto, e ao saque da guerra. 47E elas sejam apedrejadas com as pedras dos povos, e traspassadas com as suas espadas: Êstes lhes matarão os seus filhos, e' filhas, e porão fogo às suas casas. 48Assim é que eu abolirei de cima da terra os desaforos, e tôdas as mulheres aprenderão a não imitar a maldade destas. 49Porque os vossos inimigos farão recair sôbre vós Os vossos crimes, e vós carregareis com os pecados dos vossos ídolos: E sabereis que eu sou o Senhor Deus.