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Ezequiel 26

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E aconteceu no ano undécimo ao primeiro do mês que me foi dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, pelo motivo de que Tiro disse falando de Jerusalém: E” bem feito que foram quebradas as portas desta populosa cidade, os seus povos vieram a mim: Eu me engrandecerei com o que ela perdeu, agora que ela está deserta. 3Portanto isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, como o mar faz subir as suas ondas quando se incha. 4E elas destruirão os muros de Tiro, e deitarão abaixo as suas tôrres: E lhe rasparei até o pó, e eu a tornarei como uma pedra muito lisa. 5Ela virá a ser no meio do mar como um enxugadouro das rêdes, porque eu sou o que falei, diz o Senhor Deus: E ela será entregue por prêsa às nações. 6As suas filhas, que estão no campo, serão também passadas ao fio da espada: E êles saberão que eu sou o Senhor. 7Porque isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu a fazer vir das partes do Setentrião para Tiro a Nabucodonosor, rei de Babilônia, êsse rei dos reis, com cavalos, e carroças de guerra, e cavalaria, e com grandes tropas, e diversos povos. 8Êle fará cair a golpes de espada as tuas filhas, que estão no campo: E te cercará de fortins, e fará trincheiras ao redor: E levantará o escudo contra ti. 9E disporá contra os teus muros as suas mantas de guerra, e os seus vaivéns, e destruirá à fôrça das suas máquinas as suas tôrres. 10Pela inundação dos cavalos dêle te cobrirá o pó das suas tropas: Ao estrondo da sua cavalaria, e das rodas e das carroças tremerão as tuas muralhas, quando êle entrar pelas tuas portas, como quem entra pela brecha de uma cidade demolida. 11Com as unhas dos seus cavalos pisará tôdas as tuas ruas: Êle fará passar o teu povo pelo gume da espada, e cairão por terra as tuas famosas estátuas. 12Êles farão o seu despôjo das tuas riquezas, saquearão as tuas mercuncias: E destruirão as tuas muralhas, e arruinarão as tuas magníficas casas: E deitarão no meio das águas as tuas pedras, as tuas madeiras e o teu pé. 13E farei cessar a variedade dos teus concertos músicos, e não se ouvirá mais em ti o som das tuas citaras: 14E te tornarei como uma pedra muito lisa, tu virás a ser um enxugadouro de rêdes, e não tornarás a ser edificada: Porque eu sou o que falei, diz o Senhor Deus. 15Isto diz o Senhor Deus a Tiro: Acaso não tremerão as ilhas ao estampido da tua ruína, e ao gemido dos teus mortos quando no meio de ti fôrem degolados? 16E todos os príncipes do mar descerão dos seus tronos: E largarão as insígnias da sua grandeza, e arrojarão de si os seus vestidos bordados, e ficarão cheios de espanto: Êles se assentarão na terra e, atônitos com a tua repentina queda, pasmarão. 17E fazendo uma lamentação sôbre ti, te dirão: Como pereceste tu, que habitas no mar, ó cidade iínclita, que tens sido poderosa no mar com os teus habitadores a quem todos temiam? 18Agora pasmarão as naus no dia da tua espantosa ruína: E ficarão turbadas as ilhas no mar, vendo que ninguém sai dos teus portos. 19Porque isto diz o Senhor Deus: Quando eu te tiver reduzido a uma cidade deserta, como as cidades que não são habitadas: E quando tiver feito vir sôbre ti um abismo, e te tiver coberto um dilúvio de águas: 20E quando te tiver precipitado com aquêles que descem ao fôsso, para te ajuntar à multidão dos mortos eternos, e te tiver colocado no fundo da terra com os que são levados ao lago para ficares sempre desabitada, como as solidões antigas: Quando eu já tiver estabelecido a minha glória na terra dos viventes. 21Eu te reduzirei a nada, e tu mais não existirás, e ainda que te busquem, não te acharão mais para sempre, diz o Senhor Deus.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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