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Ezequiel 27

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Tu pois, filho do homem, faze uma lamentação sôbre Tiro: 3E dirás à mesma Tiro, que habita na entrada do mar a êste empório do comércio dos povos de tantas ilhas: Isto diz o Senhor Deus: O” Tiro, tu disseste: Eu sou de uma formosura perfeita, 4e situada no coração do mar. Os teus vizinhos, que te edificaram, completaram a tua formosura: 5De faia de Sanir te fabricaram com tôdas as cobertas dos teus vasos do mar: Êles tomaram um cedro do Líbano para te fazer um mastro. 6Êles aplainaram os carvalhos de Basan para os teus remos: De marfim da Índia te fizeram os teus ban-cos, e de madeira das ilhas da Itália as tuas câmaras de pôpa. 7O fino linho do Egito tecido em bordadura te compôs a vela para se pôr no mastro: O jacinto e a púrpura das ilhas de Elisa fizeram o teu pavilhão. 8Os habitantes de Sidônia e de Arada foram os teus remeiros: Os teus sábios, ó Tiro, foram os teus pilotos. 9Os velhos de 'Gebal, e os mais hábeis dentre eles, deram os seus marinheiros, para te servirem em tôda a equipagem dos teus baixéis: Todos os navios do mar, e os seus marinheiros estiveram entre o povo da tua negociação. 10Os persas e os da Lídia, e os da Líbia eram as tuas gentes de guerra no teu exército: Êles suspenderam em ti os seus escudos e capacetes para te servirem de ornamento. 11Os filhos de Arada com o teu exército estavam sôbre as tuas muralhas em circuito: E até os pigmeus que estavam nas tuas tôrres, penduraram as suas aljavas à roda dos teus muros: Êles completaram a tua formosura. 12Os cartagineses, que traficavam contigo, trazendo-te tôda a casta de riquezas, encheram os teus mercados de prata, de ferro, de estanho, e de chumbo. 13A Grécia, Tubal e Mosoc, também êstes sustentavam o teu comércio: Trouxeram ao teu povo escravos, e vasos de metal. 14Da casa de Togorma trouxeram à tua praça cavalos, e cavaleiros, e machos. 15Os filhos de Dedan negociaram contigo: O comércio das tuas manufaturas se estendeu a muitas ilhas: Êles em troca das tuas mercadorias te deram dentes de marfim, e de pau de ébano. 16Os sírios se meteram no teu tráfico por causa da multidão das tuas obras, expuseram à venda nos teus mercados pérolas, e púrpura, e estofos bordados de pequenos escudos, e linhos finos, e sêdas, e tôda a casta de mercadorias preciosas. 17Os povos de Judá, e da terra de Israel foram os mesmos que comerciaram contigo no melhor trigo; êles puseram de venda nas tuas feiras o bálsamo, e o mel, e o azeite, e a resina. 18O de Damasco traficava contigo pela abundante variedade dos teus gêneros, pela multidão de várias riquezas, em vinho generoso, em lãs da mais alva côr. 19Os da tribo de Dan, e os da Grécia, e os de Mosel, expuseram à venda nos teus mercados obras de ferro polido: E mirra distilada, e a cana aromática entravam no teu comércio. 20Os de Dedan traficavam contigo pelos teus magníficos tapêtes para assento. 21A Arábia, e todos os príncipes de Cedar, estavam também metidos na dependência do teu comércio: Com cordeiros, e carneiros, e cabritos vinham a ti para comerciar contigo. 22Os vendedores de Sabá e de Reema comerciavam também contigo: Com todos os mais subidos aromas, e pedras preciosas, e ouro que expuseram à venda nos teus mercados. 23Haran, e Quéne, e Éden entravam igualmente no teu negócio: Sabá, Assur, e Quelmad vinham vender-te as suas mercadorias: 24Êles tinham contigo um tráfico de diversos gêneros, trazendo-te fardos de jacinto, e de bordados de várias côres e de ricas preciosidades, que vinham embrulhadas, e atadas com cordas: também ajuntavam a isto madeira de cedro para negociar contigo. 25Os teus vasos faziam o teu comércio principal: E tu fôste cheia de bens, e elevada à mais sublime glória no coração do mar. 26Os teus remeiros te conduziram sôbre grandes águas: O vento do Meio-Dia te quebrou no coração do 27As tuas riquezas, e os teus tesouros, e a tua equipagem tão grande, os teus marinheiros, e os teus pilotos, que dispunham de tudo o que servia à tua grandeza, e que governavam a tua tripulação: Também as tuas gentes de guerra, que pelejavam por ti, com tôda a multidão do povo, que estava no meio de ti: Cairão todos juntos no fundo «o mar no dia da tua ruína. 28Ao estrondo da gritaria dos teus pilotos se turbarão as frotas: 29E todos os que tinham o remo descerão dos seus vasos: Os marinheiros, e todos os pilotos do mar pararão em terra: 30E farão sôbre ti um grande pranto em altas vozes, e gritarão com amargura: E deitarão pó sôbre as suas cabeças, e se cobrirão de cinza. 31E se raparão por tua causa os cabelos, e se vestirão êle -cilícios: E na amargura do seu coração êles derramarão lágrimas sôbre ti, com um pranto amargosis-simo. 32E farão sôbre ti lúgubres cânticos, e chorarão a tua desgraça, dizendo: Que cidade há como Tiro, que emudeceu no meio do mar? 33Tu, ó Tiro, que pela exportação das tuas mercadorias por mar encheste de bens a tantos povos: Pela multidão das tuas riquezas, e das tuas nações enriqueceste os reis da terra. 34Agora fôste tu quebrada pelo mar, as tuas riquezas estão no fundo das suas águas, e essa tua multidão de gente, que vivia no meio de ti, tôda pereceu. 35Todos os habitantes das ilhas estão a teu respeito cheios de espanto: E todos os seus reis feridos desta tempestade mudaram de rosto. 36Os negociantes de todos os povos te deram muitas vaias: Tu fôste reduzida a nada, e tu não serás jamais restabelecida.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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