Ezequiel 3
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E êle me disse: Filho do homem, come tudo quanto achares: Come êsse volume, e pondo-te a caminho vai falar aos filhos de Israel. 2E eu abri a minha bôca, e êle me deu a comer aquêle volume: 3E me disse: Filho do homem, o teu ventre comerá, e encher-se-ão as tuas entranhas dêste volume, que eu te dou. E eu comi: E êle na minha bôca se fêz doce como o mel. 4E êle me disse: Filho do homem, vai à casa de Israel, e tu lhe anunciarás as minhas palavras. 5Porque tu não és enviado a nenhum povo de profunda linguagem. nem de língua desconhecida, senão à casa de Israel: 6Nem a diversos povos de profunda linguagem, e de língua desconhecida, cujas palavras não possas entender: E se aos tais fôras enviado, êles te ouviriam. 7Mas os da casa de Israel não te querem ouvir a ti: Porque me não querem ouvir a mim: Porquanto tôda a casa de Israel é de uma fronte desavergonhada, e de um coração endurecido. 8Eis-aí que tornei tua face mais firme que suas faces, e tua fronte mais firme que suas frontes. 9Como de diamante, e como de pedra tornei a tua face: Não os temas, nem tenhas mêdo diante deles: Porque é uma casa que me exaspera. 10E êle me disse: Filho do homem, mete no teu coração tôdas as minhas palavras, que eu te falo, e ouve-as com os teus ouvidos: 11E vai, entra para ir ter com os da transmigração, com os filhos do teu povo. e falar-lhes-ás, e lhes dirás: Eis-aqui o que diz o Senhor Deus: A ver se acaso eles ouvem e cessam. 12E me tomou o espírito, e ouvi por detrás de mim esta voz de grande comoção: Bendita seja a glória do Senhor, que se vai do seu lugar. 13E ouvi outrossim o estrondo das asas dos animais, que batiam uma contra a outra, e o estrondo das rodas que seguiam aos animais, e um sonido de grande estrépito. 14Também o espírito me levantou, e me levou consigo: E eu me fui cheio de amargura na indignação de meu espírito: Porém a mão do Senhor estava comigo, confortando-me. 15E fui ter com os cativos junto ao montão dos trigos novos, ajuntando-me com aquêles que moravam junto do rio Cobar, e assentei-me onde eles estavam assentados: E fiquei ali sete dias no meio deles, todo melancolizado. 16E passados que foram os sete dias, foi dirigida a mim a palavra do Senhor, a qual dizia: 17Filho do homem, eu te dei por Atalaia à casa de Israel: E tu ouvirás da minha bôca a palavra, e lha anunciarás a êles da minha parte. 18Se dizendo-te eu que digas ao ímpio: Infalivelmente morrerás: Tu lho não anunciares, e não lhe falares, para que êle se tire do seu caminho ímpio, e viva: Morrerá o mesmo na sua iniqüidade, mas eu requererei da tua mão o seu sangue. 19Se pelo contrário anunciares tu isso ao ímpio, e êle se não converter da sua impiedade, e do seu ímpio caminho: Morrerá êle por certo na sua iniqüidade, e tu livraste a tua alma. 20Mas também se o justo deixar a sua justiça, e cometer a iniquidade: Eu porei diante dêle uma pedra de tropêço. êle morrerá, porque tu lho advertiste: Morrerá no seu pecado. e não ficarão postas em lembrança as suas ações de justiça, que obrou: Mas eu requererei da tua mão o seu sangue. 21Se pelo contrário advertires tu ao justo. para aque o tal justo não peque, e êle não pecar: Viverá a verdadeira vida, porque tu o advertiste e assim livraste à tua alma. 22Então se apoderou de mim a mão do Senhor, e êle me disse: Levantando-te, sai ao campo, e lá falarei contigo. 23Eu pois levantando-me saí ao campo: E eis-que estava ali a glória do Senhor, como a glória que vi junto ao rio Cobar: E me prostrei com o rosto em terra. 24E o espirito entrou em mim, e me firmou sôbre os meus pés: E me falou, e me disse: Entra, e encerra-te no meio da tua casa. 25E tu, filho do homem, sabe que êles te têm deitado sôbre ti cadeias, e te ligarão com elas: E tu não sairás do meio dêles. 26E eu farei que a tua língua se pegue ao teu paladar e ficarás mudo, e não como varão que repreende: Porque é casa que exaspera. 27Mas depois que eu te tiver falado, abrirei a tua bôca, e tu lhes dirás: Isto diz o Senhor Deus: O que ouve, ouça: E o que descansa, descanse: Porque é casa que exaspera.