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Gênesis 21

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ora o Senhor visitou a Sara, como êle lhe tinha dito, e executou a sua promessa. 2Ela concebeu, e pariu um filho na sua velhice, ao tempo que Deus lho tinha predito. 3Pôs Abraão o nome de Isaac ao filho, que lhe nascera de Sara. 4E circuncidou-o ao oitavo dia, segundo a ordem que recebera de Deus, 5tendo então cem anos: porque nesta idade é que êle veio a ser pai de Isaac. 6E nesta ocasião disse Sara: O Senhor me fêz uma coisa, que me causou riso; e todos os que a souberem se hão de rir do mesmo conosco. 7E acrescentou: Quem crera que se poderia dizer a Abraão, que Sara havia de dar de mamar a um filho, que ela lhe pariria, sendo êle já velho? 8Entretanto nasceu o menino, e foi desmamado: e no dia, que êle foi desmamado, deu Abraão um grande banquete, 9Sara porém, como visse o filho de Agar egiptana brincando com seu filho Isaac, disse para Abraão: 10Expulsa esta escrava com seu filho: Porque o filho da escrava não será herdeiro com meu filho Isaac. 11Pareceu isto duro a Abraão, por causa de seu filho Ismael. 12Mas o Senhor lhe disse: Não te pareça áspero o que Sara te disse de teu filho, e da tua escrava. Antes tudo o que Sara te disser faze-o: porque de Isaac é que há de sair a raça, que há de ter o teu nome. 13E quanto ao filho da tua escrava, eu o farei também pai de um grande povo, por êle ter saído de ti. 14Abraão pois tendo-se levantado de manhã, tomou pão e um odre d’água, e pô-lo às costas a Agar: Entregou-lhe seu filho, e despediu-a. Agar tendo partido, andava errante pelo deserto de Bersabé. 15E como se lhe tivesse acabado a água do odre, deixou seu filho deitado debaixo de uma árvore, que ali havia, 16e se alongou dêle um tiro de arco, e se assentou bem defronte, dizendo: Não verei morrer a meu filho: E levantando a voz, se pôs a chorar. 17Ora Deus ouviu a voz do menino: e o anjo do Senhor chamou a Agar do céu, e lhe disse: Agar, que fazes tu por aqui? Não temas: porque Deus ouviu a voz do teu menino do lugar, onde está. 18Levanta-te, toma o menino, e tem-no pela mão: porque eu o farei pai de um grande povo. 19Ao mesmo tempo abriu Deus os olhos de Agar, a qual vendo um poço dágua, foi a êle, e encheu o seu odre, e deu de beber ao menino. 20Assistiu Deus ao menino, e êle cresceu, e ficou vivendo no deserto, e saiu um moço bom frecheiro. 21Êle habitou no deserto de Faran: e sua mãe o casou com uma mulher do Egito. 22Neste mesmo tempo Abimelec acompanhado de Ficol, general do seu exército, veio dizer a Abraão: Deus é contigo em tudo o que tu fazes. 23Jura-me pois pelo nome de Deus, que tu nãc me farás mal a mim, nem aos meus descendentes, nem à minha raça: Mas que usarás comigo, e com a terra, onde tens vivido como estrangeiro, da mesma bondade, que eu tenho usado contigo. 24Respondeu-lhe Abraão: Eu to jurarei. 25Ê queixou-se à Abimelec da violência, com que os seus servos lhe tinham tirado um poço. 26Abimelec lhe respondeu: Eu não soube que te tinham feito essa injustiça: nem tu me disseste nada: e até o dia de hoje eu não tinha ouvido falar em tal. 27Tomou pois Abraão umas ovelhas, e uns bois, e deu-os a Abimelec e fizeram ambos aliança entre si, 28E tendo Abraão pôsto à parte sete cordeiras do seu rebanho, 29Abimelec lhe disse: Que querem dizer estas sete cordeiras, que tu puseste à parte? 30Tu receberás, disse Abraão estas sete cordeiras da minha mão, para que elas me sirvam de testemunho, de como eu abri êste poço. 31Por isso foi aquêle lugar chamado Bersabé, porque ali juraram êles ambos, 32e porque fizeram aliança perto do poço do juramento. 33Abimelec pois, e Ficol, general do seu exército, voltaram para a terra da Palestina: E Abraão plantou um bosque em Bersabé, onde invocou o nome do Senhor Deus eterno. 34E ficou vivendo muito tempo na terra dos palestinos.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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