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Gênesis 28

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Isaac pois tendo feito chamar a Jacó abençoou-o, e lhe pôs êste preceito: Não tomes, lhe disse êle, para tua mulher alguma das filhas de Canaã. 2Mas vai a Mesopotâmia na Síria, a casa de Batuel, pai de tua mãe, e desposa-te com uma das: filhas de teu tio Labão. 3O Deus Onipotente te encha das suas bênçãos: êle te faça crescer, e multiplicar de sorte, que venhas a ser pai de muitos povos. 4Êle te dê a ti, e à tua posteridade depois de ti, as bênçãos, que êle prometeu a Abraão; para que tu possuas a terra, onde hoje vives como estrangeiro, e que êle prometeu a teu avô. 5Despedido assim de Isaac, partiu Jacó para Mesopotâmia na Síria a buscar Labão, filho de Batuel Siro, e irmão de Rebeca sua mãe. 6Mas Esaú vendo que seu pai Isaac tinhá abençoado. a Jacó, e que o tinha mandado a Mesopotâmia na Síria, para lá tomar mulher do mesmo país; e que depois de lhe ter dado a bênção, lhe dissera: Tu não tomarás mulher, que seja das filhas de Canaã; 7e que Jacó por obedecer a seus pais tinha partido. para a Síria: 8Tendo também alcançado por experiência, que seu pai não levara a bem que êle tivesse casado com cananéias: 9Foi buscar a casa de Ismael, e afora as mulheres, que já tinha, casou com Maelete, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nabajot. 10Jacó pois tendo partido de Bersabé, ia para Haran. 11E como chegasse depois do sol pôsto a um certo lugar, onde êle queria passar a noite, pegou numa das pedras, que ali havia; e tendo-a pôsto por baixo da sua cabeça, dormiu ali mesmo. 12Então viu êle em sonhos uma escada, cujos pés estavam fincados sôbre a terra, e o cimo tocava no céu; e os anjos de Deus subindo, e descendo por esta escada. 13Viu também ao Senhor firmado no cimo da escada, que lhe dizia: Eu sou o Senhor Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac. Eu te darei a ti, e a teus descendentes, a terra, em que tu dormes. 14A tua posteridade será numerosa, como o pó da terra; e tu te estenderás ao Ocidente, e ao Oriente, e ao Setentrião, e ao Meio-Dia; e tôdas as tribos da terra serão benditas em ti, e naquele, que sairá de ti. 15Eu serei o teu condutor por tôda a parte, por onde fores; e eu te tornarei a trazer a êste país; e não te deixarei, menos que não tenha executado tudo o que te prometi. 16Jacó tendo despertado depois do sono, disse: Em verdade que o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. 17E cheio de medo prosseguiu: Que terrível é êste lugar! Verdadeiramente não é isto outra coisa, que a casa de Deus, e a porta do céu. 18Tendo-se pois levantado logo ao amanhecer, tomou a pedra, que tinha pôsto por baixo da sua cabeça, e a erigiu em padrão, lançando-lhe azeite por cima. 19E pôs o nome de Betei à cidade, que antes se chamava Luza. 20Ao mesmo tempo fêz êle Jacó êste voto a Deus, dizendo: Se Deus fôr comigo, e me guardar no caminho, por que eu ando, e me der pão para comer, e pano para me cobrir, 21e eu voltar felizmente para a casa de meu pai: o Senhor será o meu Deus. 22E esta Pedra, que erigi em Título, será chamada Casa de Deus: e de tôdas as coisas que vós me derdes, vos oferecerei o dízimo.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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