Gênesis 32
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Continuando Jacó o seu caminho, encontrou uns anjos de Deus. 2E tendo-os visto, disse: Êste é o arraial de Deus: E chamou a êste lugar 'Maanaim, isto é, Arraial. 3Ao mesmo tempo mandou êle adiante de si, quem fôsse dar parte da sua vinda a seu irmão Esaú, à terra de Seir em Edom. 4E deu esta ordem aos mensageiros: Eis-aqui como vós haveis de falar a Esaú meu Senhor. Jacó teu irmão te manda dizer isto. Eu morei com Labão como estrangeiro, e com êle estive até o dia de hoje. 5Tenho bois, jumentos, ovelhas, servos e servas: E mando agora esta embaixada a meu Senhor, para achar graça diante dêle. 6Voltaram os mensageiros, e disseram a Jacó: Nós fomos a teu irmão Esaú, e ei-lo aí vem a tôda a pressa a encontrar-se contigo com quatrocentos homens. 7Temeu Jacó muito; e de assustado que se achava, dividiu em duas turmas todos os que vinham com êle, e os rebanhos, as ovelhas, os bois, e os camelos, dizendo: 8Se Esaú vier atacar uma das turmas, a outra, que restar, me salvará. 9Depois fêz Jacó esta oração: Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaac, que me disseste: Volta para a tua terra, e para o lugar da tua nascença, e eu te encherei de benefícios: 10Eu sou indigno de tôdas as tuas misericórdias, e da verdade, que tu tens guardado em tôdas as promessas, que fizeste a teu servo. Eu passei êste Jordão, não tendo senão o meu báculo, e agora volto com estas duas tropas. 11Livra-me da mão de meu irmão Esaú, porque eu tenho muito mêdo dêle, não suceda que na sua chegada passe ao fio da espada a mãe com os filhos. 12Tu me prometeste, que me havias de cumular de bens, e que havias de multiplicar a minha descendência como a areia do mar, cuja multidão é inumerável. 13Jacó tendo passado a noite naquele mesmo lugar, separou de tudo o que tinha seu certos presentes para seu irmão Esaú: 14A saber, duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas, e vinte carneiros, 15trinta camelas com as suas crias, quarenta vacas, vinte touros, vinte burras, e dez crias suas. 16Mandou Jacó separadamente cada um dêstes rebanhos, que êle fêz conduzir pelos seus servos, e lhes disse: Ide adiante de mim, e haja seu espaço entre rebanho, e rebanho. 17E disse ao primeiro: Se tu encontrares meu irmão Esaú, e êle te perguntar: De quem és tu? ou para onde vais? ou de quem são estas reses, que tu levas? 18Responder-lhe-ás: São de teu servo Jacó, que as manda de presente a meu Senhor Esaú, e êle mesmo vem atrás de nós. 19A mesma ordem deu êle ao segundo, ao terceiro, e a todos os que conduziam os rebanhos, dizendo-lhes: Quando vós encontrardes a Esaú, dir-lhe-eis a mesma coisa, 20e ajuntareis: O mesmo Jacó teu Servo vem atrás de nós. Porque dizia Jacó. Apaziguá-lo-ei com os presentes, que vão adiante de mim; e depois quando eu ò vir, talvez que êle me olhe favoravelmente. 21Foram pois adiante de Jacó os presentes e êle ficou aquela noite no campo. 22E tendo-se levantado muito cedo, tomou as suas duas mulheres, e as suas duas escravas, com os seus onze filhos e passou o vau de Jaboc. 23Depois de ter feito passar tudo o que era seu, 24ficou êle só: E eis-que apareceu um homem, que lutou com êle até pela manhã. 25O qual homem vendo que o não podia vencer, tocou-lhe no nervo da coxa, e logo êste se secou. 26E êle disse a Jacó. Larga-me, porque já começa a raiar a aurora. Ao que Jacó respondeu: Eu não te hei de largar, menos que tu me não abençoes. 27Perguntou-lhe o homem: Como te chamas tu? Respondeu êle: Jacó. 28Prosseguiu o mesmo homem: Daqui em diante não te chamarão mais Jacó mas Israel: Porque se tu fôste forte contra Deus, como o não serás tu mais contra os homens? 29Depois lhe fêz Jacó esta pergunta: Diz-me, como te chamas tu? Respondeu-lhe êle: Por que me perguntas tu o meu nome? E êle o abençoou no mesmo lugar. 30Pôs Jacó àquele lugar o nome de Fanúel, dizendo: Eu vi a Deus face a face, e a minha alma foi salva, 31Tanto que passou de Fanuel, viu que nasciã, O sol; mas êle coxeava de uma perna. 32Esta é a razão, porque até ao dia de hoje não comem os filhos de Israel nervo, lembrando-se daquele, que foi tocado na coxa de Jacó, e que ficou sem movimento.