Gênesis 40
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Depois disto aconteceu que dois eunucos do rei do Egito, o seu copeiro-mor, e o seu padeiro-mor, ofenderam a seu senhor. 2E Faraó irado contra êstes oficiais, dos quais um presidia aos copeiros, outro aos padeiros, 3os mandou meter no cárcere do general das suas tropas, onde José estava preso; 4e o governador do cárcere os entregou a José que os servia, e tinha cuidado dêles. Era passado algum tempo, e êles continuavam sempre a estar presos. 5Uma mesma noite tiveram ambos um sonho, que sendo explicado, denotava o que havia de suceder a cada um dos dois. 6Pela manhã entrou José onde êles estavam; e como Os visse tristes, 7Perguntou-lhes a causa, e lhes disse: Por que motivo estais vós hoje com os semblantes mais tristonhos do que costumais? 8Êles lhe responderam: Tivemos um sonho, e não temos ninguém, que no-lo explique. Disse-lhes José: Porventura não é a Deus que pertence o dar as interpretações? Dizei-me, que é o que vós vistes? 9O copeiro-mor foi o primeiro, que contou o seu sonho. Parecia-me que via adiante de mim uma cêpa de vinha, 10onde havia três varas, que cresciam pouco a pouco, lançando primeiramente os gomos, depois flores, e por fim cachos maduros; 11e que eu tendo na mão o copo de faraó, tomei os cachos, e expremi-os no copo, que sustinha, e dei a beber dêle a Faraó. 12José lhe disse: Eis-aqui a interpretação do teu sonho. Às três varas da cêpa denotam três dias: 13depois dos quais se lembrará Faraó, do serviço, que tu lhe fazias, restituir-te-á ao teu primeiro cargo; e tu lhe apresentarás para beber o copo, segundo era o teu costume pelo ofício, que antes ocupavas. 14O que só te peço, é que depois que te suceder esta ventura, te lembres tu de mim, é me faças o favor de suplicar a Faraó, que se digne sua majestade de me tirar da prisão em que me acho: 15porque eu fui trazido a furto dà terra dos hebreus, e aqui metido no cárcere, estando inocente. 16O padeiro-mor vendo que José tinha interpretado sàbiamente êste sonho, disse-lhe: Eu também tive um sonho. Parecia-me que levava à cabeça três cêstos de farinha, 17e que naquele, que ia por cima dos outros, havia de tudo o que se pode fazer dè massa para se pôr numa mesa. e que as aves vinham comer dêle. 18Respondeu José: Eis-aqui a interpretação dêste sonho. Os três cêstos denotam três dias; 19depois dos quais te mandará Faraó tirar a cabeça. e suspender-te numa cruz; e as aves do céu despedaçarão as tuas carnes. 20O terceiro dia seguinte eia o dia do nascimento de Faraó, que deu um grande banquete aos seus criados, durante o qual se lembrou êle do copeiro-mor, e do padeiro-mor. 21Um restituiu êle ao seu cargo para continuar no ofício de lhe ministrar o copo; 22outro mandou êle pendurar num patíbulo: o que verificou a interpretação, que José tinha dado aos seus sonhos. 23Entretanto o copeiro-mor, tendo outra vez entrado a ser favorecido depois da sua desgraça, esqueceu--se do seu intérprete.