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Gênesis 43

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Entretanto a fome assolava extraordinariamente tôda a terra. 2E tendo-se acabado o trigo, que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, êle lhes disse: tornai para nos comprardes ainda algum pouco de trigo. 3Judá lhe respondeu: Aquêle homem, que governa em todo o Egito, nos declarou com juramento qual era sua vontade, dizendo: Vós não me vereis a cara, se não trouxerdes convosco vosso irmão mais pequeno. 4Se tu logo queres mandá-lo conosco, iremos todos juntos, e comprar-te-emos o que hás mister. 5Se o não queres, não iremos: porque aquêle homem, como nós já tc dissemos muitas vezes, nos declarou, que não lhe veríamos a cara, se não lhe levássemos nosso irmão mais pequeno. 6Israel lhe disse: Para desgraça minha foi, terdes-lhes vós manifestado, que ainda tínheis outro irmão. 7Mas êles lhe responderam: Êle nos perguntou por ordem todo o séquito da nossa família: se nosso pai vivia; se tínhamos nós ainda outro algum irmão. E nós lhe respondemos consequentemente ao que êle nos tinha perguntado. Acaso podíamos nós adivinhar que êle nos havia de dizer: Trazei convosco vosso irmão? 8Ainda disse mais Judá a seu pai: Manda comigo o menino para partirmos, e têrmos de que poder viver, e para não morrermos nós, e nossos filhinhos. 9Eu me encarrego dêste moço: a mim é que tu pedirás conta dêle. Se eu to não tornar a trazer, e to não restituir, eu consinto em que tu me não perdoes nunca esta falta, 10Se nós não tivéssemos diferido tanto a nossa ida, já nos teríamos voltado segunda vez. 11Israel pois, seu pai, lhes disse: Se isto assim é necessário, fazei o que quereis. Tomai para levardes convosco os mais excelentes frutos dêste país, para fazerdes presente dêles a êsse homem: uma pouca de resina, um pouco de mel, um pouco de estoraque, alguma mirra, algum terebinto, e algumas amêndoas. 12Tomai também dobrado dinheiro, e tornai a levar aquele, que vós achastes nos sacos, não fôsse isso talvez por engano. 13Enfim levai vosso irmão, e ide ter com aquêle homem. 14Eu rogo ao meu Deus todo poderoso, que vo-lo faça favorável, para que êle remeta convosco a vosso irmão, que êle retém prêso, e a êste Benjamim. Entretanto ficarei eu só, como se não tivesse filhos, 15Tomaram êles pois os presentes, e dinheiro em dôbro, com Benjamim; e tendo partido, chegaram ao Egito, onde se apresentaram diante de José. 16José tanto que os viu, e Benjamim com êles, disse ao seu dispenseiro: Introduze êstes homens em minha casa: mata das reses aquelas, que se costumam escolher para vítimas e prepara um banquete: porque. êles hão-de comer comigo ao meio dia. 17Executou o dispenseiro o que se lhe tinha mandado, e introduziu-os em sua casa. 18Então passados de mêdo diziam êles entre si: Sem dúvida que por causa daquele dinheiro, que nós achamos nos sacos, é que êle nos faz entrar aqui, para nos caluniar, e nos oprimir, reduzindo-nos à escravidão, e tomando-nos os nossos burros. 19Pelo que estando ainda à porta, chegaram-se êles ao dispenseiro de José, e lhe disseram: 20Senhor, nós te suplicamos que nos ouças. Nós viemos já uma vez comprar trigo: 21e depois de o têrmos comprado, quando nós chegamos à estalagem, ao abrir os nossos sacos achamos nas suas bôcas o nosso dinheiro, o qual nós te trazemos agora no mesmo peso. 22E afora êste, te trazemos nós outro dinheiro, para comprarmos o que nos é necessário. Mas nós não sabemos de modo algum, quem foi o que meteu aquêle dinheiro. nos nossos sacos. 23O dispenseiro lhes respondeu: Estai sossegados, não tenhais mêdo. O vosso Deus, e o Deus de vosso pai foi o que vos deu êsses tesouros nos vossos sacos. Porque quanto a mim, eu recebi o dinheiro, que vós me destes, e com isso me dou por satisfeito. Fêz também sair para fora a Simeão, e trouxe-lho. 24Depois de. os ter feito entrar na casa, trouxe-lhes água, com que lavaram os pés, e deu de comer aos seus burros. 25Entretanto puseram êles prontos os seus presentes, esperando que José entrasse ao meio dia: porque lhes tinham dito que haviam de comer ali. 26Tendo pois entrado José em sua casa, êles lhe ofereceram os seus presentes, que tinham nas suas mãos, e êles o adoraram, prostrando-se por terra. 27José os saudou também, mostrando-lhes bom rosto, e lhes perguntou: E” ainda vivo vosso pai, aquêle bom velho, de que vós me falastes? Passa êle bem? 28Êles lhe responderam: Nosso pai teu servo ainda vive, e passa bem. E êles encurvando-se profundamente, o adoraram. 29José, levantando os olhos, viu a Benjamim, seu irmão uterino, e disse: Êste é vosso irmão mais pequeno, do qual vós me tínheis falado? Meu filho. ajuntou êle, Deus te conserve, e te seja sempre favorável. 30E deu-se pressa a sair, porque se lhe tinham comovido as entranhas, vendo a seu irmão, e não podia conter as lágrimas: passando pois a outra câmara, chorou. 31E depois de ter lavado o rosto, se conteve, e disse: Trazei o comer para a mesa. 32Foi José servido à parte, e seus irmãos à parte e os egípcios, que comiam com êle, servidos também à parte: porque não é permitido entre os egípcios comer com os hebreus; e têm que um banquete desta sorte seria profano. 33Êles se assentaram pois em presença de José, primeiro o primogênito segundo a sua ordem, e o mais pequeno segundo a sua idade; e ficaram sumamente admirados, 34ao ver as porções, que José lhes dera, das quais a maior tinha caído a Benjamim: porque esta era cinco vezes mais avantajada que a dos outros. Beberam também com José, e regalaram-se.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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