Habacuc 2
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Eu estarei pôsto no lugar da minha sentinela e firmarei o pé sobre as fortificações. E pôr-me-ei alerta para ver o que se me diga e o que hei de responder ao que me repreenda. 2Então me respondeu o Senhor e me disse: Escreve o que vês e expõe-no com tôda a clareza: Para que se possa ler correntemente. 3Porque a visão ainda está longe, mas enfim ela aparecerá e não faltará: Se se demorar, espera-o: Porque infalivelmente virá e não tardará. 4Eis-aí está que o que é incrédulo, não terá a alma reta em si mesmo: Mas o justo viverá na sua fé. 5E assim como o vinho engana a quem o bebe com excesso: Assim será o homem soberbo, que ficará sem honra: O qual dilatou como o inferno a sua alma: E êle é como a morte, que se não farta: E congregará para si tôdas as gentes e amontoará a si todos os povos. 6Mas acaso não virá êle a ser a fábula de todos êstes e a conversação dos seus enigmas? E se dirá: Ai daquele que acrescenta o que não é seu; até quando amontoa êle também contra si o denso lôdo? 7Acaso não se levantarão de repente os que te mordam: E não despertarão os que te despedacem: E não serás a prêsa dêles? 8Porquanto tu despojaste a muitas gentes, despojar-te-ão todos os que restarem dos povos por causa do sangue dos homens, e pelo agravo da terra da cidade, e de todos os que habitam nela. 9Ai daquele que ajunta bens por uma avareza cri-minosa, para estabelecer a sua casa, a fim de que esteja em lugar alto o seu ninho, e que julga livrar-se da mão do mal. 10Tu pensaste confusão para a tua casa, tu arrui-naste a muitos povos, e a tua alma caiu no pecado. 11Porque a pedra clamará da parede contra ti: E o madeiramento que serve de travessão ao edifício, responderá. 12Ai daquele que edifica uma cidade em sangue de muitos, e funda as suas muralhas na iniquidade. 13Acaso não vêm estas coisas do Senhor dos exércitos? Porque os povos trabalharão com muito fogo: E as gentes em vão, e assim se fatigarão. 14Porque a terra se encherá, como o mar está coberto das suas águas, a fim de que êles conheçam a glória do Senhor. 15Ai daquele que dá a beber a seu amigo misturando ali o seu fel, e que o embebeda para ver a sua nu-deza. 16Tu fôste cheio de ignomínia, em lugar de glória: Bebe tu também: E fica sópito: Cercar-te-á o cálice da direita do Senhor, e um vômito de. ignomínia cairá sôbre tua glória. 17Porque a iniquidade executada contra o Líbano recairá sôbre ti, e os estragos dos animais espantarão os teus povos por causa do sangue dos homens, e das injustiças cometidas na terra, e na cidade, e contra todos os que habitavam nela. 18De que serve a estátua, quando o seu privativo artífice é que a fabricou, sendo ela um simulacro, e uma imagem falsa? Ainda assim o seu Opífice esperou na sua obra, nos ídolos mudos que formou. 19Ai daquele que diz ao pau: Esperta: à pedra muda: Levanta-te. Porventura poder-lhe-á ela ensinar alguma coisa? Vê que ela está coberta de ouro e de prata, e nas suas entranhas não há espírito algum. 20Porém o Senhor está no seu Santo templo: Cale-se tôda a terra diante dêle.