Isaías 33
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ai de ti, que roubas, porventura não serás também tu roubado? E tu que desprezas, porventura não serás também tu desprezado? Quando acabares de despoJar, serás despojado: Quando já cansado deixares de desprezar, serás desprezado. 2Senhor, tem misericórdia de nós: Porque nós te esperamos: Sê o nosso braço desde a manhã, e a nossa: saúde no tempo da tribulação. 3À voz do anjo fugiram os povos, e à tua exaltação foram dispersas as gentes. 4E ajuntar-se-ão os vossos despojos como se apa-nham os gafanhotos, como quando as covas estiverem cheias dêles. 5O Senhor foi engrandecido, porque habitou no alto: le encheu a Sião de juízo e de justiça. 6E a fé reinará nos teus tempos: A sabedoria e a ciência serão as riquezas da salvação: O temor do Se-' nhor êsse é o seu tesouro. 7Eis-aí que os que estiverem vendo clamarão de fora, os anjos da paz chorarão amargamente. 8Foram dissipados os caminhos, cessou o que passava pela vereda, ficou anulado o pacto, êle rejeitou as cidades, não teve em conta os homens. 9A terra chorou, e desfaleceu: O Líbano foi pôsto em confusão e num estado de vilipêndio, e Saron se tornou como um deserto: E Basan e o Carmelo foram sacudi dos. 10Agora me levantarei eu, diz o Senhor: Agora serei exaltado, agora serei pôsto em alto. 11Vós concebereis ardor, parireis palhas: O nosso espirito como fogo vos devorará. 12E serão os povos como a cinza, que fica dum incêndio, como espinhos atados num feixe arderão no fogo. 13Vós os que estais longe, ouvi o que eu fiz, e os que estais vizinhos conhecei a minha fortaleza. 14Os pecadores foram aterrados em Sião, o mêdo se ensenhoreou dos hipócritas: Qual de vós poderá habitar com o fogo devorante? Qual de vós habitará com os ardores sempiternos” 15Aquêle que anda em justiça, e fala verdade, o que arremessa longe de si a avareza enriquecida pela calúnia, e sacode as suas mãos de todo o presente, o que tapa os seus ouvidos para não ouvir sangue, e fecha os seus olhos para não ver o mal. 16Este tal habitará nas alturas, virão a ser as fortificações dum castelo roqueiro a sua elevação: Deu-se-lhe o pão, as suas águas são fiéis. 17Os seus olhos verão o rei no seu esplendor, verão a terra de longe. 18O teu coração meditará o temor: Onde está o letrado? onde o que pesa as palavras da lei? onde o mestre dos pequeninos? 19Tu não verás um povo impudente, um povo de alta linguagem: De modo que não possa entender a delicadeza da língua dêle, no qual não há sabedoria alguma. 20Olha para Sião, cidade da nossa solenidade: Os teus olhos verão a Jerusalém, aquela habitação opulenta, aquêle tabernáculo, que não poderá de modo algum ser transportado: Nem serão arrancadas as suas estacas por tôda a eternidade, nem corda alguma das suas se quebrará: 21Porque somente ali é que nosso Senhor se os-tenta na sua magnificência: Lugar de rios, canais larguis-simos e patentes: Não passará por êle baixel a remo, nem galé grande de três ordens de remos o atravessará. 22Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor o nosso legislador, o Senhor o nosso rei: Êle mesmo nos salvará. 23As tuas enxarcias afrouxaram, e não agiúentarão: Estará em tal estado o teu mastro, que não possa estender a bandeira. Então se repartirão os despojos de muitas prêsas: Os coxos arrebatarão cada um sua parte daquele saco. 24E o vizinho não dirá: Eu já cansei: Quanto ao povo que mora para aquêles arredores, será dele tirada a iniquidade.