Isaías 36
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E aconteceu no ano décimo quarto do rei Ezequias, que Senaquerib, rei dos assírios, foi sobre tôdas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou. 2E o rei dos assírios enviou a Rabsaces desde Láquis a Jerusalém, ao rei Ezequias com um formidável exército, e fêz alto ao pé do aqueduto da piscina de cima no caminho do campo do lavandeiro. 3E saiu para ir ter com êle Eliacim, filho de Helcias, que era mordomo-mor da casa do rei, e Sobna, secretário de estado, e Joaé, filho de Asaf, cronista-mor. 4E Rabsaces lhes disse: Dizei a Ezequias: Eis-aqui o que diz o grande rei, o rei dos assírios: Que confiança é essa, em que tu confias? 5Ou com que desígnio ou fôrças pretendes tu rebelar-te? Sôbre quem fundas tu a confiança, para te haveres apartado de mim? 6Já vejo que tu confias sôbre o Egito, sôbre êsse bordão de cana rachada, na qual se se firmar um homem, ela se lhe meterá pela mão, e a traspassará: Assim é Faraó, rei do Egito, para todos os que confiam nêle. 7E se me responderes: Nós confiamos no Senhor nosso Deus: Acaso não é êste aquêle mesmo, cujos altares destruiu Ezequias, e disse a Judá e a Jerusalém: Diante dêste altar adorareis? 8Agora pois rende-te ao rei dos assírios meu amo, e eu te darei dois mil cavalos, e não poderás entre os teus achar homens para montar nêles. 9Pois como suportarás tu a face de qualquer dos menores servos de meu amo, sendo o tal governador num só lugar? E se confias no Egito, nas quadrigas, e nos cavaleiros: 10Porventura vim eu também agora a esta terra sem ordem do Senhor para a perder? O Senhor é que me disse: Entra nessa terra, e destrói-a. 11E disse Eliacim, e Sobna, e Joaé a Rabsaces: Fala aos teus servos em língua siríaca: Porque nós a entendemos: Não nos fales na judaica, estando-nos a escutar o povo, que está em cima do muro. 12E Rabsaces lhes disse: Acaso é ao teu amo e a ti que meu amo me mandou, para dizer estas palavras: E não antes aos homens, que estão assentados no muro, para que comam os seus excrementos, e convosco bebam a urina dos seus pés? 13E Rabsaces se pôs em pé, e gritou em alta voz na língua judaica, e disse: Ouvi as palavras do grande rei, do rei dos assírios: 14Eis-aqui o que diz o rei: Não vos seduza Ezequias, porque êle vos não poderá livrar. 15E não vos infunda Ezequias confiança no Senhor, dizendo: O Senhor indubitâvelmente nos há de livrar, esta cidade não há de ser entregue na mão do rei dos assírios. 16Não queirais ouvir a Ezequias: Porque eis-aqui o que diz o rei dos assírios: Fazei comigo aliança, e vinde para mim, e comei vós cada um da sua vinha, e cada um da sua figueira: E bebei cada um da água da sua cisterna, 17até que eu venha e vos leve para uma terra, que é como a vossa terra, terra de grão e de vinho, terra de pães e de vinhas. 18Nem vos inquiete Ezequias com dizer: O Senhor nos livrará. Porventura os deuses das gentes livraram cada um a sua terra da mão do rei dos assírios? 19Onde está o deus de Emat, e de Arfad? Onde está o deus de Sefarvaim? Acaso livraram êles da minha mão a Samaria? 20Qual é dentre todos os deuses dessas terras, o que tinha livrado o seu país da minha mão, para que o Senhor possa também livrar a Jerusalém da minha mão 21E êles se puseram em silêncio, e não lhe responderam uma só palavra: Porquanto assim lho havia mandado o rei, dizendo: Não lhe respondais. 22E entrou Eliacim, filho de Helcias, que era mordomo-mor da casa do rei, e Sobna, secretário de estado. e Joaé, filho de Asaf, cronista-mor, para falar a Ezequias, rasgados os vestidos, e todos lhe relataram as palavras de Rabsaces.