Isaías 37
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E aconteceu que tendo ouvido a tal notícia o rei Ezequias, rasgou os seus vestidos, e cobriu-se de saco, e.entrou na Casa do Senhor. 2E mandou a Eliacim, que era mordomo-mor da sua casa, e a Sobna, secretário de estado, e aos mais anciãos de entre os sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amós. 3e lhe disseram: Eis-aqui o que diz Ezequias: Dia de tribulação, e de corrupção, e de blasfêmia é êste dia: Porque chegaram os filhos até o ponto de nascer, porém não há fôrça na mãe para que os faça vir à luz. 4O Senhor teu Deus é certo que de algum modo terá ouvido as palavras de Rabsaces, que enviou o rei dos assírios seu amo para blasfemar o Deus vivente, e afrontá-lo com os discursos, que o Senhor teu Deus ouviu: Eleva pois a tua oração por êste resto, que ainda se acha. 5E os servos do rei Ezequias foram ter com Isaías, 6e Isaías lhes respondeu: Direis a vosso amo o seguinte: Eis-aqui o que diz o Senhor: Não temas à vista das palavras que ouviste, com as quais os servos do rei dos assírios me blasfemaram. 7Eis-aqui estou eu que lhe darei um espírito, e êle ouvirá uma nova, e voltará para a sua terra, e fá-lo-ei cair morto à espada na sua terra. 8Voltou pois Rabsaces, e achou ap rei dos assírios pôsto em campanha contra Lobna. Porque tinha ouvido dizer que êle se tinha retirado de Láquis, 9ea respeito de Taraca, rei da Etiópia, ouviu aos -que assim diziam: Saiu para pelejar contra ti. O que - s. Jerônimo, tendo êle ouvido, enviou mensageiros a Ezequias dizendo: 10Isto direis a Ezequias, rei de Judá, quando lhe falardes: Não te engane o teu Deus, em quem tu confias, dizendo: Não será entregue Jerusalém na mão do rei dos assírios. 11Eis-aí que tu tens ouvido tôdas as coisas, que fizeram os reis dos assírios a tôdas as terras, que destrui-ram, e tu poderás livrar-te? 12Porventura os deuses das gentes livraram aquêles povos, que meus pais destruíram, Gozam, e Haram, e Resef, e os filhos de Éden, que estavam em Talagsar? 13Onde está o rei de Emat, e o rei de Arfad, e o rei da cidade de Sefarvaim, de Ana, e de Ava? 14E tomou Ezequias as cartas da mão dos mensageiros, e leu-as e subiu a Casa do Senhor, e as estendeu Ezequias diante do Senhor. 15E orou Ezequias ao Senhor, dizendo: 16Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que estás sentado sôbre os querubins: Tu só és o Deus de todos os reinos da terra, tu que fizeste o céu e a terra. 17Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve: Abre, Senhor, os teus olhos, e vê, e ouve todas as palavras de Senaquerib, as quais êle mandou dizer para blasfemar o Deus vivente. 18Porquanto verdadeiramente, Senhor, que os reis dos assírios deixaram despovoadas as terras, e as suas regiões. 19E entregaram ao fogo os deuses delas: Porque êles não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, pau e pedra: E os esmigalharam. 20Agora pois, Senhor nosso Deus, salva-nos da sua mão: E conheçam todos os reinos da terra, que só tu és Senhor. 21E mandou Isaías, filho de Amós, dizer a Ezequias: Eis-aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Pelo que diz respeito às rogativas que me fizeste acêrca de Senaquerib, rei dos assírios: 22Esta é a palavra, que sôbre êle falou o Senhor: Êle te desprezou, e te insultou, ó virgem filha de Sião: Êle por detrás de ti moveu a cabeça, ó filha de Jerusalém. 23A quem afrontaste, e a quem blasfemaste, e contra quem levantaste a voz, e tens elevado a altiveza de teus olhos? Contra o Santo de Israel. 24Por mão de teus servos tens afrontado ao Senhor: E disseste: Eu com a multidão das minhas quadrigas subi ao alto dos montes, aos cabeços do Líbano: É cortarei os elevados cedros dele, e as suas faias escolhidas, e entrarei na altura do seu cume, no bosque do seu Carmelo. 25Eu cavei, e bebi a água, e sequei com a planta de meus pés todos os arroios em prêsas retidos. 26Tu porventura não ouviste dizer o que noutro tempo eu lhe fiz? desde os dias antigos eu formei êste projeto: E agora o executei: E assim se fêz para extir-pação dos outeiros que pelejam todos juntos e das cidades fortificadas. 27Os habitadores delas tendo mãos curtas tremeram, e ficaram confundidos: Tornaram-se como o feno dos campos, e a relva do pasto, e a erva dos telhados, que se secou de amadurecer. 28Eu soube a tua habitação e a tua saída, e a tua entrada, e o teu desatino contra mim. 29Quando tu te enfurecias contra mim, a tua soberba subiu até os meus ouvidos: Eu te porei pois uma argola nos teus narizes, e um freio nos teus lábios, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste. 30E tu terás isto por sinal: Come neste ano do que nasce espontâneamente, e no segundo ano sustenta-te de frutas: Mas no terceiro ano semeai, e segai, e plantai vinhas e comei o fruto delas. 31E isso que ficar salvo da casa de Judá, e o que dela resta, lançará raízes para baixo, e produzirá o seu fruto para cima: 32Porque de Jerusalém sairão as relíquias, e do monte Sião a salvação: Isto fará o zelo do Senhor dos Exércitos. 33Por cuja causa eis-aqui o que diz o Senhor a respeito do rei dos assírios: Êle não entrará nesta cidade, nem atirará contra ela setas, nem o escudo a investirá, nem levantará trincheiras ao redor dela. 34Pelo caminho por onde veio, por êsse voltará, e não entrará nesta cidade, diz o Senhor: 35E eu protegerei esta cidade, para a salvar por amor de mim, e por amor de Davi meu servo. 36Saiu pois o anjo do Senhor, e feriu cento e oitenta e cinco mil homens no campo dos assírios. E levantaram-se pela manhã, e eis-que todos estavam reduzidos a cadáveres. 37E se retirou dali Senaquerib, rei dos assírios, e se foi, e voltou, e habitou em Nínive. 38E aconteceu que adorando êle no Templo de Nesroc seu Deus, Adramelec, e Sarasar seus filhos, o feriram com as suas espadas: E fugiram para a terra de Ararat, e reinou Asaradon, seu filho, em seu lugar.