Isaías 57
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O Justo perece, e não há quem considere no seu coração: E os homens compassivos são recolhidos, porque não há quem tenha inteligência, pois foi recolhido o justo à vista da malícia. 2Venha a paz, descanse do seu leito aquêle que andou na sua retidão. 3Vós porém vinde cá, filhos duma agoureira: Linhagem dum adúltero, e duma prostituta. 4De quem fizestes vós escárnio? Contra quem abris-tes a bôca, e deitastes a língua fora? Porventura não sois vós uns filhos malvados, uma geração bastarda? 5Vós que buscais a vossa consolação nos deuses, debaixo de todo o arvoredo frondoso, sacrificando-lhes os vossos tenros filhinhos nas torrentes, debaixo dos rochedos sobranceiros? 6Nas partes da torrente está a tua parte, esta é a tua sorte: E em honra dêsses mesmos ídolos derramaste a tua libação, ofereceste o teu sacrifício: Não me hei de eu então indignar à vista destas coisas? 7Tu puseste o teu leito sôbre um. alto e elevado monte, e lá subiste para imolares hóstias. 8E detrás da porta, e atrás da umbreira puseste o teu monumento: Porque ao pé de mim te descobriste, e recebeste ao adúltero: Alargaste o teu leito, e com êle fizeste concêrto: Amaste o estrado dêles com a mão aberta. 9E te adornaste para o rei com ungiientos, e multiplicaste as tuas confeições cheirosas. Enviaste os teus embaixadores longe, e fôste abatida até os infernos. 10Tu te fatigaste na multidão dos teus caminhos: Não disseste: Cessarei: Achaste de que viver pelo trabalho das tuas mãos, por isso não me fizeste rogativas. 11Por que princípio temeste tu cuidadosa, pois me faltaste à fé devida, e não te lembraste de mim, nem pensaste no teu coração? Porque eu estava calado, e como quem não via, por isso te esqueceste de mim. 12Eu publicarei a tua justiça, e não te aproveitarão as tuas obras. 13Quando tu clamares, livrem-te os que tu tens ajuntado, e a todos eles levará o vento, arrebatá-los-á a viração: Mas o que tem confiança em mim, herdará a terra, e possuirá o meu santo monte. 14E direi: Fazei caminho, dai lugar, desviai-vos da vereda, tirai os tropeços do caminho do meu povo. 15Porque isto diz o excelso, e o sublime que habita na eternidade: E o seu santo nome habita nas alturas e no santuário, e com o contrito e humilde de espírito: Para que dê vida ao espírito dos humildes, e vivifique o coração dos contritos. 16Porque eu não pleitearei eternamente nem me agastarei até o fim: Porque sairá da minha face o espirito, e eu farei os assupros. 17Eu me agastei por causa da iniquidade da sua avareza, e o feri: Escondi de ti a minha face, e me indig-nei: E êle se foi andando vagabundo no caminho do seu coração. 18Eu vi os seus caminhos, e o sarei, e o reduzi, e lhe dei consolações a êle mesmo, e aos que o choravam. 19Criei a paz fruto dos lábios, a paz para aquele que está longe, e para o que está perto, disse o Senhor, e o sarei. 20Os ímpios porém são como um mar agitado, que não pode acalmar, e com o próprio rólo vêm as suas ondas a quebrar na praia e fazer lôdo. 21Não há paz para os ímpios, diz o Senhor Deus.