Isaías 63
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Quem é êste, que vem de Edom, de Bosra,- com as vestiduras tingidas? êste formoso em seu trajo, que caminha na multidão da sua fortaleza? Eu, que falo a justiça, e que sou o combatente para salvar.: 2Por que é logo vermelho o teu vestido, e as tuas roupas como as dos que pisam num lagar? 3Eu calquei o lagar sózinho, e das gentes não se acha homem algum comigo: Eu os pisei no meu furor, e os pisei aos pés na minha ira: E o seu sangue veio sal-picar os meus vestidos, e eu manchei tôdas as minhas roupas. 4Porque o dia da vingança está no meu coração, é chegado o ano da minha redenção. 5Eu olhei em roda, e não havia auxiliador: Busquei e não houve quem me ajudasse: Mas o meu braço me salvou, e a minha mesma indignação me auxiliou. 6E pisei aos pés os povos no meu furor, e os embriaguei na minha indignação, e derribei por terra o seu esfôrço. 7Eu me lembrarei das misericórdias do Senhor, cantarei o louvor do Senhor por todos os bens, que o mesmo Senhor nos deu, e pela multidão dos seus benefícios à casa de Israel, que êle lhes fêz segundo a sua clemência e segundo a multidão das suas misericórdias. 8E disse êle: Ainda assim êste é o meu povo, são uns filhos que me não hão de tornar a negar: E para eles se fêz Salvador. 9Em tôda a tribulação dêles não foi angustiado, e o anjo da sua face os salvou: Com o seu amor, e com a sua clemência êle mesmo os remiu, e os levou sobre si, e os exaltou em todos os dias do século. 10Mas êles o provocaram à ira, e afligiram o espirito do seu Santo: E se converteu para êles em inimigo, e êle mesmo os debelou. 11Porém êle se lembrou dos dias do século de Moisés, e do seu povo: Onde está o que os tirou do mar com os pastôres do seu rebanho? Onde está o que pos no meio dele o espírito do seu Santo? 12Que tirou pela direita a Moisés com o braço da sua majestade, que rasgou as águas diante dêles, para adquirir para si um nome sempre eterno: 13Que os conduziu pelos abismos, como a um cavalo que não tropeça por um descampado. 14Como a um animal que vai descendo por uma campina, o espírito do Senhor foi o seu condutor: Desta maneira guiaste ao teu povo, para grangeares para ti um nome glorioso. 15Atende-nos lá do céu, e põe os olhos em nós lá do teu santo domicílio, e do da tua glória: Onde está o teu zêlo, e a tua fortaleza, a multidão das tuas entranhas, e das tuas misericórdias? Estancaram para mim. 16Porque tu é que és nosso pai, e Abraão não nos conheceu, e Israel não soube de nós: Tu, Senhor, és nosso pai, nosso redentor, o teu nome subsiste desde o século. 17Por que nos fizeste, Senhor, extraviar dos teus caminhos: Endureceste o nosso coração para te não temermos? Volve-te a nós por amor dos teus servos, das tribos da tua herança. 18Nossos inimigos se fizeram senhores do teu povo santo, como se êle não fôsse nada: Pisaram aos pés o teu santuário. 19Nós ficamos como no princípio, quando ainda nos não dominavas, nem o teu nome se invocava sôbre nós.