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Jó 23

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E respondendo Jó, disse: 2Ainda agora estão em amargura as minhas palavras. e a violência da minha chaga se agravou sôbre o meu gemido. 3Quem me dera que o conhecesse, e o achasse, e eu chegasse até ao seu trono? 4Exporia ante êle a minha causa, e encheria a minha bôca de queixas. 5Para saber o que êle me responderia, e para compreender o que êle me poderia dizer. 6Não quero que com muita fortaleza contenda comigo, nem que me oprima com o pêso da sua grandeza. 7Proponha contra mim a equidade, e chegará à vitória o meu juízo. 8Se eu fôr ao Oriente, não aparece: Se ao Ocidente, não o perceberei. 9Se à esquerda, que hei de fazer? não o alcançarei: Se me voltar à direita, não o verei. 10Mas êle sabe o meu caminho, e êle me prova como ouro que passa pelo fogo. 11O meu pé seguiu as suas pisadas, eu guardei o seu caminho, e não me desviei dêle. 12Dos preceitos de seus lábios não me apartei, escondi no meu seio as palavras da sua bôca. 13Porque êle é só, e ninguém pode inverter seus pensamentos: E a sua vontade tudo o que quis, isso fêz. 14Quando tiver cumprido em mim a sua vontade, ainda tem à mão outras muitas coisas semelhantes. 15E por isso eu estou turbado na sua presença, e quando o considero, sou agitado de temor. 16Deus amolgou o meu coração, e o Todo-Poderoso me turbou. 17Porque não tenho perecido não obstante as trevas que estão sôbre mim, nem a escuridade cobriu meu rosto.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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