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Jó 24

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ao Todo-Poderoso os tempos não são ocultos: Mas os que o conhecem a êle, ignoram os seus dias. 2Uns passaram além dos limites, roubaram rebanhos, e os apascentaram. 3Levaram o jumento dos pupilos, e tomaram em penhor o boi da viúva. 4Transtornaram o caminho dos pobres, e oprimiram juntamente os mansos da terra. 5Outros como asiios monteses no deserto saem à Sua obra: Madrugando para: roubar, aprontam o pão para seus filhos. 6Ceifam o campo que não é seu: E vindimam a vinha daquele, a quem oprimiram com violência. 7Deixam nus aos homens, tirando vestidos aos que não têm com que se cobrir no frio: 8A quem as chuvas nos montes repassam: E que não tendo com que se cubram, se abraçam com os rochedos. 9Fizeram violência roubando aos pupilos e ao povo pobre despojaram. 10Aos nus e que iam sem vestido, e aos famintos tiraram as espigas. 11Êles repousam ao meio-dia entre os montões daqueles, que depois de terem pisado a uva nos lagares, padecem sêde. 12Fizeram gemer aos homens nas cidades, e a alma dos feridos gritou, e Deus não deixa tais coisas sem castigo. 13Êles foram rebeldes à luz, não conheceram os caminhos dêle, nem voltaram pelas suas veredas. 14O homicida levanta-se ao amanhecer, mata o mendigo e o pobre: E de noite será como um ladrão. 15O ôlho do adúltero observa a escuridade, dizendo: Ninguém me verá: E cobrirá o seu rosto. 16Arromba nas trevas as casas, como de dia haviam ajustado e não advertiram que era dia. 17Se de súbito aparece a aurora, crêem que é a sombra da morte: E assim andam pelas trevas como pela luz. 18É mais inconstante que a superfície da água: Maldita seja a sua porção sôbre a terra, e não ande pelo caminho das vinhas. 19Êle passe das águas da neve para um excessivo calor, e o seu pecado vá até aos infernos. 20A misericórdia se esqueça dele: Os bichos sejam a sua doçura: Não haja dêle memória, mas seja feito em pedaços como árvore que não dá fruto. 21Porque êle sustentou a estéril, que não pare, e não fêz bem à viúva. 22Destroçou os valentes com a sua fortaleza: E quando estiver em pé, não se fiará na sua vida. 23Deus lhe deu lugar de penitência, e êle abusa disto para soberba: E os olhos de Deus estão nos seus caminhos. 24Elevaram-se um pouco, mas não subsistirão, e serão humilhados, e arrebatados como tôdas as coisas, e como cabeças de espigas serão quebrantados. 25Se isso não é assim, quem me poderá convencer de mentira, e acusar as minhas palavras diante de Deus?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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