Jó 27
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Acrescentou também Jó, continuando a sua parábola, e disse: 2Vive Deus, que desviou a minha causa, e o Onipotente, que trouxe à amargura a minha alma. 3Porque enquanto em mim houver alento, e o Espírito de Deus nos meus narizes, 4não falarão os meus lábios iniquidade, gem a minha língua inventará mentira. 5Guarde-me Deus de vos ter por justos: Enquanto eu viver, não me apartarei da minha inocência. 6Não deixarei a justificação, que tenho começado a seguir: Porque o meu coração nada me remorde em tôda a minha vida. 7Seja como ímpio, o meu inimigo: E o meu adversário, seja como iníquo? 8Pois qual é a esperança do hipócrita se rouba por avareza, e Deus não livra a sua alma? 9Acaso ouvirá Deus o seu clamor quando lhe sobrevier a angústia? 10Ou poderá êle deleitar-se no Todo-Poderoso, e invocar a Deus em todo ò tempo? 11Eu vos ensinarei com o auxílio de Deus o que se encerra no Todo-Poderoso, eu não vo-lo esconderei. 12Mas todos vós o sabeis, e por que pois falais inutilmente palavras vãs? 13Esta é a sorte que diante de Deus terá o homem: ímpio, e a herança que os violentos receberão do Todo-Poderoso. 14Se os seus filhos se multiplicarem, serão para a espada, e os seus netos nãò serão fartos de pão. 15Os que ficarem dele, serão sepultados na sua ruína, e as suas viúvas não chorarão. 16Se êle amontoar prata como terra, e se ajuntar vestidos como lama: 17Êle sim os ajuntará, mas o justo se vestirá com eles, e o inocente repartirá a sua prata. 18Lavrou corno a traça a sua casa, e como o guarda fêz a sua choupana. 19O rico quando dormir, nada levará consigo: Abrirá os seus olhos, e nada achará. 20A miséria o surpreenderá como inundação, de noite o oprimirá a tempestade. 21Um vento abrasador o tirará, e levará, -êle o arrebatará do seu lugar, como um redemoinho, 22E lançará sôbre êle, e não perdoará: Da sua mão irá fugindo a tôda a pressa. 23O que vir o seu lugar, baterá sôbre êle as suas mãos, e assobiará sôbre êle.