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Jó 28

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1A prata tem um princípio das suas veias: O ouro tem um próprio lugar onde se forma. 2O ferro tira-se da terra: E a pedra derretida no fogo torna-se em metal. 3Pôs têrmo às trevas, e êle mesmo considera o fim de tôdas as coisas também a pedra da escuridão, e a sombra da morte. 4A torrente divide do povo viandante aquêles de quem o pé do homem pobre se esqueceu, e que estão fora do caminho. 5A terra, da qual nascia o pão como do seu lugar, foi destruída pelo fogo. 6Há lugares cujas pedras são safiras e cujos torrões são grãos de ouro. 7A ave ignorou a sua rota, e o ôlho do abutre não a viu, 8Os filhos dos negociantes não a trilharam, nem a leoa passou por ela. 9Estendeu a sua mão contra os rochedos, transtornou os montes desde as suas raízes. 10Cortando os penhascos fêz arrebentar arroios, e o seu ôlho viu tudo o que há precioso, 11Investigou também até o fundo dos rios, e pôs às claras o que estava escondido. 12Mas a sabedoria onde se acha ela? E qual é o lugar da inteligência? 13O homem não conhece o seu preço, nem ela se acha na terra dos que vivem em delícias. 14O abismo diz: Ela nãò está em mim: E o mar publica: Ela não está comigo. 15Não se dará por ela ouro o mais puro, nem se pesará prata em câmbio dela. 16Não será comparada com as côres mais vivas da Índia, nem com a pedra sardônica preciosíssima, nem com a safira. 17Não se lhe igualará o ouro nem o cristal, e ela se não dará em troca pelos vasos de ouro: 18Quanto há grande e elevado, não se nomeará em comparação dela: Mas a sabedoria se tira de coisas ocultas. 19Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem será comparada com as tintas mais brilhantes. 20De onde vem pois a sabedoria? E qual é o lugar da inteligência? 21Escondida está aos olhos de todos os viventes, até às aves do céu está oculta. 22A perdição e a morte disseram: Aos nossos ouvidos chegou a sua fama. 23Deus entende o seu caminho, e êle mesmo conhece o seu lugar. 24Porque êle vê as extremidades do mundo: E vê tudo o que há debaixo do céu. 25Êle é o que deu pêso aos ventos, e pesou as águas com medida. 26Quando prescrevia' certa lei às chuvas, quando designava certo caminho às tempestades ruidosas: 27Então a viu, e a manifestou, e preparou, e investigou. 28E disse ao homem:Eis-aí o temor do Senhor, êle é a mesma sabedoria: E apartar-se do mal, é a inteligência.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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