Jó 33
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ouve pois. Jó, as minhas palavras, e escuta todos os meus discursos. 2Eis-aqui abri a minha bôca, fale a minha língua nas minhas fauces. 3Os meus discursos sairão da simplicidade do meu coração e os meus lábios pronunciarão sentimentos apurados. 4O espírito de Deus me fêz, e o assopro do Todo-Poderoso me deu vida. 5Se podes, responde-me, e põe-te a fazer-me frente, 6Eis-aqui, Deus me fêz, a mim, assim como a ti, e do mesmo lôdo também eu fui formado. 7Pelo que nada há de maravilhoso em mim que te espante, e a minha eloquência não te será pesada. 8Disseste pois nos meus ouvidos, e ouvi a voz das tuas palavras: 9Eu estou limpo e sem pecado: Eu estou sem mácula, e em mim não há iniquidade. 10Porque Deus achou contra mim queixas, por isso me considerou coma seu inimigo.. 11Pôs os meus pés no cepo, e observou tôdas as minhas veredas. 12Isto pois é, no que tens mostrado que não és Justo; responder-te-ei, que Deus é maior do que o homem. 13Disputas contra êle, por que não respondeu a tôdas as tuas palavras? 14Deus fala uma vez, e segunda vez não repete uma mesma coisa. 15Por sonho de visão noturna, quando cai sopor sôbre os homens, e estão dormindo no seu leito. 16Então abre os ouvidos dos homens, e admoestando-os lhes adverte o que devem fazer. 17Para apartar o homem daquilo que faz e para o livrar da soberba: 18Salvando a sua alma de corrupção: E a sua vida, para que não passe por espada. 19Corrige-o também por meio das dores na cama, e faz que todos os seus ossos se mirrem. 20Neste estado se lhe faz aborrecido o pão, e o manjar que noutro tempo apetecia a sua alma. 21Consumir-se-á a sua carne, e os ossos que haviam estado cobertos, se descobrirão. 22Aproximou-se a sua alma à corrupção, e a sua vida ao que traz a morte. 23Se houver algum Anjo, um entre milhares, que fale a seu favor, e instrua o homem no seu dever: 24Se compadecerá dêle, e dirá: Livra-o, para que não desça à corrupção: Eu achei por que lhe fazer graça. 25A sua carne está consumida dos castigos, torne aos dias da sua mocidade. 26Êle pedirá perdão a Deus, e Deus se lhe aplacará: E êle verá com jubilo a sua face, e Deus justificará de novo a este homem. 27Tornará a olhar para os homens, e dirá: Pequei, e deveras delinqíii, e não tenho sido castigado como merecia. 28Deus livrou a sua alma para que não caminhasse à morte senão que vivendo visse a luz. 29Ora Deus obra tôdas estas coisas três vezes em cada um. 30Para retrair as suas almas da corrupção, e para as esclarecer com a luz dos viventes. 31Atende, Jó, e ouve-me: E cala-te, enquanto eu falo. 32Se contudo tens alguma coisa que dizer, responde-me, fala: Porque quero que compareças justo. 33Se não a tens, ouve-me: Cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria.